Inglaterra

Não combina?

Em 2007, pela primeira vez na história, a Premier League passou a contar com brasileiros cotados entre as futuras estrelas do país. Lucas e Anderson chegaram com moral às duas principais equipes do país, e abriram uma nova fase para os brasileiros no país. Desde então, deixou de ser estranho ver jogador brasileiro em time inglês: Geovanni, Elano, Jô, Robinho, Belletti, Mineiro, Alex, Afonso e Gomes se juntaram a Denílson, embora cada um gozasse de status próprio.

Dois anos depois, cada um destes jogadores seguiu uma trajetória, é claro. Geovanni foi um dos destaques da arrancada do Hull City na temporada passada, mas caiu com o time. Alex e Gomes, por outro lado, se afirmaram como titulares, superando a desconfiança inicial. Mineiro virou motivo de piada, enquanto Elano foi tachado de encrenqueiro e mandado para a Turquia.

Todos estes, porém, não tinham pretensão a ser estrelas. Ao contrário da Anderson e de Lucas. E de Robinho. Os dois meio-campistas começaram a temporada sob grande expectativa. Com a saída de Alonso do Liverpool e com Giggs perdendo o fôlego, esperava-se que ambos pudessem “preencher as botas”, como se diz na Inglaterra, dos mais experientes. Não tem sido assim, porém.

A verdade é que as situações de ambos são muito diferentes. Lucas vinha em baixa, a torcda não gosta de seu futebol, e ele nunca jogou muito bem, mesmo. Teve, entretanto, uma pré-temporada muito boa, e foi como que “anunciado” por Rafa Benítez como o substituto de Alonso. A coisa não ia mal até que ele colocasse a bola para dentro de seu próprio gol na derrota diante do Aston Villa – e fosse substituído no intervalo. No último jogo, porém, Lucas foi novamente titular, e tudo indica que Benítez insistirá com o brasileiro.

Ainda assim, ambos são jovens, e ainda têm tudo para se achar no futebol inglês. O que claramente não parece que vá acontecer com Robinho. O recorde de transferências do futebol inglês até não começou mal no Manchester City, mas seu futebol foi sumindo e, na última partida dos Citizens, Robinho foi banco. No momento em que escrevo, acontece o fechamento da janela de transferências na Europa, e o destino do brasileiro só não é mais discutido porque parece evidente que ninguém pagará qualquer dinheiro significativo por ele.

O que nos traz de volta uma velha questão: os brasielros “não combinam” com a Premier League? Bem, Robinho, pelo jeito, não. Denílson, por outro lado, combina, e muito, e tem tudo par ser um dos destaques do Arsenal no ano. E Anderson e Lucas ainda têm um caminho pela frente antes de podermos dizer se deram certo ou não na Premier League. De uma maneira ou de outra, a temporada 2009/10 deve andar um tanto no sentido de responder a esta pergunta com mais segurança.

Breque

Encerrada a quarta rodada da Premier League, os times têm agora uma “intertemporada” de duas semanas por causa das datas Fifa, e ficam sem jogar até o dia 12. Bom para alguns, que têm sujeira para varrer para debaixo do tapete, e não tão bom para outros, que vinham embalados e ficaram sem seus jogadores por duas semanas. Para todos, porém, serão duas semanas para pensar no que aconteceu nestas quatro rodadas, e terminar de planejar o ano.

O que já dá para dizer sobre o começo de temporada é que, do grupo dos quatro favoritos, só o Liverpool decepciona. Os Reds claramente sentiram a falta de Alonso, agravada psicologicamente pela péssima atuação de Lucas contra o Aston Villa, quando o ex-gremista até marcou contra. O brasileiro, entretanto, foi titular novamente contra o Bolton, partida em que o Liverpool ganhou de virada.

Não é que não seja possível uma equipe se recuperar de tropeços tão precoces: o próprio Manchester United começou a temporada passada com dois empates e uma derrota (contra o Liverpool) nos cinco primeiros jogos. A derrota contra o Tottenham em Londres também não é um resultado péssimo, já que todos os concorrentes (menos o Arsenal…) podem perder pontos em White Hart Lane. Mas perder em casa para o Aston Villa e ter dificuldades para superar o Bolton é algo que deve abrir alguns olhos em Anfield. A primeira vítima é a condição de favorito.

Por outro lado, em Stamford Bridge tudo parece funcionar. Embora não tenha enfrentado nenhum candidato ao título, o Chelsea bateu o Sunderland, que deve fazer boa figura nesta temporada, na casa do adversário, assim como fez com o Fulham. O time parece estar mantendo o “tempo” do final da temporada, e confirma as previsões de parte da mídia inglesa que o apontavam como favorito ao título.

O Arsenal também começou bem, e a derrota para o United em Manchester era esperada – como será esperada para todo mundo que jogar por lá. Deixando de lado, as ridículas lamentações de Arsène Wenger, a equipe demonstrou melhor futebol do que o rival mesmo na derrota, e demonstra força para permanecer em cima.

Assim como o vencedor United. Que, entretanto, claramente ainda não sabe direito como vai jogar sem dois de seus mais importantes jogadores. Ainda que em termos de resultados a campanha não seja ruim – apesar da ridícula derrota diante do Burnley –, em cada partida os Red Devils jogaram com uma formação, o que indica que Ferguson ainda não sabe bem o que fazer.

Mais do que os “Top Four”, entretanto, merecem menção duas equipes do “Back Four”, ou seja, dos quatro que se esperava virem atrás dos primeiros: Manchester City e Tottenham, ambos 100%, sendo que os londrinos têm quatro jogos e os mancunianos, três.

É claro que todos esperam mais dos Blues do que dos Spurs. O time gastou pesado, e reforçou bem todos os setores da equipe. Reforços como Tevez e Adebayor foram tirados de concorrentes ao título, e o fato de que este é o segundo ano de trabalho de Mark Hughes conta muito. O time tem se exibido bem, demonstra consistência e segurança. É fato, entretanto, que até aqui a equipe jogou com o mediano Blackburn e com os candidatíssimos a cair Portsmouth e Wolves.

O Tottenham, não. Estreou impondo-se com autoridade diante do Liverpool e, como já se disse na coluna passada, vê alguns de seus talentos promissores finalmente florescerem. Tem mostrado força para superar situações de desvantagem, e vai ganhando confiança. As duas semanas sem jogar, entretanto, podem mexer no balanço do time, que vinha azeitado.

Quatro rodadas. Não dá para com base nelas, alterar ou fortalecer qualquer prognóstico. O que aconteceu até aqui, porém, indica algumas diferenças com relação ás expectativas. Mas não muitas.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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