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No primeiro título da volta de Mourinho, Chelsea bateu Spurs com o DNA do treinador

José Mourinho é um treinador pragmático. Tem um estilo de jogo um tanto definido, mas sabe adaptar a equipe de acordo com as necessidades de cada partida. Se for preciso abdicar do ataque e se fechar na defesa, ele fará isso, normalmente com sucesso. A decisão de Copa da Liga Inglesa deste domingo, contra o Tottenham, precisava um pouco disso, e o português soube a dosagem exata. Sem apelar para a retranca, conseguiu fechar os caminhos de ataque dos Spurs e tornar cirúrgicas suas próprias ofensivas para garantir o 2 a 0 relativamente tranquilo em Wembley, garantindo seu primeiro título após o retorno a Londres.

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Sem poder contar com Matic, suspenso por lance contra o Burnley pela Premier League, Mourinho escalou o zagueiro Kurt Zouma como cabeça de área, fortalecendo a defesa composta por Cahill e Terry. Abdicou da criatividade de Oscar, com Ramires e Fàbregas um pouco mais à frente de Zouma, mas era só disso que o Chelsea precisava para chegar a seus gols.

Como também tem sido característica do time do português, a bola parada foi importante para o resultado. No fim do primeiro tempo, após cobrança de falta levantada na área, Terry pegou a sobra para mandar para o gol, sem chances de defesa para Hugo Lloris.

Diferentemente do que aconteceu naquele marcante 5 a 3 que abriu o ano na Premier League, o Tottenham não teve espaços para furar o bloqueio dos Blues. Se naquele dia Harry Kane brilhou, desta vez foi a sensação, de apenas 21 anos, foi anulado. Christian Eriksen também teve seu espaço limitado para criar jogadas. Não conseguiu fazer a diferença como em outros jogos na temporada, e seu lance mais perigoso foi uma cobrança de falta, que carimbou o travessão de Cech.

Aos 14 minutos do segundo tempo, em mais um dos cirúrgicos ataques do Chelsea, Fàbregas encontrou Diego Costa, sem ângulo pela esquerda. O brasileiro chutou, contou com desvio na zaga do Tottenham, e fez 2 a 0. Assim como no primeiro gol, Lloris ficou vendido no lance, em que, caso contrário, talvez tivesse parado.

Os Blues fizeram o tempo todo o jogo que queriam. Ter feito o segundo gol tão cedo possibilitou ao time de Mourinho se fechar ainda mais. A posse da bola foi entregue ao Tottenham, que pouco pode fazer diante da marcação fantástica do adversário. A intensidade quando o Chelsea tinha a bola era também muito grande, e o domínio foi basicamente completo.

Tranquilo na liderança da Premier League e vivo na Champions League, o Chelsea mostrou hoje estar pronto para decisões. Os adversários pela frente no torneio europeu ofereceram maior dificuldade que o Tottenham hoje, é claro, mas a frieza dos Blues, a concentração para seguir à risca as instruções táticas e de posição e a velocidade de transição, para transformar uma defesa fechada em uma subida ao ataque fulminante são ferramentas essenciais para jogos desse tipo. São, sobretudo, características normalmente intrínsecas ao trabalho de Mourinho, a grande figura da conquista deste domingo.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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