Inglaterra

Manchester City abre as portas de seu CT para refugiado ucraniano que atuava em clube russo

Andrii Kravchuk, amigo de Zinchenko, saiu da Turquia, onde treinava com o Torpedo Moscow, para Manchester quando a guerra começou

Andrii Kravchuk estava em um campo de treinamentos do Torpedo Moscow, clube da segunda divisão russa que defendia desde o ano passado, quando recebeu uma ligação da sua mãe, às 5h, dizendo que a Rússia havia começado a soltar bombas sobre a Ucrânia. Ele fugiu para Manchester, onde mora o seu amigo Oleksander Zinchenko, e após rescindir seu contrato foi convidado pelo Manchester City para manter a sua forma com o time sub-23.

Kravchuk e Zinchenko se conhecem das categorias de base do Shakhtar Donetsk. Ele recebeu permissão da Federação Inglesa e da Premier League para fazer atividades no centro de treinamento do Manchester City até o fim da temporada. “Eu me senti desconfortável. Eu estava jogando em um país que havia invadido minha terra natal. Deixar o clube era a única decisão. As pessoas na Ucrânia não entenderiam se eu continuasse jogando lá”, disse.

“Estou muito grato pelo Manchester City ter me dado esta chance de treinar com eles. Eu não via Oleks há algum tempo, mas ele sempre me ajudou, mesmo quando estávamos juntos no Shakhtar. Tivemos uma conversa e estou muito feliz de estar aqui com ele. As últimas semanas e meses foram difíceis, mas voltar a campo significa tanto para mim”, acrescentou.

A família de Kravchuk continua em Kiev e seu irmão Aleks está lutando no exército ucraniano. “Eu digo para ele todo dia que estou orgulhoso, não apenas por proteger nossa família, mas todo o país e o povo ucraniano. Ele ficou e está lutando. Eu estou muito preocupado. Estou em grupos no meu celular e sempre recebo mensagens de alertas de bombardeios. Fico ansioso sempre que esses alertas aparecem. Seu único pensamento é que sua família pode morrer”, contou.

Zinchenko, naturalmente um dos maiores críticos da guerra na Ucrânia no futebol, disse que gostaria que a reunião com seu antigo amigo tivesse acontecido em circunstâncias melhores. “Eu sei o quanto o futebol significa para ele e o quanto pode nos ajudar nestes momentos difíceis”, afirmou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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