‘O ciclo de Kyle Walker na elite pode acabar de forma dramática’
Especialista sobre Manchester City, Steven McInerney, do canal Esteemed Kompany, classificou Kyle Walker como “o melhor lateral-direito da história do City”, mas admite ter dúvidas se, aos 35 anos, o inglês ainda consegue competir em alto nível, agora que se transferiu em definitivo para o Burnley.
Walker passou a segunda metade da última temporada emprestado ao Milan, após ter pedido para deixar o City em janeiro, mas o clube italiano optou por não o contratar em definitivo.

Recém-promovido à Premier League, o Burnley convenceu Walker a assinar contrato de duas temporadas no Turf Moor. Segundo a imprensa britânica, o City pode receber cinco milhões de libras (cerca de R$ 35 milhões) caso o lateral participe de pelo menos 70% dos jogos dos Clarets na elite e o clube evite o rebaixamento.
— O melhor lateral-direito da história do Manchester City, talvez o melhor lateral-direito da história da Premier League, um jogador fenomenal. O que o City conquistou na última década, ou nos sete anos e meio com o Walker, simplesmente não teria sido possível sem ele.
— O sistema que usamos funcionou como uma espécie de ‘código de trapaça’ graças à capacidade física absurda que ele tem, além de ser um jogador extremamente dedicado e muito querido pelos companheiros — avaliou ao site “Sports Mole”.
Walker deixa o City pela ‘porta dos fundos’

— Infelizmente, a saída foi amarga. Acho que, no fim das contas, isso se deve muito à forma como ele lidou com a situação. Teve muita coisa fora de campo, e ele acabou saindo meio pelas portas dos fundos, com rumores de que Guardiola não ficou nada satisfeito por ver o capitão pedindo para sair no meio da temporada só porque as coisas ficaram difíceis e ele perdeu espaço no time.
— As pessoas têm todo o direito de sair, mas acho uma pena que ele não tenha deixado o clube no fim da temporada com a despedida que o esforço dele em campo merecia. Ele preferiu sair meio escondido. O empréstimo ao Milan foi ok, nada de mais, e agora ele se juntou ao Burnley.
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Walker vai conseguir render no Burnley?
Walker agora começa um novo capítulo no Burnley, comandado por Scott Parker, mas McInerney levanta dúvidas sobre o que ele ainda pode entregar, principalmente nas reações e no posicionamento defensivo — aspectos que, segundo ele, ficaram evidentes como pontos fracos na última temporada.
— Acho que ele está desesperado para seguir no topo. O Burnley, de volta à Premier League, vai apostar na experiência dele, essa é a ideia. Ele já deixou claro várias vezes que quer chegar a 100 jogos pela seleção inglesa, esse é um dos objetivos dele antes de encerrar a carreira.

Walker dará certo no Burnley?
— Imagino que ele pensa que jogar toda semana na Premier League é a melhor forma de se manter sob os olhos do (Thomas) Tuchel e seguir sendo convocado para a Inglaterra. Mas sou cauteloso quanto a como isso vai se desenrolar.
— O Walker, mais do que muitos, sempre foi um jogador extremamente físico. Sei que é injusto dizer ‘o que acontece quando as pernas dele acabam?’. As pernas não eram tudo, mas eram muito. Ele sempre foi um corredor incrível, um atleta absurdo, mas nunca foi o mais atento defensivamente, talvez porque nunca precisou ser.
— Quando você tem essa velocidade absurda, não precisa se preocupar em estar três ou quatro metros atrás do atacante, porque você alcança ele de qualquer jeito. Mas o que vimos nos últimos dois anos é que ele já não reage tão rápido, porque não está mais na posição certa desde o começo.
— As falhas no posicionamento dele ficaram bem evidentes. Acho que ele ainda tenta se apoiar na velocidade e no reflexo, mas já não tem mais isso.
— Não sei se isso vai dar certo no Burnley, ainda mais num time que vai lutar para não cair. Posso estar errado, talvez ele dê a volta por cima e se anime com o desafio. Talvez goste do ambiente. Mas tenho a sensação de que o ciclo dele no topo pode terminar de forma relativamente dramática.
Esse texto foi originalmente publicado no Sports Mole, parceiro da Trivela na Inglaterra.



