Manchester United aproveitou os vacilos do Everton para expulsar fantasma no Goodison Park
Há basicamente quatro anos o Manchester United não sabia o que era vencer o Everton no Goodison Park. O confronto de 29 de outubro de 2011 era também o último em que os Red Devils haviam balançado a rede dos Toffees em Liverpool. O palco tornara-se, nos últimos anos, sinônimo de dor de cabeça para a equipe de Manchester. Voltar a vencer na casa do adversário não seria fácil, e qualquer deslize precisava ser aproveitado. E se teve uma coisa que os comandados de Van Gaal souberam fazer neste sábado, no triunfo por 3 a 0 sobre o Everton, foi capitalizar em cima dos erros dos anfitriões.
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Aos 22 minutos de jogo, o Manchester United já vencia o Everton por 2 a 0, mas não por causa de uma superioridade notável em campo ou por causa de uma proposta de jogo muito ofensiva. Os Red Devils apenas aproveitaram duas bobeadas dos Toffees para praticamente selar a vitória ainda na primeira metade da etapa inicial. Aos 18 minutos do primeiro tempo, Mata levantou a bola na área, a zaga do time de Liverpool falhou em afastá-la definitivamente, e Schneiderlin, livre, bateu cruzado, de dentro da área, para fazer 1 a 0.
Depois, o deslize do Everton foi ainda maior. Primeiro ao deixar Rojo subir sozinho pela esquerda. O argentino teve liberdade para pegar na bola como quis e acertar um cruzamento preciso para Ander Herrera. O espanhol, apesar de não ser alto, cabeceou com facilidade para fazer 2 a 0 aos 22 minutos. Apareceu entre dois marcadores do Everton, completamente sem marcação, e tirou a bola do alcance de Howard.
Antes dos gols, o Manchester United era tímido. Schweisteiger e Schneiderlin, centralizados, pouco subiam ao ataque, e Martial estava isolado pela esquerda, sem receber a bola. A situação favorável no placar deu mais confiança aos Red Devils, que passaram a atuar mais avançados, mais próximos da área adversária, mas sem conseguir matar o duelo ainda no primeiro tempo, em parte graças a mais uma partida tecnicamente aquém de Rooney, que era o mais avançado do time de Van Gaal.
Jogando em casa, o Everton precisava mudar sua postura, e os primeiros minutos da etapa complementar mostraram que a conversa de intervalo havia sido eficaz. O time foi mais ofensivo nos 15 minutos iniciais do segundo tempo do que em grande parte da etapa inicial. A equipe aproveitava principalmente a dificuldade de marcação de Rojo no lado esquerdo da defesa do United para ameaçar o adversário e buscar o primeiro gol, que o recolocaria no jogo. Ficou bastante próximo disso, mas parou em De Gea.
O gol do time da casa parecia questão de tempo, quando a última bobeada, a que encerraria o duelo, chegou. Com o time todo bastante avançado, Jagielka foi sair jogando com um passe rasteiro e entregou de graça a bola para Schneiderlin no meio do campo. O francês foi rápido, lançou Herrera em profundidade, e o espanhol serviu Rooney, que bateu na saída de Howard para fazer 3 a 0 aos 17 minutos do segundo tempo.
O gol foi importante para o capitão do United, que vivia um jejum em sua antiga casa. A última vez que Rooney havia balançado a rede do Goodison Park contra o seu clube formador havia sido em 2007. Além disso, o tento deste sábado encerrou uma sequência de 330 dias do inglês sem fazer gols em partidas fora de casa na Premier League. Foram 17 jogos e mais de 1500 minutos acumulados, segundo dados do Squawka.
O Everton não esboçou uma reação, e o United conduziu o restante do jogo com tranquilidade para manter a perseguição ao líder Manchester City, que retomou a ponta na rodada passada, após os Red Devils levarem um passeio por 3 a 0 do Arsenal, e mantiveram neste sábado os dois pontos de distância.
Além dos gols construídos em cima de falhas do Everton, as boas notícias para o United no jogo foram Herrera, que aproveitou bem a chance no time titular, aparecendo bem no ataque com gol e assistência, Schneiderlin e Schweinsteiger se entendendo muito bem no meio de campo e, mais uma vez, a atuação solta, confiante e incisiva de Martial. O adversário pode não ter oferecido muita resistência, mas não dá para ignorar o mérito do United em voltar a vencer no Goodison Park após quatro anos.



