Inglaterra

‘Não ajudou em nada’: Após deixar o United, meia critica fala polêmica de Amorim

Dinamarquês avalia passagem pelo Manchester United, critica exposição pública do elenco e define o técnico português como “muito honesto”

Christian Eriksen saiu do Manchester United na última janela de transferências sem grandes mágoas públicas, mas com memórias que ainda incomodam. Reserva frequente sob o comando de Rúben Amorim, o meia dinamarquês afirma que algumas escolhas — especialmente no discurso — tiveram efeito contrário ao desejado em um elenco já fragilizado.

A crítica é direcionada a uma declaração dada por Amorim em janeiro, quando o treinador classificou aquele United como “provavelmente o pior da história do clube”. A frase ganhou repercussão imediata, mas, internamente, segundo Eriksen, não teve impacto positivo.

A crítica de Eriksen a Amorim

“Isso não ajudou em nada”, disse o ex-jogador dos Red Devils ao jornal inglês “The Times”. Atualmente no Wolfsburg, Eriksen não aprovou o fato das críticas serem públicas.

— Algumas coisas podem ser ditas internamente, mas não acho inteligente torná-las públicas. Só adiciona pressão a jogadores que já estavam dando o máximo.

Eriksen pelo Manchester United
Eriksen pelo Manchester United (Foto: Imago)

Para o veterano, o efeito foi quase automático dentro do vestiário, mas não necessariamente positivo — mais pelo incômodo com mais uma polêmica.

“Foi mais ou menos como: ‘lá vamos nós de novo, mais uma manchete’. Se ele estava certo ou errado, isso é secundário. A questão é o impacto”, disse.

Como é a vida de um Manchester United em crise

A temporada passada terminou com o Manchester United em 15º lugar na Premier League — a pior colocação do clube na história da competição — e com o vice-campeonato da Europa League, após derrota para o Tottenham, clube onde Eriksen viveu o auge da carreira. Na decisão continental, o dinamarquês sequer saiu do banco.

Mesmo com as críticas, o meia evita reduzir Amorim a um episódio. Pelo contrário, faz questão de separar o discurso público do trabalho diário.

“Ele chegou com ideias muito claras. Tentou mudar as coisas, implementar o estilo dele. Certos jogadores, em certas posições, para um certo sistema. É assim que ele enxerga o sucesso.”

Segundo Eriksen, o problema esteve no choque entre proposta e contexto. “Os jogadores não estavam acostumados com esse sistema, e o United, historicamente, sempre funcionou de outra maneira. Isso exige tempo.”

Ainda assim, o meia destaca uma característica que marcou sua relação com o treinado: “Ele sempre foi muito honesto comigo. Muito, muito honesto desde o início.”

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A vida de Eriksen após o Manchester United

Hoje no Wolfsburg, Eriksen vive uma fase mais estável dentro e fora de campo. Aos 33 anos, segue atuando regularmente e continua sendo convocado pela seleção dinamarquesa — algo impensável quatro anos atrás, quando sofreu uma parada cardíaca durante a Euro 2020.

Estive morto por cinco minutos”, relembra, de forma direta. Desde então, joga com um desfibrilador implantado (CDI), que monitora e corrige eventuais alterações no ritmo cardíaco.

“Tenho que trocar a bateria a cada 15 anos. Eles acompanham tudo no hospital, veem quanto tempo resta. Eu preciso ter isso e quero ter.”

O mais impressionante é a naturalidade com que Eriksen descreve a convivência com o dispositivo. “Sinceramente, não penso nisso. No treino ou no jogo, simplesmente não penso. Não há nada de negativo. É parte de mim.”

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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