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Mourinho minimizou, mas o mal-estar ficou claro após a pirraça de Diego Costa no banco

Mais do que a frustração do empate sem gols com o Tottenham, José Mourinho tem um problema de vestiário com o qual lidar após a visita ao White Hart Lane. No fim do duelo com os Spurs, após mandar Diego Costa se aquecer para possivelmente entrar nos minutos finais do clássico londrino, o português decidiu não colocar o brasileiro em campo, e o atacante não fez esforço algum para disfarçar seu descontentamento: atirou o colete que vestia no treinador e deixou claro o mal-estar entre ele e o comandante.

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Após o jogo, Mourinho minimizou o incidente com o atacante: “Para mim, seu comportamento é normal. Um jogador de alto nível no banco não fica feliz. Se ele quisesse me machucar, não seria com um colete. Tenho um bom relacionamento com ele”. Apesar disso, o cutucão em seu comandado pôde ser sentido nas entrelinhas de sua declaração. “Acho que o Diego é privilegiado. Ele é o último jogador a ir para o banco. Todos já estiveram no banco, o capitão Terry, Ivanovic, Cahill Fàbregas, Pedro e o jogador da temporada (passada) Hazard. O Diego é privilegiado por ter sido mantido no time em todas essas partidas, e hoje pensamos que nossa melhor estratégia era jogar assim (sem ele). Estou feliz com minha decisão e com os jogadores”, afirmou o português.

Diego Costa vinha sendo titular dos Blues e, nas últimas oito partidas, marcou apenas um gol. Mesmo no confronto relativamente simples contra o Maccabi Tel-Aviv, no meio da semana, pela Champions League, quando a equipe goleou os israelenses por 4 a 0, o brasileiro não conseguiu balançar as redes. Seu desempenho recente certamente pesou na decisão de Mourinho de deixá-lo no banco, escalando em seu lugar um improvisado (e em má fase) Eden Hazard.

“O Diego está fisicamente bem, sem problemas. Ele trabalha bem, seu humor todo dia é positivo, ele é o cara positivo no time. Não espero ter um jogador no banco pulando e cantando por não estar jogando”, completou Mourinho, que tenta com esse discurso compreensivo passar publicamente a imagem de que tudo está bem.

É de se imaginar, no entanto, que o episódio tenha repercussões, ainda que internas. Mourinho e Diego Costa são duas figuras de bastante personalidade. Da mesma maneira como o atacante não teve hesitação em tentar acertar seu treinador com o colete em forma de protesto, podemos imaginar que o português, que tanto preza pelo controle do vestiário, tomará alguma atitude no vestiário da equipe.

Tanto Mourinho quanto Diego Costa, no entanto, precisam dar a resposta em campo. Coletivamente, o Chelsea não lembra nem um pouco a equipe campeã da temporada passada, e parte disso se explica pelo desempenho muito abaixo do esperado de peças individuais como o brasileiro. Para um elenco da qualidade do que o português tem em mãos, a 14ª colocação, a cinco pontos da zona de rebaixamento, é muito pouco após 14 rodadas.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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