Inglaterra

O Charlton está sob nova direção, dando fim a uma relação conturbada de seis longos anos

O Charlton Athletic anunciou oficialmente, nesta quinta-feira (2), a compra do clube pelo consórcio East Street Investments, que inclui o presidente do Abu Dhabi Business Development, braço de negócios privados do xeque Saeed Bin Tahnoon Al Nahyan, príncipe da família real de Abu Dhabi. Embora pouco se saiba sobre os planos futuros dos novos donos, os torcedores respiram aliviados, graças à partida de Roland Duchâtelet, mandatário dos Addicks nos últimos anos.

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A relação entre Duchâtelet e o Charlton começou em janeiro de 2014, quando o empresário belga finalizou a compra do clube inglês. Os atritos entre os torcedores dos Addicks e o proprietário cresceram ao longo do tempo e, já em 2016, estavam em estado de ebulição. Protestos criativos aconteciam no estádio The Valley, com torcedores encenando funerais e atirando porquinhos de plástico no gramado.

Ao longo dos anos, a Coalizão Contra Roland Duchâtelet, grupo criado com a intenção de retirar o mandatário do clube, angariou mais de £ 60 mil em fundos para protestar contra o dirigente. Em novembro de 2019, quando o clube anunciou o princípio de acordo de venda para o East Street Investments, a alegria da torcida foi tanta que o site dos Addicks ficou fora do ar devido ao número de acessos.

As principais reclamações contra Duchâtelet sempre giraram em torno da má administração e da relação distante que o empresário mantinha com o clube. Mais de dois anos depois de comprar o Charlton, o belga havia comparecido a apenas dois jogos da equipe. O dedo de Duchâtelet para designar dirigentes aos cargos também era lá meio errático, com a ex-diretora-executiva Katrien Meire (que ocupou o cargo de janeiro de 2014 até o fim de 2017) chegando a afirmar que as reclamações dos torcedores eram estranhas e que eles agiam com um senso de propriedade sobre o clube, quando eram, na verdade, “consumidores”, nas palavras da ex-CEO.

Decisões técnicas também foram sistematicamente questionadas durante a era Duchâtelet, com os primeiros anos em especial atraindo muitos críticos – entre 2014 e 2016, o ex-presidente demitira quatro treinadores, mantivera um interino ineficaz por mais tempo que deveria, vendeu jogadores importantes sem trazer substitutos adequados, deixando garotos da base na fogueira para buscar resultados.

Houve melhoras em infraestrutura nos últimos seis anos, mas Duchâtelet, que não tem exatamente a fama de administrar muito bem seus negócios no futebol, sendo atualmente dono do Carl Zeiss Jena, na Alemanha, e do Újpest, da Hungria, e tendo vendido nos últimos anos o Sint-Truidense, da Bélgica (2017), e o Alcorcón, da Espanha (2019), nunca trouxe o investimento esperado pelos torcedores – e tampouco soube manejar a relação com eles, com uma nota oficial do clube chegando a dizer que alguns deles queriam que a equipe fracassasse.

Ativamente buscando compradores desde 2017, um ano depois do rebaixamento à League One e do período mais conturbado na relação com os torcedores, Duchâtelet chegou a um acordo com o East Street Investments (ESI) em novembro de 2019, mas faltava a liberação da English Football League para que o negócio andasse. Por fim, a aquisição por parte do consórcio foi anunciada neste começo de 2020.

Três nomes do ESI assumem as principais funções administrativas do Charlton a partir de agora. Tahnoon Nimer e Jonathan Heller, presidente e CEO do Abu Dhabi Business Development, respectivamente, entram como diretores, enquanto Matt Southall é o novo presidente do clube.

Em sua declaração no site oficial, a nova diretoria focou os traumas dos torcedores com o antigo proprietário para oferecer palavras de esperança à torcida – ainda que sem muitos detalhes.

“O mais importante é fortalecer nossos laços tanto com os torcedores quanto com a comunidade de Charlton, para que eles possam entender nossos planos de curto e de longo prazo para o clube e como pretendemos trabalhar a partir do apoio fantástico e da boa vontade que foram mostrados ao ESI.”

A declaração oficial ainda deu a entender que o técnico Lee Bowyer, que levou o clube de volta à Championship no fim da temporada passada, terá aporte financeiro para reforçar a equipe nesta janela de transferências de janeiro. Com os Addicks ocupando atualmente a 19ª colocação e correndo risco de voltar à terceira divisão, o compromisso é muito bem-vindo.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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