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Liverpool x Everton: significado bem maior que a rivalidade

A fase do Dérbi do Merseyside já foi bem mais empolgante. Os confrontos entre Liverpool e Everton acontecem há 118 anos, muitos deles com ao menos um dos rivais brigando por títulos. Nesta temporada, a melancolia se resume a ver quem ficará à frente na Premier League. Um desempenho pobre dentro de campo, ao contrário do exemplo fantástico dado por ambas as torcidas.

Historicamente, os encontros de Toffees e Reds são lembrados como o “Dérbi da Amizade”. Afinal, os dois clubes têm a mesma origem e o Liverpool só surgiu depois de uma cisão de dirigentes do Everton, que se mudaram para Goodison Park e permitiram que uma nova equipe utilizasse Anfield. No passado, torcedores dos dois times costumavam se misturar nas arquibancadas, apesar das divisões políticas que os marcavam.

Não são poucos os exemplos da irmandade entre as torcidas no passado. Na final da Copa da Liga Inglesa de 1984, os dois lados cantaram a favor de Merseyside e contra Manchester em Wembley. No ano seguinte, o desastre de Heysel, na decisão da Copa dos Campeões, colocou os torcedores do Everton contra os hooligans do Liverpool. Porém, a morte dos 96 fãs dos Reds na tragédia de Hillsborough tratou de unir os dois lados, de maneira ainda mais forte.

Várias foram as manifestações de realidades dos Toffees em relação às vítimas. Desde o boicote ao jornal The Sun, que ajudou a difundir a culpa dos torcedores do Liverpool, às diversas homenagens em Goodison Park. Uma das mais marcantes aconteceu em 2012, depois da revisão do Relatório Taylor, que eximiu os Reds das responsabilidades. Duas crianças entraram em campo com as camisas 9 e 6, enquanto as arquibancadas cantavam a música “He ain’t heavy, he’s my brother” – “Ele não é bruto, ele é meu irmão”, em tradução livre.

Neste domingo, veio o agradecimento em Anfield. A torcida do Liverpool formou um belíssimo mosaico nas arquibancadas. Abaixo dos símbolos dos dois clubes, a Chama da Eternidade e a Torre de Príncipe Rupert, a palavra “obrigado”. Melhor maneira possível de retribuir a postura fraternal dos rivais.

Em campo, o clássico terminou com os dois times também igualados e o 0 a 0 prevalecendo no placar. Ao contrário do que o placar sugere, as partida contou com um bom desempenho de ambos os lados e oportunidades de gol. Mais próximo da vitória, o Everton saiu frustrado pelo tento anulado de Sylvain Distin. Um triunfo que poderia confirmar a segunda temporada consecutiva dos Toffees à frente dos Reds, algo que não acontece desde 1937.

Pela história que têm, a sexta colocação na Premier League parece pouco aos times de Merseyside. Ao menos as perspectivas são positivas, com o Liverpool apostando no projeto de Brendan Rodgers e o Everton evoluindo gradativamente nas últimas temporadas. Afinal, celebrar o clima de fraternidade é bom, mas um pouco mais de qualidade em campo serviria para aumentar o brilho nas arquibancadas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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