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Londres recebe exposição para todo fanático por futebol amar: A arte das camisas

Muita gente traduz sua paixão pelo futebol através das camisas dos times. Um uniforme histórico se transforma em símbolo do clube ou da seleção. Provoca a ignição na memória saudosa, de quem viu aquelas cores e aquele desenho desfilarem pelos gramados. Mais do que isso, há fardamentos que ganham o status de arte. E é exatamente sobre isso que se volta uma exposição lançada nesta semana, em Londres. ‘The Art of the Football Shirt’ reúne diversas peças icônicas, que recontam não apenas a história do futebol, mas também o conceito artístico envolvido no esporte e as mensagens que extrapolaram o mero jogo.

A mostra foi criada por Neal Heard, um colecionador completamente fanático por camisas de futebol. Autor do livro ‘A Lover’s Guide to Football Shirts’, ele emprestou parte de sua coleção à exposição, com 150 peças. Mas foi além, ao compartilhar seu conhecimento sobre o assunto, trazendo informações relevantes ao longo da galeria. A apresentação viaja através da história, do design e da cultura popular, buscando também fardamentos que se misturem com outros mundos, como a música, a moda e a cultura.

“Há muitas razões para escolher as camisas e, com sorte, quando expandirmos a exibição, isso me permitirá tocar em vários pontos diferentes. Eu não queria ignorar alguns temas preferidos dos colecionadores. Então, eu não ignorei os anos 1970, quando as camisas eram mais planas, apesar de clássicas. Você pode apreciar a exposição independentemente de seu gosto, e mesmo se não gostar de camisas de futebol. Há sempre um assunto que você curte abordado nos designs. Esses 150 uniformes estão aqui para todos apreciarem”, explica Heard, em entrevista ao Soccer Bible. “Por mais loucura que isso soe, é bom trazer uma exposição sobre futebol sem estar necessariamente ligada ao jogo. A cultura das camisas está se movendo além do futebol e por isso que estou contente, é um novo ângulo”.

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A exposição é dividida em diferentes temas e não se contém apenas aos grandes times. O acervo vai do Newport County ao Brasil de 1970. Há mesmo um bom número de uniformes do futebol brasileiro: Botafogo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos e Sport aparecem nas primeiras imagens disponíveis, bem como a própria Seleção. E o xodó da mostra se concentra naquilo que Heard chama de ‘Iconic Eleven’, uma sessão com 11 camisas icônicas para o design do esporte. Entre elas, a da Holanda de 1988 e a da Alemanha de 1990. Segundo o curador, duas peças revolucionárias, por se aproximarem da moda urbana e influenciarem o que se produziu na indústria a partir de então.

“Se eu ou você, ou as pessoas que passam, olharem para essas camisas, nós escolheríamos as mesmas lembranças. É algo que nos aproxima, como uma linguagem universal”, declarou Heard. “É um canal para a paixão e não acho que existam muitas coisas que provoquem este efeito. É por isso que eu realmente curto qualquer evento sobre camisas de futebol, sempre há uma energia positiva e muitas coisas provocam este tipo de reação. As camisas cruzam o tempo e o espaço. Você pode se conectar com um brasileiro que não fala uma palavra em inglês, mas apontará sua camisa e tentará falar sobre isso, e você tentará responder”.

O colecionador vê mesmo uma reaproximação entre o que se produz atualmente e o que ativa a memória em comum. Não à toa, as camisas retrô representam um nicho importantíssimo do mercado e alguns clubes vêm mesmo resgatando os desenhos antigos, como maneira de prestar tributo. É a valorização da relação que esses uniformes significam.

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“Para mim, é interessante pensar que há uma percepção de que algumas destas camisas clássicas são muito boas para mudarem. É bom fazer uma homenagem desta maneira. Isso cria uma nova imaginação para o futuro também. É bom reconhecer os grandes momentos, mas é sobre olhar para frente. A invenção de novos desenhos, que alguém pode querer copiar dentro de 20 anos, é a perspectiva mais empolgante. A razão pela qual todos amamos as nossas camisas preferidas é porque elas são atemporais. São camisas que deixam uma marca”, analisa.

Além disso, Heard acredita que há um processo massivo em torno da cultura das camisas de futebol neste momento, que deverá levar o tema a novos horizontes. “Eu falei com muitas pessoas da indústria sobre a cultura em torno do jogo que está mudando e isso vai ser enorme. Para mim, seja o que você pensa sobre a cultura de camisas, é preciso esquecer. É necessário olhar para o novo e quase começar novamente, porque é como um ano zero para mim. Essa mudança é algo que, acredito, vem acontecendo desde os últimos anos. Atingiu uma velocidade exponencial e se tornou parte da cultura popular. As camisas de futebol são parte de um estilo de vida agora”, aponta. Assim, uma exposição que discuta os rumos percorridos até agora vem em momento bastante pertinente. E que ela possa chegar a outros cantos do planeta, como o Brasil.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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