Mourinho foi brilhante na ironia para rebater críticas de que seu time é chato

O duelo com o Arsenal no domingo era o último grande teste para o Chelsea na reta final da Premier League desta temporada. Os Gunners iniciaram uma ótima reação nos últimos meses e pareciam os únicos capazes de desafiar os Blues na briga pelo título, embora a distância fosse grande antes do confronto. A maneira como José Mourinho segurou a busca do time de Arsène Wenger pela vitória provou como o Chelsea estava realmente pronto para se sagrar campeão, e agora é apenas questão de tempo para que a conquista seja confirmada. Ainda assim, o treinador teve de ouvir provocações sobre o estilo de jogo de sua equipe. Nesta segunda-feira, no entanto, deu o troco – mostrando o quão afiado está seu lado irônico.
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Com a tranquilidade que lhe é usual em entrevistas coletivas, começou rebater as críticas a seu futebol “chato”. Descreveu um futuro distópico em que os gols já não importam mais. Um período que seria consequência da maneira como as pessoas estariam analisando o esporte atualmente. “Eu me pergunto sobre o futuro, e talvez o futuro do futebol seja um belo carpete de grama verde, sem gols, e nesse belo gramado o time com mais posse de bola vence o jogo”, comentou o português.
“Todo mundo diz: ‘Meu time jogou muito bem, tivemos uma ótima posse de bola’. Bom. ‘Criamos muito bem’, bom. Parece que os gols não estão lá, e isso é uma grande contradição, porque às vezes vocês falam em ‘chato’ e consideram chato um time que marca tantos gols como nós marcamos, mas não consideram chato um time que tem 70% de posse de bola e não consegue vencer”, rebateu.
Mourinho reforçou a ironia, aproveitando para lembrar o grande objetivo do futebol, que, realmente, parece ser frequentemente esquecido nas análises. “Eu me pergunto se no futuro, quando eu for avô e estiver em casa com meus netos, talvez o futebol seja jogado sem gols, e a gente só aprecie os jogadores trocando passes. Talvez colocar a bola na rede não seja um objetivo, e talvez impedir a bola de entrar no seu gol também não importe. O futebol começou há alguns séculos e o objetivo era um, mas agora parece que é outro. Para mim, sou muito simples na análise: futebol é sobre colocar a bola na rede do adversário e evitar que ele coloque no seu gol”, encerrou.
Mourinho ainda havia rebatido no domingo mesmo a provocação, fazendo referência à seca de títulos do Arsenal na Premier League, que dura desde os Invincibles, de 2003/04. “Este time chato tem o segundo maior número de gols, tem o melhor saldo. Apenas o Manchester City marcou mais gols que a gente. Eu acho que chato é ficar dez anos sem um título, isso, sim, é chato. Se você torce por um clube e espera, espera e espera por tantos anos, sem a Premier League, isso é chato”, disse após o empate em 0 a 0. Realmente, ninguém cutuca o português e passe imune das consequências.



