Guia do Manchester United: Da crise à Champions, Carrick terá primeiro desafio de uma temporada inteira
Após reação na reta final de 2025/26, treinador ganha reforços e tempo para imprimir sua identidade no clube
O Manchester United chega à temporada 2026/27 em uma situação bem diferente daquela vivida há poucos meses. O que parecia ser mais um ano de crise em Old Trafford terminou com uma reação capaz de recolocar o clube na Champions League.
A saída de Ruben Amorim, em janeiro, abriu espaço para Michael Carrick, inicialmente escolhido como solução provisória. O que veio depois mudou completamente o cenário: 11 vitórias em 16 partidas, salto para a terceira colocação da Premier League e uma vaga de volta à principal competição europeia.
Agora, porém, o contexto é outro. Carrick não terá mais apenas alguns meses para reorganizar uma equipe em crise. Pela primeira vez em sua carreira no United, começará uma temporada desde o início, com tempo para definir ideias, participar da montagem do elenco e estabelecer uma rotina de trabalho.
A diretoria também se mexeu no mercado, concentrando os principais investimentos justamente no meio-campo e dando ao treinador peças que podem mudar a estrutura da equipe.
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A movimentação mais significativa está no meio-campo. Andrey Santos chega por 56 milhões de euros e assina contrato até 2031, com opção de renovação por mais uma temporada. Aos 22 anos, o brasileiro deixa o Chelsea depois de uma temporada em que ganhou espaço em Londres e chega ao United justamente para ocupar o espaço deixado por Casemiro.
Tielemans, por sua vez, representa uma contratação de outro perfil. Aos 29 anos, o belga chega com experiência consolidada na Premier League, capacidade para organizar a saída de bola e qualidade no passe. O United pagou 41 milhões de euros para tirá-lo do Aston Villa e entregou a Carrick um meio-campista que pode exercer diferentes funções, especialmente em uma equipe que pretende ter mais controle sobre as partidas.
United reforça o meio-campo: reconstrução ou mais um remendo?
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A pergunta que acompanha o Manchester United para 2026/27 é simples, mas difícil de responder: o clube está finalmente montando uma equipe capaz de competir no topo ou apenas tentando corrigir os problemas mais urgentes? O mercado deste verão oferece argumentos para as duas leituras.
Por um lado, existe uma lógica clara nas principais contratações. A prioridade foi um setor que precisava de renovação. Casemiro deixou o clube ao fim do contrato, e a chegada de Andrey Santos não representa somente a reposição numérica do brasileiro. O novo reforço tem características para participar mais da construção e oferecer intensidade ao meio-campo, além de chegar em uma idade que permite pensar nele como uma peça para os próximos anos.
A contratação de Tielemans complementa essa escolha. O belga pode jogar mais recuado ou avançar para participar da criação, além de ter repertório suficiente para acelerar ou controlar o ritmo. A combinação com Andrey Santos oferece a Carrick possibilidades que o elenco anterior não apresentava com a mesma clareza. Não por acaso, os dois foram escolhidos para remodelar um setor considerado prioritário pelo clube. O investimento conjunto se aproxima dos 100 milhões de euros.
| Jogador | País | Origem | Valor (€) |
|---|---|---|---|
Andrey Santos Volante | Chelsea Premier League | €56,3 mi | |
Youri Tielemans Meia | Aston Villa Premier League | €41 mi | |
Karl Darlow Goleiro | Leeds Premier League | Livre | |
Rasmus Højlund Centroavante | Napoli Serie A | Fim emp. | |
Marcus Rashford Ponta-esquerda | Barcelona La Liga | Fim emp. | |
Jadon Sancho Ponta-esquerda | Aston Villa Premier League | Fim emp. | |
Harry Amass Lateral-esquerdo | Norwich Championship | Fim emp. | |
Radek Vítek Goleiro | Bristol City Championship | Fim emp. | |
Toby Collyer Volante | Hull City Championship | Fim emp. |
| Jogador | País | Destino | Valor (€) |
|---|---|---|---|
Rasmus Højlund Centroavante | Napoli Serie A | €44 mi | |
Radek Vítek Goleiro | Middlesbrough Championship | €8,15 mi | |
Casemiro Volante | Miami MLS | Livre | |
Tyler Fredricson Zagueiro | Lausanne-Sport Super League | N/D | |
Altay Bayindir Goleiro | Celta de Vigo La Liga | Emp. | |
Jadon Sancho Ponta-esquerda | Sem clube — | Livre | |
Tyrell Malacia Lateral-esquerdo | Sem clube — | Livre |
Não satisfeitos, os Red Devils tentam viabilizar outro nome para a faixa central de campo. Trata-se do talentoso Carlos Baleba, do Brighton. O volante camaronês, que deve ser comprado por cifras superiores a 70 milhões de euros, combina resistência à pressão adversária com boa capacidade de condução de bola em velocidade e alta eficácia física e atlética nos duelos e desarmes no meio.
Há uma diferença importante na situação do ataque. Hojlund deixou definitivamente Old Trafford e assinou com o Napoli por 44 milhões de euros depois de uma boa temporada de empréstimo na Itália. A saída encerra um ciclo que não correspondeu às expectativas criadas pela contratação do dinamarquês em 2023.
Isso aumenta a responsabilidade sobre quem permanecer no setor ofensivo e sobre a capacidade de Carrick encontrar uma distribuição de gols mais equilibrada. O United terminou a temporada anterior em terceiro lugar, mas a classificação para a Champions não apaga os problemas que apareceram durante a campanha. A equipe precisará sustentar o nível apresentado na arrancada final em um calendário muito mais pesado.
E esse é justamente o ponto que impede uma avaliação definitiva da janela. O United corrigiu uma deficiência evidente no meio-campo, mas uma temporada de Champions League exige profundidade em praticamente todas as posições. O time que conseguiu reagir sob Carrick no segundo semestre agora precisará provar que aquela evolução não foi apenas consequência de uma mudança de ambiente após a saída de Amorim.
A campanha de 2025/26, aliás, serve como lembrete de que o potencial existe. Carrick assumiu um time que havia perdido o rumo e conseguiu vencer adversários de peso logo nos primeiros jogos, incluindo Manchester City e Arsenal. No fim, foram 11 vitórias em 16 partidas e uma subida da sétima para a terceira colocação.
O desafio agora é transformar reação em projeto. Para isso, os novos reforços terão papel importante, mas o principal trabalho será fazer o United apresentar o mesmo nível de organização durante uma temporada inteira.
Carrick terá de provar que é mais do que uma boa solução de emergência
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A escolha de Carrick para comandar o United em definitivo carrega uma dose evidente de identificação. Ex-jogador do clube, ele passou 12 temporadas em Old Trafford, disputou mais de 400 partidas e conquistou cinco títulos da Premier League, além de Champions League, Liga Europa, Copa da Inglaterra, Copas da Liga e Mundial de Clubes. Depois da aposentadoria, permaneceu no clube como integrante da comissão técnica.
Sua primeira experiência como treinador do United aconteceu em circunstâncias igualmente emergenciais. Em 2021, após a saída de Ole Gunnar Solskjaer, Carrick assumiu interinamente e ficou três partidas no cargo, sem perder nenhuma delas. Deixou o clube quando Ralf Rangnick foi contratado para a função provisória. Mais tarde, teve sua primeira experiência permanente no Middlesbrough, onde conseguiu levar a equipe da zona inferior da Championship até a quarta colocação.
Cinco anos depois, o cenário é muito maior. Carrick não será mais o treinador chamado para apagar um incêndio. Ele será o responsável por construir o ambiente em que o United tentará competir simultaneamente na Premier League, na Champions League, e nas Copas domésticas.
A primeira passagem interina ensinou pouco sobre sua capacidade de conduzir uma temporada inteira. A segunda, porém, trouxe uma amostra muito mais interessante. Ao assumir após a demissão de Amorim, encontrou um elenco abalado, eliminado precocemente das copas nacionais e distante das primeiras colocações na Premier League.
Em poucos meses, recuperou resultados, confiança e, sobretudo, a vaga na Champions. O clube acabou confirmando sua permanência até 2028.
Agora vem o teste realmente importante.
Carrick terá de mostrar que consegue antecipar problemas, administrar um grupo durante uma temporada inteira e reagir às oscilações inevitáveis de uma equipe que disputará quatro competições. Também terá de lidar com lesões, queda de rendimento e pressão por resultados, algo muito diferente de assumir um time no meio da temporada com a obrigação imediata de estabilizá-lo.
A contratação de Andrey Santos e Tielemans também aumenta a responsabilidade do treinador. Ainda que as negociações sejam conduzidas pela estrutura de futebol do clube, os reforços precisam fazer sentido dentro da ideia de jogo de Carrick.
O United, portanto, entra na temporada com uma vantagem que não tinha quando Carrick chegou: tempo. Ele conhece o clube, conhece o vestiário e já sabe como é trabalhar sob pressão em Old Trafford. Agora terá de provar que consegue fazer algo mais difícil do que reagir a uma crise: construir uma equipe capaz de evitá-la.
As credenciais existem. A identificação com o clube também. A boa sequência de 2025/26 mostrou que o jovem técnico pode extrair mais desse grupo. Mas a temporada 2026/27 exigirá um passo que ainda não foi dado por ele como treinador: sustentar alto nível durante uma campanha inteira, com Champions no calendário e cobrança por títulos.