O por muito pouco não tornou possível um conto de fadas na . O time da quarta divisão era o desafiante do nos 16-avos de final. E o milagre de uma vitória sobre a poderosa equipe de Pep Guardiola, acredite, se esboçou no acanhado estádio de Whaddon Road. Os nanicos seguraram o empate no primeiro tempo graças a um enorme esforço defensivo e abriram o placar na segunda etapa. O sonho durou até os 36 minutos, quando o City reagiu e anotou três tentos em sequência, garantindo a vitória por 3 a 1. Porém, não é a eliminação que diminui o heroísmo dos Robins.

Fundado em 1887, o Cheltenham Town passou grande parte de sua nas divisões regionais do Campeonato Inglês. A ascensão aconteceu no fim dos anos 1990, quando os tricolores venceram o FA Trophy (uma copa para equipes amadoras) e subiram pela primeira vez à Football League, disputando as quatro primeiras divisões da liga. Os Robins passaram pela terceirona e alcançaram as oitavas de final da FA Cup após a virada do século, mas se manteriam quase sempre como um time de quarta divisão. Com esse pano de fundo modesto, ganhou a chance de desafiar o Manchester City.

A campanha do Cheltenham na Copa da Inglaterra não chamava tanta atenção. A única vitória contra um adversário de divisão acima aconteceu contra o Crewe Alexandra, da terceirona. Assim, encarar o Manchester City parecia um teste e tanto aos Robins. Pois o time se saiu muito bem. Guardiola escalou uma equipe repleta de reservas, mas ainda com jogadores importantes. E o mérito do time da casa foi segurar as investidas que se desenrolaram desde os primeiros minutos. O goleiro Joshua Griffiths realizou duas ótimas defesas logo de cara, mas também contou com o auxílio da zaga.

O grande lance da primeira etapa aconteceu aos 12 minutos. Numa sobra de bola, Benjamin Mendy bateu muito forte e o capitão Ben Tozer salvou o lance de maneira espetacular, tirando de cabeça em cima da linha. A pressão se manteve sem tanta organização e o Cheltenham também fez trabalhar o goleiro Zack Steffen, numa tentativa de Alfie May. Apesar da insistência do City, os Robins trancavam bem a sua área e as principais ameaças se restringiam a chutes de fora da área. A pontaria dos celestes não ajudava.

Na volta ao segundo tempo, poderia ter evitado o sofrimento. O atacante recebeu ótimo passe de Phil Foden e saiu de frente para o gol, mas seu chute pegou na trave. E o erro do brasileiro não demoraria a ser punido, com o Cheltenham abrindo o placar aos 15. Os Robins apostavam bastante nos laterais e assim veio o tento. Depois do lançamento longo para a área, a zaga não conseguiu afastar e Alfie May completou na pequena área. Festa dos nanicos, que pareciam prontos a tocar o céu.

O Manchester City tentava reaver o prejuízo, mas seguia complicado superar a entrega do Cheltenham. Quando Riyad Mahrez poderia ter empatado, de frente para a meta, Griffiths pegou com o pé. Guardiola acionou seu banco, mas mexendo do meio para trás, com as entradas de Ilkay Gündogan, Rúben Dias e João Cancelo. O lateral, pelo menos, ajudou na reação. Foi dele o cruzamento para o gol de empate, aos 36, que Foden mandou para as redes. A partir de então, o City pareceu tirar um peso de si e logo virou, três minutos depois. Fernandinho descolou um baita lançamento para Jesus, que desta vez dominou bonito e fuzilou. E sem que o Cheltenham fizesse tanto ao empate, o terceiro tento veio nos acréscimos, numa trama de Gündogan e Cancelo, antes que Ferrán Torres definisse.

O Manchester City conquista a décima vitória seguida, com 17 jogos de invencibilidade. Reforça seu favoritismo na competição, diante de sua franca recuperação nos últimos meses. Nas oitavas de final, pegará o Swansea. Já o Cheltenham voltará à sua realidade modesta, sétimo colocado na League Two. Dá pra sonhar com o acesso à terceira divisão. O jogo na Copa da Inglaterra, mesmo com a eliminação, mostra do que o time é capaz.