Inglaterra

Madpies

Fabrício Coloccini fez uma boa temporada 2007/08. Jogando como zagueiro caindo pela direita, eventualmente até como lateral, foi um dos pilares da defesa segura que manteve o Deportivo de La Coruña longe da zona de rebaixamento. Com base nesse desempenho, o Newcastle se motivou a contratar o argentino. Pode até fazer sentido, mas o jogador já tem 27 anos e quem o acompanha há tempos sabe que a boa fase na é algo momentâneo.

Em Saint James’ Park, El Colocho mostrou seu repertório de falhas defensivas. Erros em saídas de bola, desatenção, falha de posicionamento e outras trapalhadas em geral. No último domingo, acrescentou mais um capítulo em uma falha incrível que permitiu a Lampard abrir o caminho para a vitória do Chelsea por 2 a 0 em Tyneside. Apesar de tudo isso, o argentino foi o único jogador a ser titular em todas as 30 partidas dos Magpies na Premier League.

A situação de Coloccini retrata bem a situação do Newcastle United. O elenco foi montado de modo equivocado, contratando aleatoriamente jogadores com nome, mas que claramente não tinham muito a acrescentar à equipe. É o caso do veterano Viduka, do encrenqueiro Barton, dos decadentes Geremi e Butt, do apagado Lovenkrands, do oscilante Alan Smith e da eterna promessa Ignácio González.

Tirar um time desse da zona de rebaixamento é uma tarefa inglória. O grupo foi formado sem seguir um planejamento lógico e alguns dos jogadores mais importantes claramente não têm mais pique ou motivação para se entregar a uma disputa desesperada na parte de baixo da tabela. Por isso, Mike Ashley foi atrás de Alan Shearer.

O presidente do clube sabidamente tem alguns parafusos a menos. E também tem alta dose de responsabilidade pela péssima campanha dos Magpies. Mas nem ele acha que o ex-atacante pode ajudar os alvinegros por sua capacidade como técnico. Afinal, como saber do potencial de alguém que nunca exerceu tal função? A explicação para a contratação de Shearer é simples: mística.

O ex-atacante nasceu em Newcastle-upon-Tyne e sempre se declarou torcedor do clube. Já consagrado pelo Blackburn, fez questão de defender a camisa alvinegra. Em dez anos no Saint James’ Park, tornou-se o maior artilheiro da história do clube. “Ídolo” é uma palavra simples demais para descrever o que ele representa para uma das torcidas mais fanáticas da Inglaterra.

Com Shearer por perto, a torcida fica mais confiante e terá mais pudor de cobrar a equipe. Os jogadores, tendo uma referência clara do que representa o Newcastle, também podem se envolver no clima positivo e buscar uma motivação que parece acabada. Se isso ocorrer, os Magpies se salvam. Caso contrário, foi apenas uma loucura desesperada de um time grande à beira do rebaixamento.

Manchester United gera dúvidas

O Aston Villa é uma equipe forte. Cristiano Ronaldo foi decisivo. O garoto Federico Macheda apareceu do banco para dar a vitória e mostra o bom resultado do “scout” (rede de olheiros do clube). O enredo soa muito positivo para o Manchester United após a vitória por 3 a 2 sobre os Villans neste domingo, mas a realidade é um pouco diferente.

Os Red Devils parecem ainda sentir o impacto da goleada sofrida para o Liverpool há três semanas. A equipe perdeu parte da confiança e dá sinais de vulnerabilidade. Contra o Aston Villa, os mancunianos tiveram domínio territorial (leia-se: tomaram a iniciativa), mas não eram capazes de realmente acuar o adversário. Tanto que, com uma defesa bem montada e contra-ataques organizados, os Lions não apenas seguraram o adversário, como conseguiram virar a partida.

A (re)virada nos minutos finais não foi resultado de uma real superioridade do Manchester United. Os vermelhos simplesmente se atiraram para o ataque no desespero e, claro, acabaram criando suas oportunidades. Mas não foi possível esconder a carência de opções no ataque, pois Rooney está suspenso e Berbatov, machucado. O único atacante no time inicial era Tevez, que vinha desgastado por uma viagem à América do Sul e uma trágica partida na altitude (os famosos 6 a 1 da Bolívia sobre a Argentina).

Desorganizado, o United abriu espaço para o Villa explorar contra-ataques. Algo que só não foi mais problemático porque Martin O’Neill tirou Milner para colocar Reo-Coker.

Nesse jogo aberto, dá para dizer que a sorte sorriu para o time da casa. Cristiano Ronaldo empatou em um chute de fora da área despretensioso, mas incrivelmente bem colocado. A virada veio nos acréscimos, com um golaço do estreante Macheda. O italiano de 17 anos virou herói pelo lance, mas, convenhamos, ele não vinha fazendo nada em campo.

Se serve de boa notícia para o Manchester United, a vitória emocionante pode ter o efeito contrário à derrota para o Liverpool. O time pode reencontrar sua confiança e concentração para os jogos decisivos da Premier League. Se isso não ocorrer logo, os Red Devils estarão abrindo a porta para os Reds passarem.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo