EuropaInglaterra

Mourinho é um orador genial, mas se excede no choro

O barril de pólvora era evidente. A Supercopa Europeia pode não valer muita coisa, mas já serviu para colocar José Mourinho e Pep Guardiola frente a frente. E por mais que as ressalvas fossem muitas, o português encontrou motivos para trocar farpas. Não apenas contra o espanhol, mas também contra a Uefa, já que teve um jogador expulso mais uma vez em uma partida continental decisiva.

“Eles ficaram com a taça, mas o melhor time perdeu. Para mim, nós fomos de longe o melhor time. Eles tiveram 15 minutos de domínio no segundo tempo e o restante esteve sob nosso controle. Mesmo com 10 jogadores, a equipe teve uma atuação fantástica”, afirmou Mourinho, após a partida.

O português, de certa forma, diz isso para inflar seu orgulho. O Chelsea teve mesmo uma excelente atuação defensiva, em especial Petr Cech, responsável por inúmeros milagres. Mas não dá para dizer que os Blues estiveram no domínio, por mais que tenham ficado à frente no placar durante a maior parte do tempo. Para aumentar o tom de suas reclamações, Mourinho ainda avaliou como injusto o segundo cartão amarelo recebido por Ramires.

“Não acho que merecia a expulsão. Uma regra muito importante é ter paixão pelo jogo e o árbitro também precisa disso. O jogo de 11 contra 11 pode ser muito melhor. Não acho que o Ramires machucou o adversário, não era um contra-ataque perigoso, não era uma ocasião para cartão. Essa é minha história com a Uefa há um longo, longo tempo. Eu prefiro não comentar. Eu mantenho a clara ideia que o melhor time perdeu, isso é suficiente”, disse.

Guardiola foi confrontado com as declarações de Mourinho e, obviamente, retrucou: “É a opinião dele. É normal, ele pode dizer que o time dele mereceu mais do que aconteceu. Eu tenho minha opinião também e ela é que nos jogamos e tivemos um comportamento excelente, com e sem a bola. Jogamos um futebol inacreditavelmente bom. O melhor time ganhou. Nós tivemos muitas oportunidades para marcar. Sobre a expulsão, é uma questão para o árbitro, não para mim. Eu nunca falo sobre arbitragem”.

As qualidades de Mourinho como técnico são inquestionáveis. Sua volta ao comando do Chelsea já começa a fazer diferença, com um time muito bem armado e perigosíssimo nos ataques em velocidade. E, por mais que o português seja exímio no trato com a imprensa, não se sai tão bem nesse excesso de reclamações. A bronca com a arbitragem é natural, mas até parece que ele tenta ofuscar o espetáculo que Chelsea e Bayern fizeram em Praga – e no qual ele tem muitos méritos.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo