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O erro do Newcastle ao virar uma colônia francesa

A Premier League é o campeonato mais internacionalizado e competitivo do planeta. Ponto. Nenhuma outra liga tem tanta força e visibilidade quanto a inglesa e isso demorou a acontecer com a forte concorrência da Itália nos anos 90, da Espanha nos anos 2000 e o crescimento espantoso da Bundesliga nos últimos anos.

Sabendo disso e do fato da maioria dos grandes clubes locais terem pouquíssimos atletas ingleses e excesso de estrangeiros, o Newcastle encontrou uma fórmula para tentar prosperar: investir em franceses. Mas ora, como considerar uma campanha horrível e a luta contra o rebaixamento um sucesso? Foram 41 pontos, apenas cinco acima do Wigan, rebaixado com 36.

Toda semana desde o fim da Premier League, o clube de Tyneside é ligado a alguma contratação vinda da França. Não bastasse o exagero em só olhar para esse país, Alan Pardew acredita mesmo que a maioria de seus 11 atletas estará na próxima Copa do Mundo. Respondendo ao interesse de Laurent Blanc, treinador do PSG em Yohan Cabaye, o técnico dos Magpies se irritou com os comentários do francês sobre seu volante. Blanc disse que Cabaye é um jogador bem interessante e que seria bom reforço para o seu meio-campo. “Ele pode pegar o telefone e me fazer uma oferta, mas não precisa agir dessa forma. É desrespeitoso com Yohan, especialmente num ano importante como este”, disparou Pardew.

Na visão de Pardew, Ben Arfa, Moussa Sissoko, Cabaye e Yanga-Mbiwa podem estar na Copa de 2014 e já teve uma conversa com eles sobre cada um dar o seu melhor para não ficar de fora da lista. Além deles, Loic Remy é apontado como possível reforço do Newcastle para esta temporada. Sem muita pompa, o jovem meia Oliver Kemen, ex-Metz, desembarcou em St. James´s Park.

Joey Barton
Barton, que jogou a última temporada pelo Marseille
Péssima visão de mercado

Entendemos, mas será que o professor não tem olhos para outro país que não seja a França? Três a cada cinco especulações dos Magpies envolvem atletas franceses. Os outros dois da conta são desconhecidos ou apostas. Evidente que não há nada de errado em apostar numa possível evolução, mas se olharmos para o Arsenal, que pegou esse costume nos últimos anos com a batuta de Arsène Wenger, veremos que não é bem por aí.

Primeiro partimos do ponto que o próprio futebol francês tem sido fortíssimo ao importar atletas. O advento dos milionários como PSG e Monaco transformou a Ligue 1 em um campeonato bem mais globalizado. Devemos também lembrar dos exemplos recentes de Barton e Beckham, que tomaram os rumos de Marseille e PSG. A insistência de Pardew  poderia se justificar se estivéssemos falando de Espanha ou Alemanha, celeiro de grandes jogadores e que desfrutam de um bom número de jovens.

Não bastasse isso, temos a constante entrada desordenada nos Magpies no mercado. Assim como o Queens Park Rangers, o Newcastle contrata demais e não apresenta consistência no elenco. Mutante e sofrendo para encontrar um padrão de jogo, Pardew pode muito bem trabalhar com o que tem em mãos. O verdadeiro objetivo dele no comando deve ser fazer este time engrenar, não terminar de transformar o St. James´s Park numa filial do Parc des Princes ou do Vèlodrome.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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