Inglaterra

Os 3 sinais que ligam o alerta na temporada do Manchester City

Padrões preocupantes se repetem e desafiam capacidade de reação do time de Guardiola em 2025/26

Pep Guardiola evitou dramatizar o empate por 2 a 2 com o Tottenham, mesmo depois de ver o Manchester City desperdiçar uma vantagem de dois gols. Ainda assim, foi sincero ao admitir que sua equipe enfrenta “dificuldades em muitas coisas”.

A declaração ajuda a resumir um momento delicado da temporada: os tropeços recentes já não podem ser explicados apenas por confrontos específicos ou por noites atípicas da Premier League.

O empate em Londres expôs fragilidades que vêm se repetindo ao longo do campeonato. Não se trata somente da tradicional dificuldade contra os Spurs — City venceu apenas quatro dos 12 jogos contra os londrinos desde o início da temporada 2021/22 —, mas de problemas estruturais que têm impedido o City de controlar jogos, transformar domínio em gols e sustentar desempenho após o intervalo.

Quando o controle escapa, o City não sabe como reagir

Cherki em ação pelo City
Cherki em ação pelo City (Foto: Imago)

Guardiola voltou várias vezes ao conceito de “momento” após a partida contra o Tottenham — e não por acaso. O City até controlou o primeiro tempo, criou chances para ampliar a vantagem e conseguiu neutralizar os contra-ataques, muito graças à proteção oferecida por Rodri e pela velocidade de Khusanov. O cenário, no entanto, mudou completamente depois do intervalo.

Assim como já havia acontecido no clássico contra o Manchester United, bastou o adversário ajustar a abordagem para que o City perdesse o controle emocional e tático da partida. O Tottenham, mesmo desfalcado e em desvantagem, apostou em bolas longas, segundas bolas e pressão mais agressiva. Funcionou.

— No momento em que colocaram mais um jogador ali, com mais lançamentos longos, eles ganharam algumas segundas bolas e criaram o ímpeto — disse Guardiola.

O contexto da Premier League ajuda a explicar o problema. Segundo Pep Lijnders, auxiliar de Guardiola, cerca de 90% das equipes da elite inglesa pressionam alto com marcação individual, tornando os jogos mais físicos, acelerados e imprevisíveis. Nesse ambiente, duelos ganham peso. E os Citizens tem sofrido justamente aí.

— Se você tentar um lançamento longo, com o goleiro tentando encontrar o atacante, à moda antiga, se você ganhar a segunda bola, é uma chance para você. Se você perder a segunda bola, é uma chance para eles. É assim que a Premier League está atualmente, e isso acontece nos dois lados do campo, então se torna ainda mais importante ser bom nos duelos — afirmou Lijnders durante coletiva de imprensa na última sexta-feira (30).

Apesar de uma reconstrução recente do elenco, muitos dos reforços não têm como principal virtude o jogo físico. Nomes como Reijnders, Marmoush, Savinho e Cherki oferecem qualidade com a bola, mas não excelência nos confrontos diretos. O resultado é um time que, quando perde o controle do ritmo, se torna vulnerável às transições e reage de forma emocional.

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Domínio sem contundência: o calcanhar de Aquiles no ataque

Haaland cabisbaixo durante jogo do City
Haaland cabisbaixo durante jogo do City (Foto: Imago)

Com a dificuldade crescente para controlar o ritmo das partidas, o Manchester City passou a depender ainda mais da eficiência ofensiva — e é justamente aí que o time tem deixado a desejar. Contra o Tottenham, o primeiro tempo ilustrou bem o problema. A equipe recuperou bolas no campo ofensivo, encontrou bons espaços e colocou jogadores em situações de um contra um, mas desperdiçou oportunidades em excesso.

— Chegávamos à entrada da área, em situações claras, e nem sequer finalizávamos. Precisamos melhorar isso — reconheceu Guardiola.

A jogada do segundo gol, quando Bernardo Silva encontrou Antoine Semenyo em posição ideal, foi exceção. Em outras ocasiões, o passe final saiu errado, Vicario fez grande defesa em chute de Cherki, e Erling Haaland desperdiçou uma chance clara ao mandar por cima do travessão.

O norueguês, inclusive, simboliza parte do problema. Apesar de fisicamente apto, esteve longe do melhor nível, errou decisões no último passe e teve participação reduzida no segundo tempo. Quando os jogos se tornam mais abertos, o City precisa que seus atacantes decidam — algo que não tem acontecido com regularidade.

O padrão se repete: chances desperdiçadas contra Chelsea, Sunderland e Brighton custaram pontos e aumentaram a pressão. Sem o controle absoluto que marcou temporadas anteriores, a margem de erro no ataque diminuiu drasticamente.

O apagão pós-intervalo que virou padrão preocupante

Reijnders leva as mãos à cabeça durante jogo do City
Reijnders leva as mãos à cabeça durante jogo do City (Foto: Imago)

Talvez o dado mais alarmante da temporada seja o rendimento após o intervalo. O City já “perdeu” nove segundos tempos na Premier League — o mesmo número do Burnley, que luta contra o rebaixamento. Diante do Tottenham, a queda foi evidente mais uma vez.

Mesmo nas vitórias recentes sobre Wolverhampton e Galatasaray, o desempenho na etapa complementar ficou aquém. Questionado sobre isso, Guardiola concordou: “Sim, você tem razão”. Ainda assim, não apresentou uma explicação clara, limitando-se a afirmar que o gol sofrido “mudou um pouco as coisas”.

A dificuldade em sustentar intensidade, tomar boas decisões e encontrar companheiros em campo tem se tornado recorrente. Em alguns jogos, o City parece incapaz de manter conexões simples, acumulando perdas de bola e escolhas erradas.

A soma de problemas — controle de ritmo, duelos defensivos e ineficiência ofensiva — ajuda a explicar por que o time volta do intervalo tão diferente.

Essa talvez seja a questão mais preocupante de todas, justamente por ser a menos óbvia de corrigir. Ainda assim, há margem para evolução. Se o City conseguir ser mais sólido nos duelos e mais letal no ataque, o talento do elenco tende a aparecer.

Para um time que se acostumou a disputar títulos até o fim, o tempo, porém, começa a jogar contra.

A temporada do City até o momento

  • Segundo colocado da Premier League, seis pontos atrás do Arsenal
  • Oitavo colocado da fase de liga da Champions — classificado diretamente para as oitavas de final
  • Semifinalista da Copa da Liga Inglesa — venceu o Newcastle no jogo de ida por 2 a 0
  • Está na quarta rodada da Copa da Inglaterra — enfrentará o Salford City

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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