Inglaterra

Novo Vardy? Operário vira profissional por meio da academia do atacante do Leicester

Quando os seus 20 anos começaram, Jamie Vardy era operário em uma fábrica, ganhando £ 30 por semana. Passou três temporadas produzindo próteses de fibra de carbono e gols ao mesmo tempo. Peregrinou pelas divisões inferiores e semi-amadoras da Inglaterra até se destacar pelo Fleetwood Town e dar o salto para o Football League – que organiza da segunda à quarta divisão do país -, contratado pelo Leicester, em 2012. O resto é história: ajudou as Raposas a subirem para a Premier League, foi campeão inglês, como um dos melhores jogadores da equipe, e ganhou convocações para a seleção.

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Vardy sabe que deu sorte. Subiu aos patamares mais profissionais e ricos da pirâmide apenas aos 25 anos e explodiu rapidamente. Ele sabe que sua história é uma exceção, por mais que seja a prova viva de que há qualidade no futebol non-league, como os ingleses chamam as disputas da quinta divisão do país para baixo. Para ajudar esses jogadores promissores a traçarem o seu caminho, o atacante do Leicester fundou a academia V9, cujo foco é ajudar atletas amadores a darem o salto para os profissionais.

O primeiro fruto do trabalho de Vardy com o futebol non-league é o atacante Danny Newton, que assinou contrato por uma temporada, com opção de mais uma, com o Stevenage, da quarta divisão, e pode finalmente abandonar o seu emprego em uma fábrica de eixos de caminhão. Apelidado de “A Vespa”, por não dar um minuto de paz aos defensores, Newton marcou 34 gols pelo Tamworth, da National League North, equivalente à sexta divisão, na última temporada. Tem 26 anos, apenas um a mais que Vardy quando este deu o salto para o profissionalismo, e, com um estilo de jogo parecido, as comparações são inevitáveis. “Eu não tenho a velocidade dele”, admitiu Newton ao Leicester Mercury.

A academia de Vardy passou uma semana nas instalações do Manchester City, com outros 41 aspirantes observados por aproximadamente 60 olheiros. Newton foi o único que recebeu proposta oficial, mas outros cinco jogadores foram convidados para participar da pré-temporada de clubes profissionais e podem seguir o mesmo caminho. “Eu tinha 25 anos quando acertei com a academia e, nessa idade, você acha que suas chances acabaram”, disse. “Ele quer que os jogadores sigam os seus passos. Há muitos bons jogadores por aí que não estão sendo vistos”. Newton, que recebeu uma mensagem de Vardy ao assinar o contrato com o Stevenage, ainda tem alguns dias de operário pela frente. “Tenho que trabalhar o meu aviso prévio”, explicou.

Danny Newton ficaria feliz se conseguisse metade da glória de Vardy, “o auge que um jogador non-league pode alcançar”, e deixou o seu mentor muito feliz com a assinatura do primeiro contrato profissional de um fruto da academia V9. “Quando John (Morris, agente de Vardy e co-fundador da academia) me contou que Danny havia recebido uma proposta do Stevenage, minha cabeça ficou zumbindo. Ele foi um dos primeiros jogadores que recrutamos e parece ter uma jornada similar à minha”, afirmou Vardy.

O atacante de 30 anos comprometeu £ 100 mil do próprio dinheiro na tentativa de achar o seu sucessor, alguém com talento suficiente para deixar para trás o difícil universo do futebol semi-amador, no qual muitos se agarram a um fiapo do sonho de se tornar profissionais, mesmo sabendo o quanto é difícil, mesmo tendo que conciliar com outros empregos, apenas por que amam demais o esporte. Danny Newton é a primeira tentativa. E, para melhorar, é filho de Leicester, cidade onde Vardy trocou o anonimato pelo estrelato.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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