Na Inglaterra técnico também cai: Sherwood é demitido do lanterna Aston Villa
Quando Tim Sherwood assumiu o Aston Villa, em fevereiro deste ano, a missão era dura: salvar o time do rebaixamento, que parecia encaminhado. O time era 18º colocado, antepenúltimo. Ele conseguiu, com um trabalho que ainda ajudou o time a chegar até a final da Copa da Inglaterra, contra o Arsenal. Acabou derrotado, mas a temporada acabou em alta. Oito meses depois, o técnico foi demitido do Villa. Motivo? A má campanha na Premier League, com uma vitória e oito derrotas em 10 jogos.
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Não houve paciência com o técnico, que teve liberdade para contratar 13 jogadores para o Aston Villa para esta temporada. Também porque o time perdeu dois dos seus principais jogadores: o atacante Christian Benteke, que foi para o Liverpool, e o meia Fabian Delph, contratado pelo Manchester City. O time levou Jordan Ayew e Jordan Amavi, por exemplo, dois jogadores que vieram do futebol francês. Ainda não funcionou.
Reclamamos muito que há uma cultura no Brasil de troca de técnicos com uma frequência absurda. Aqui no Brasileirão, são 33 mudanças de técnico em 31 rodadas. Na Inglaterra, historicamente, há mais tempo para o técnico trabalhar, mas já foram três mudanças em 10 rodadas. Antes de Sherwood, Dick Advocaat deixou o Sunderland quando pediu demissão e Brendan Rodgers foi dispensado pelo Liverpool. Mas a cultura globalizada – e os donos estrangeiros dos times também – têm feito com que a paciência com os treinadores tenha diminuído.
Em meados de outubro, quando a campanha do Aston Villa já estava ruim e as especulações sobre uma possível demissão já circulavam (sim, lá, como cá, a imprensa contribui com esse clima de instabilidade falando sobre demissão quando o time entra em má fase), o diretor Charles Krulak garantiu que Sherwood não corria risco de ser despedido. O que se dizia, na época, é que derrotas para Chelsea e Swansea levariam o técnico a ser dispensado.
“A diretoria monitorou o desempenho de forma próxima toda a temporada e acredita que os resultados em campo simplesmente não foram bons o suficiente e que uma mudança é imperativa”, diz o comunicado que informa a saída do técnico. “Contudo, o clube gostaria de deixar registrado os sinceros agradecimentos a Tim por todos os seus esforços durante o período difícil na última temporada e por muitas contribuições positivas que ele fez para toda a configuração do futebol durante o seu tempo no clube. Nós desejamos bem a ele no futuro”, informa ainda o texto. Quem assume o time, interinamente, é Kevin MacDonald. O clube informou que a busca por um novo treinador começou.
Curiosamente, no sábado Sherwood ainda brincou com a possibilidade de perder o emprego, depois de mais uma derrota, contra o Swansea. Perguntado se ele temia ser demito, o treinador disse que não e que se a diretoria quisesse demiti-lo, ele “simplesmente desligaria o telefone”. Parece que não adiantou.
Com o Aston Villa em último lugar na Premier League com quatro pontos em 10 jogos, a situação é desesperadora. Só o Sunderland vive algo parecido, com três pontos em nove jogos antes da rodada deste domingo. O Villa, que já foi campeão da Champions League em 1982, briga contra o rebaixamento mais uma vez. Dois dos times que estão na zona do rebaixamento já trocaram de técnico. O Newcastle, terceiro time desta lista, tem um técnico novo nesta temporada, o conhecido Steve McClaren. Resta saber se os times em má fase, como o Newcastle, resistirão à tentação da troca de treinador.



