Muito engraçado

Talvez no início da temporada alguém pudesse imaginar que o Manchester City turbinado pelos árabes pudesse bater o Chelsea em Stamford Bridge ainda neste ano. No preâmbulo da partida do último final de semana, entretanto, quem apostou que o time de Carlitos Tevez – e aí, Mancini, algo a declarar agora? – pudesse não só vencer comoo ainda fazer 4 a 2 nos Blues, ganhou um bom dinheiro.
A partida em que John Terry reencontrou Wayne Bridge, e ficou com a mão estendida enquanto o ex-companheiro de time e seleção passava reto, começou como todos esperavam, com um gol de FrankLampard. Três minutos depois, porém, Tevez, de volta de uma “folga” de duas semanas por causa de problemas no nascimento de sua segunda filha, empatou.
Dá para discutir de Hilário falhou no primeiro gol, mas não no segundo. Com menos de dez minutos de segundo tempo, Craig Bellamy virou para os azuis de Manchester, que ampliaram, com Tevez, 25 minutos depois, e, com mais dez minutos, fecharam sua cota com o segundo de Bellamy – Lampard diminuiu de pênalti nos descontos.
Um jogo é apenas um jogo, e é bom lembrar que o Chelsea acabou a partida com dois a menos depois das expulsões de Belletti, no pênalti que gerou o 3 a 1, e de Ballack, cinco minutos depois. Apesar disso, Carlo Ancelotti tem agora duas preocupações que não precisaria ter.
A primeira está no gol. Hilário, até agora, quando jogara não comprometera, a ponto de um artigo no Guardian há alguns dias ter defendido a tese de que o goleiro sofria preconceito por causa de seu nome. O português tem 34 anos, e, antes de chegar a Londres, não havia se destacado no futebol de seu país. Com a lesão de Cech, que deve parar por um mês, terá que segurar a onda em um nível acima do que exibiu diante do City.
O outro problema de Ancelotti é o calendário. Nas dez partidas que ainda têm pela frente, os Blues jogam ainda em Old Trafford e Anfield, e ainda pegam o Tottenham em White Hart Lane. Jogam ainda contra o Aston Villa em casa, e vão a Blackburn enfrentar o desesperado time da casa. Isso para não falar de Champions League!
Se as três partidas mais difíceis dos Blues pelo menos são quando Cech já deve estar de volta, uma comparação com o calendário dos rivais mostra que a vida não vai ser fácil para o Chelsea. O Arsenal, por exemplo, em dez jogos, terá como maior desafio o Manchester City em casa, além do Tottenham fora – jogo, porém, que, para o Arsenal, tem sido garantia de três pontos. Além disso, Wolves, West Ham, Birmingham, Hull…
O United, por sua vez, pega, além do Chelsea, o Liverpool, mas ambos os jogos são em casa, e a quatro rodadas do final, joga com o City na casa do rival.
Uma coisa, é verdade, é analisar o calendário, e outra é o que vai acontecer dentro de campo. Por mais que sua agenda esteja mais complicada, o Chelsea tem sido mais regular que os rivais. A vantagem na liderança, entretanto, neste momento é de apenas um ponto para o United, e três para o Arsenal.
Com dez rodadas faltando, o título fazia tempo não estava tão indefinido. E o Arsenal, em quem todos hesitam em apostar, não chegava tão perto do título desde que o conquistou pela última vez, em 2004. Parece que, nesta temporada, a Premier League vai ter emoção em todas as disputas, como há muito não se via.



