Novos Galácticos? ‘Liverpool não pode seguir se passando por azarão’
Sai Klopp, entra Slot; mudança no comando técnico é ponto de virada no patamar dos Reds na janela de transferências, mas novo panorama é acompanhado por pressão extra
O termo “galácticos” se popularizou nos anos 2000 com o Real Madrid, que se destacara pela capacidade de reunir grandes estrelas do futebol mundial e montar elencos absurdamente fortes. Após a janela de transferências do meio de 2025, o Liverpool surge como o “novo galáctico” da Europa na visão de Jamie Carragher.
Os Reds gastaram cerca de 482 milhões de euros (R$ 3 bilhões) no mercado de verão europeu. Boa parte da fatia ficou nas negociações de Florian Wirtz (125 milhões de euros — R$ 796 milhões) e Alexander Isak, transação recorde no futebol inglês (145 milhões de euros — R$ 923 milhões).
É uma alteração significativa ao comparar com as janelas anteriores do mesmo período.
— O clube fez proveito de uma mentalidade de azarão contra rivais mais ricos, mas essa dinâmica mudou drasticamente — escreveu Carragher no jornal “Telegraph”.
Patamar do Liverpool na janela muda com saída de Klopp e chegada de Slot
O motivo para tal transformação passa diretamente pelo comando técnico. O Liverpool de Jürgen Klopp não abria muito os cofres. O alemão, inclusive, chegou a criticar altos investimentos de rivais, como os 100 milhões de euros (R$ 362 milhões na época) que o Manchester United desembolsou para levar Paul Pogba a Old Trafford em 2016.
Klopp reconheceu que “o mundo mudou”, mas ainda não é muito fã de gastos tão elevados.
Em junho deste ano, enalteceu a chegada de Wirtz ao Liverpool e disse entender os motivos para o valor alto da negociação, ao mesmo tempo em que considerou a quantia “insana”.
— Já disse que estaria fora se pagássemos 100 milhões de euros em um jogador, mas o mundo continua mudando. É assim que o mercado funciona. Minha parte no futebol será sempre o jogo em si, mas se você quer jogar em alto nível, não dá para treinar todos os jogadores. Às vezes, precisa contratar jogadores de outros lugares — afirmou ele, segundo a “BBC Sport”.

O Liverpool com Klopp buscava contratar jogadores que pudessem atingir o ápice no clube, não que já haviam se destacado em outro lugar, analisou Jamie Carragher. Algumas exceções para os padrões financeiros da ocasião foram Van Dijk e Alisson, porém, ainda assim, o time de Anfield não fazia grandes loucuras na janela.
“Havia a sensação de que United, Chelsea e depois o City poderiam contratar quem quisessem, e o Liverpool precisava ser inteligente e identificar o próximo grande nome, assumir riscos”, comentou o ex-atleta.
Na primeira janela de verão com Klopp à frente da equipe, em 2016/17, foram desembolsados 79 milhões de euros. A maior parte correspondia ao acordo por Sadio Mané, que custou 41 milhões de euros.
No último mercado do meio do ano dele, em 2023/24, o valor gasto em contratações subiu para 172 milhões de euros, dos quais 70 milhões de euros eram referentes ao negócio por Dominik Szoboszlai.
Com o alemão e suas estratégias de mercado, os Reds faziam frente aos clubes de elevados investimentos e venceram a Champions League 2018/19, a Premier League 2019/20, o Mundial de Clubes de 2019, a Copa da Inglaterra de 2021/22, a Copa da Liga Inglesa em 2021/22 e 2023/24 e a Supercopa da Inglaterra 2022/23.
— O sucesso era mais satisfatório por causa do relativo poder econômico dos times que o Liverpool precisava superar — afirmou Carragher.
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‘É preciso vencer’: Foco no futuro e pressão extra marcam nova fase dos Reds
Mas, como Klopp reconheceu, os tempos mudaram. Arne Slot o substituiu na área técnica em julho de 2024 e não interferiu na modesta janela do clube no verão passado, que teve apenas as contratações de Federico Chiesa e Giorgi Mamardashvili.
O holandês, no entanto, já mudou o panorama em 2025/26. “Pela primeira vez na minha vida, o Liverpool está no centro das atenções quando os jogadores de futebol mais cobiçados e caros do planeta estão no mercado”, destacou o comentarista no texto.
A título de comparação, os rivais Chelsea e Manchester United gastaram 328 milhões de euros (R$ 2 bilhões) e 250 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão), respectivamente, enquanto o City registrou 206 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão) em compras.

Tanto as estrelas Wirtz, Isak, Jeremie Frimpong e Ekitiké quanto os jovens Milos Kerkez e Giovanni Leoni não são vistos como contratações pontuais, foram pensadas para projetos a longo prazo, com foco no futuro dos Reds. Além disso, mesmo com os gastos, o clube se mantém dentro das normas de fair play financeiro.
O desafio de Arne Slot agora é fazer a equipe render o que se espera pelo investimento. “Esses acordos geram expectativa tremenda e uma pressão extra para serem cumpridos. Quando se gasta tanto, é preciso vencer”, escreveu o ex-jogador.
O Liverpool está com 100% de aproveitamento na Premier League com três vitórias em três jogos e vai começar a trajetória pela taça da Champions League contra o Atlético de Madrid em Anfield, no dia 17 de setembro.



