Inglaterra

Liverpool tem mudanças de posição, surpresas e preocupações em goleada sofrida para o Milan

Arne Slot fez testes curiosos que falaram mais do que o resultado ruim

O Liverpool voltou a campo neste sábado (26) para enfrentar o Milan, em mais um amistoso de pré-temporada, em Hong Kong. Este foi o segundo amistoso da equipe em preparação para a campanha de 2025/26 e, apesar da goleada sofrida por 4 a 2, Arne Slot propôs diversas novidades.

Os Reds enfrentaram um Milan que busca renovação com Massimiliano Allegri e sofreu contra o Arsenal, em seu último jogo da pré-temporada. E mesmo dominando a posse e sendo superior no primeiro tempo, o time de Slot teve seu principal defeito exposto pelos italianos.

As novidades do Liverpool contra o Milan

Slot levou a campo o Liverpool no mesmo 4-2-3-1 que foi padrão durante a temporada passada, mas com novidades. A mais curiosa foi a escalação de Ryan Gravenberch como zagueiro, ao lado de Virgil van Dijk, e Luca Stephenson, que foi zagueiro contra o Preston North End no primeiro amistoso, como lateral-direito.

Dominik Szoboszlai e Trey Nyoni foram os volantes atrás de Harvey Elliott como meia mais avançado e Florian Wirtz como falso nove. Mohamed Salah, na direita, e Rio Ngumoha, na esquerda, fizeram o tradicional papel de pontas na equipe.

Football – Pre-Season – Liverpool FC v AC Milan
Wirtz pelo Liverpool (Foto: Imago)

O primeiro tempo foi bastante promissor do lado dos Reds e com movimentos que enfatizam como a equipe de Slot pode ser multifacetada ao longo da temporada:

  • Gravenberch, como zagueiro, se tornou o primeiro armador em um time que dominava a posse com todos os jogadores depois do meio campo. Sob pressão, tinha liberdade para avançar com conduções e facilitava a progressão;
  • Os laterais, Robertson e Stephenson, atuavam majoritariamente nos meio-espaços e deixavam as laterais para os pontas terem duelos individuais. Serviam como apoio para passes de retorno, tabelas ou infiltrações pelo meio;
  • Wirtz saía bastante da área e buscava a bola como meia, abrindo espaço para Robertson e Elliott infiltrarem. Gerava jogo com dribles e passes curtos com os outros meias e pontas.

Por outro lado, mas do que um time que apenas sufocava o adversário com a bola em regiões altas, o Liverpool também mostrou seu lado vertical característico da era Jürgen Klopp:

  • Alisson segue sendo crucial com lançamentos longos, principalmente para Salah. O brasileiro voltou a gerar chances de perigo para os Reds dessa forma contra o Milan;
  • Gravenberch e van Dijk têm ótimos lançamentos diagonais para encontrar os pontas. O primeiro gol da equipe surgiu dessa forma: Gravenberch lançou Ngumoha e, após insucesso no drible, a bola sobrou para Szoboszlai na entrada da área, sem marcação, marcar um golaço.

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Como o Milan expôs principal falha do Liverpool

O sistema defensivo dos Reds foi seu principal ponto de atenção no amistoso, principalmente nas transições. Com Allegri, o Milan se tornou um time que defende baixo em 5-4-1, nega espaços e verticaliza rápido, buscando Rafael Leão para contra-ataques — e isso acabou com o Liverpool.

Os três primeiros gols dos italianos tiveram influência de Leão. Atuando como um centroavante móvel no 3-4-2-1 da equipe, o português segue caindo pela esquerda e é o principal alvo de lançamentos pelo alto e passes em profundidade quando o Milan recupera a bola.

Hong Kong Football Fest – Liverpool VS AC Milan
Rafael Leão contra o Liverpool (Foto: Imago)

A pressão alta do time de Slot teve bons momentos, principalmente no primeiro tempo. O sistema era claro: marcação alta e com encaixes individuais por todo o campo. Isso pode ter dois motivos: o Milan não se mostrou um time que manipulava espaços puxando marcadores; ou a ideia do Liverpool para a temporada é apostar mais na individualização da marcação em todo o campo.

Durante sua construção mais baixa, o Milan saía em 4-2, com o zagueiro pela direita (Fikayo Tomori, na ocasião) abrindo como lateral, e o ala-esquerdo (Bartesaghi) recuando como lateral por aquele lado — e com os dois volantes à frente como apoios.

O Liverpool pressionava alto e tendia ao lado da bola: o ponta do lado em que a bola foi fechava o lateral milanista, enquanto o lateral dos Reds por aquele lado subia para fechar o ala mais avançado da equipe italiana. Isso sempre resultava na primeira linha de defesa com somente três defensores.

Por um lado, isso parecia proposital, uma vez que o Milan dificilmente atacava a última linha com mais de três jogadores. Se a progressão era pelo meio, e não pelo lado, Gravenberch também subia bastante para perseguir seu marcador, e van Dijk era o responsável por fechar Leão.

No entanto, como o Liverpool atacava com todos os jogadores bem altos no campo adversário, isso significava que o Milan tinham muito espaço para atacar nas costas da defesa antes do meio-campo, inibindo impedimentos. E Leão foi crucial para sair da pressão com dribles, recebendo em profundidade e com passes de primeira. Tanto que marcou um gol, deu uma assistência, e deu o passe que tirou o time da pressão e gerou o lançamento para outro gol.

Mesmo com um time que não manipulava os espaços no ataque com jogadores arrastando a marcação e ataques a espaços vazios, bastou um jogador diferenciado como Leão para causar o desequilíbrio necessário para a defesa dos Reds perecer — principalmente no segundo tempo, após as mexidas, quando três dos quatro gols saíram.

Os testes de Slot, promissores ou não

No segundo tempo, Slot mexeu em todas as peças, mas praticamente não mudou a ideia central do time. Tsimikas, lateral-esquerdo de origem, entrou como zagueiro para dar a Milos Kerkez, outro reforço o espaço na lateral. Jeremie Frimpong, ala em um sistema de três zagueiros no Bayer Leverkusen, foi o ponta-direito. E Ben Doak, ponta driblador de natureza, foi o falso nove.

Com os padrões mantidos, alguns jogadores claramente tiveram papeis limitados. Kerkez, que teve sucesso no Bournemouth como um lateral explosivo, que ataca o espaço e abusa da velocidade pelo lado, seguiu como o lateral invertido, ora fazendo a saída de três, ora atuando como meia em regiões mais centrais. Acabou jogando muito de costas, sem sucesso, e fazendo corridas nas costas de Cody Gakpo, que entrou como ponta-esquerdo, para não receber.

O mesmo serviu para Doak. O jovem baixinho não foi impactante como falso nove e teve apenas 17 toques na bola (menos da metade dos 36 de Wirtz). Acabou sendo alvo de cruzamentos no fim do jogo, e não venceu nenhum.

Na direita, no entanto, houve mais movimentação fora do padrão. Frimpong, destro, geralmente atacava a profundidade, enquanto Salah cortava para dentro. Isso acabou gerando momentos de entrada na área perigosos, mas cruzamentos sem grande sucesso.

Em outros momentos em que Frimpong conduzia para o meio, Conor Bradley, lateral-direito, alternava sua movimentação do meio para o lado, e acabou atacando a profundidade perto da linha lateral em algumas oportunidades.

Tyler Morton foi um dos grandes destaques do segundo tempo dos Reds. Aos 22 anos e depois de empréstimos a Blackburn e Hull City, o meio-campista se mostrou muito ágil, saiu bem da pressão com dribles e grande visão de jogo para encontrar passes em janelas na defesa. Nyoni, de 18 anos, também foi impactante como um meia dinâmico com passes curtos, conduções e duelos.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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