O capitão renasceu e pode, sim, levantar a Premier League pela primeira vez
Bola pela direita, Daniel Sturridge lançado nas costas de Nemanja Vidic. A principal jogada do Liverpool no clássico deste domingo contra o Manchester United foi essa. Brendan Rodgers quis aproveitar a velocidade do inglês contra a lentidão do sérvio. Conseguiu pelo menos duas boas chances desse jeito, um pênalti e a expulsão do zagueiro, cujo contrato não será renovado. Vidic, um dia, foi um dos melhores do mundo na sua posição, mas uma séria lesão no joelho em 2011 tirou vários meses da sua carreira e muito da sua confiança.
Aos 32 anos, ele vai buscar novos ares na próxima temporada para tentar recuperar seu futebol. Steven Gerrard não precisou. Mais ou menos na mesma época em que o sérvio rompeu os ligamentos cruzados do joelho, o meia inglês, um ano e cinco meses mais velho, também estava sendo derrotado na batalha contra o tempo. O cérebro transmitiu essa mensagem para o corpo dele em forma de dores na virilha. Jogou pouco em 2011 e, em um Liverpool sem expectativas, o desânimo poderia resultar em uma aposentadoria prematura ou uma transferência para outro clube.
E então, chegou Brendan Rodgers, e Gerrard renasceu. Jogou as 36 primeiras partidas do Campeonato Inglês de 2012/13. Nesta temporada, se fixou em uma nova posição. Protege a defesa e é o porto seguro dos jovens que ficam correndo incessantemente no campo de ataque. Quando a bola volta para o meio-campo, ele está lá, de cabeça erguida, reiniciando as jogadas. Usa os 16 anos de experiência como jogador do Liverpool e a faixa de capitão para aconselhar os meninos. É o ponto de equilíbrio de um time que às vezes ainda peca pela juventude, como nas inúmeras tentativas de simulação de Sturridge, neste domingo, mas que tem a capacidade de vencer o Manchester United, fora de casa, por 3 a 0.
Acredite se quiser, mas Mark Clattenburg marcou três pênaltis contra os anfitriões, em Old Trafford. O primeiro, mão na bola de Rafael, não inspira nenhuma dúvida. A trombada de Phil Jones em Joe Allen é discutível, mas Sturridge claramente cavou o terceiro, que causou a expulsão de Vidic. A responsabilidade de cobrar todos eles caiu nas costas do líder do time, o único com alguns cabelos brancos que denunciam a idade mais avançada.
Gerrard não decepcionou. Cobrou o primeiro na parede da rede direita de De Gea, pelo alto. O segundo foi no mesmo canto, mas rasteiro. No terceiro, o goleiro espanhol caiu para o lado para onde foram as outras duas cobranças, e o camisa 8 tentou surpreender, mas acertou o pé da trave. Sem problemas. Foi o primeiro pênalti que ele perdeu na Premier League na temporada. Fez o seu décimo gol na competição. Também tem nove assistências, na sua melhor temporada individual desde 2008/09, mesmo atuando mais recuado.
Sem Alex Ferguson e Paul Scholes, com Ryan Giggs batendo na casa dos 40 anos, o Manchester United poderia se beneficiar muito de uma referência dessas. Erros de contratação e de escalação à parte, o time de David Moyes parece perdido em campo. No ataque, quando não está jogando a bola em Van Persie, não sabe direito o que vai fazer. Independente da sua opinião a respeito dos pênaltis que Clattenburg marcou, a defesa ficou sujeita a essa situação, sempre estabanada, invariavelmente afobada e cheia de espaços para os rivais aproveitarem.
Era o jogo mais difícil do Liverpool até o fim do Campeonato Inglês. O único grande que ele precisava enfrentar fora de casa. Tottenham e Chelsea vão ter que lidar com a torcida que veste vermelho e promete nunca permitir que o time caminhe sozinho. Mais do que isso, é o melhor time das últimas rodadas, talvez do segundo turno. Está invicto há dez jogos e ganhou os últimos cinco. Ao contrário de Chelsea e Arsenal, pode se concentrar exclusivamente no torneio. Se vencer a partida a menos que possui, fica a um ponto do líder. O primeiro título inglês desde 1990 está ao alcance das mãos, apesar da juventude e dos ainda persistentes problemas defensivos. O Manchester City ainda é favorito, mas o principal sonho de Gerrard, de levantar a taça da Premier League pelo menos uma vez antes de se aposentar, pode ser concretizado, no final das contas.
Formações iniciais
Destaque do jogo
Steven Gerrard teve a frieza de cobrar dois pênaltis muito bem. No terceiro, tentou mudar a tática e acertou a trave. Com a bola rolando, due cinco chutes a gol e acertou 89% dos passes que tentou. Defensivamente, roubou quatro bolas e liderou uma vitória espetacular do Liverpool em Old Trafford.
Momento chave
O Liverpool começava a gostar da partida quando Daniel Sturridge inverteu uma bola longa para Suárez, que dominou e bateu no na mão de Rafael. Pênalti indiscutível que permitiu ao Liverpool abrir o placar e comandar as ações.
Gols
34’/1T – GOL DO LIVERPOOL! Rafael coloca a mão na bola, e Mark Clattenburg marca pênalti. Gerrard cobra com perfeição, alto e no canto direito.
1’/2T – GOL DO LIVERPOOL! Phil Jones tromba com o ombro nas costas de Joe Allen dentro da área. Novo pênalti. Gerrard cobra no mesmo canto, mas rasteiro.
39’/2T – GOL DO LIVERPOOL! Sturridge arriscou de fora da área, mas chutou mal. A bola caiu nos pés de Suárez, que tocou na saída de De Gea com a perna esquerda para fazer 3 a 0.
Curiosidade
Com esses dois gols, Gerrard converteu 26 pênaltis em sua carreira pela Premier League. Na história da competição, está atrás apenas de Frank Lampard (43) e Alan Shearer (56).
Ficha técnica
David de Gea; Rafael, Phil Jones, Nemanja Vidic e Patrice Evra; Marouane Fellaini (Tom Cleverley, 31’/2T), Michael Carrick, Juan Mata (Rio Ferdinand, 42’/2T) e Adnan Januzaj (Danny Welbeck, 31’/2T); Wayne Rooney e Robin van Persie.
Técnico: David Moyes
Liverpool – 3
Simon Mignolet; Glen Johnson, Martin Skrtel, Daniel Agger e Jon Flanagan; Steven Gerrard (Lucas Leiva, 42’/2T), Jordan Henderson, Joe Allen e Raheem Sterling (Philippe Coutinho, 27’/2T); Luis Suárez e Daniel Sturridge (Iago Aspas, 45’/2T).
Técnico: Manuel Pellegrini
Local: Estádio Old Trafford, em Manchester (ING)
Árbitro: Mark Clattenburg (ING)
Gols: Steven Gerrard, aos 34’/1T e ao 1’/2T, Suárez aos 39’/2T
Cartões amarelos: Rafael e Nemanja Vidic (Manchester United); Jon Flanagan, Steven Gerrard e Martin Skrtel (Liverpool)
Cartões vermelhos: Nemanja Vidic (Manchester United)





