Manchester Premier League

Entre 1982 e 1988, o futebol inglês foi dominado pela cidade de Liverpool. Os Reds ganharam nada menos que cinco títulos no período –época na qual, aliás, ganharam 10 em 15 campeonatos – e os outros dois ficaram com o rival. Em três desses anos, além disso, o vice acabou sendo o rival. Depois disso cresceram outras boas rivalidades, mas elas não vinham sendo dentro da mesma cidade – ainda que Arsenal e Chelsea tenham disputado posições, não disputaram títulos.
Nesta temporada, entretanto, tudo se encaminha para uma rivalidade mancuniana. Basta olhar para a tabela do ano passado e para o movimento dos times no mercado para ver que Arsenal e Chelsea estão muito distantes de United e City – pelo menos no papel. E os dois Manchesters se mexeram não só com abundância de dinheiro como também com inteligência para se reforçar onde precisavam.
Começando pelo campeão United, é bem verdade que David de Gea assustou a torcida em sua estréia, como também é verdade que Rio Ferdinand deve continuar seu declínio. Por outro lado, os Red Devils esperam que Chris Smalling, em seu segundo ano no time, possa preencher as chuteiras do atual capitão, e se a Supercopa da Inglaterra for algum sinal, Smalling o fará. Se a partida de domingo for sinal de algo, aliás, não só Smalling como Phil Jones podem dar ao United a tranquilidade que a equipe não teve na zaga na última temporada.
E é claro que o jogo de domingo significa alguma coisa, afinal era um jogo oficial, valendo um título de pré-temporada, e envolvendo uma rivalidade ferrenha. Ou seja, não se pode dizer que havia um lado (ou os dois) desinteressado no confronto. Por outro lado, sempre é bom lembrar que um jogo é sempre só isso, um, e apenas um jogo. O que permite julgar com alguma isenção a exibição de gala de Nani, que no ano passado teve algumas delas antes de sumir no final da temporada.
Do lado azul, por outro lado, o que este um jogo mostra é um padrão: o City ainda não é um time consistente. Sua defesa é pouco vazada muito mais porque seu técnico a protege até não poder mais. O que sai um pouco do padrão exibido no ano passado, entretanto, pelo menos do padrão do início da temporada passada, é o ataque: sem Tevez e sem o novato Aguero, coube a Dzeko decidir, e ele esteve perto de fazê-lo.
O que também dá para dizer deste um jogo é que David Silva é bom, é até muito bom, mas provavelmente não será o craque a mexer os barbantes no meio-campo azul. Da mesma maneira, Lescott, Kompany e os outros 415 zagueiros do elenco do City, são todos bons, podem ter momentos de brilho e mesmo fases consistentes, mas nenhum deles é, pelo menos até aqui, tão confiável quanto Vidic e Ferdinand.
A vitória na Supercopa ficou com o melhor time, com o que joga junto há mais tempo, com o que tem mais autoconfiança. É bom lembrar, entretanto, que a média de idade do United no final da partida era próxima de 22 anos – e que o jogador mais velho do time, Young (sem trocadilhos), fazia sua primeira aparição oficial com a camisa vermelha.
A diferença, portanto, não estava só no descrito acima. Estava, principalmente, o comando. Alex Ferguson simplesmente trocou sua zaga titular no decorrer do jogo, e mesmo assim acabou com a vitória. Como na partida na temporada passada em que jogou com algo como seis laterais e quatro volantes em campo e mesmo assim superou o Arsenal na FA Cup. O escocês pode até ter sorte de vez em quando – se Kompany não tivesse errado no último lance do jogo, a decisão iria para os pênaltis. A sorte, entretanto, sói aparecer para quem trabalha direito.
Alex Ferguson trabalha direito há muitos anos. Roberto Mancini, há menos anos mas também há muitos, de vez em quando dá mostras de que pode fazer um bom trabalho. A diferença principal, por enquanto, sem dúvida está aí.



