Inglaterra

Como Liverpool fez Chelsea quebrar marca inacreditável na Premier League

Slot admite que a pressão da equipe foi prejudicado pelo condicionamento físico; estatísticas revelam padrão preocupante que persiste há meses

Uma das críticas mais recorrentes ao Liverpool de Arne Slot nesta temporada ganhou um novo dado para alimentar o debate. Até o confronto contra o Chelsea deste sábado (9) em Anfield, os Blues haviam sido superado em quilometragem em todas as suas 35 partidas na Premier League. Agora, os Reds conseguiram correr menos.

Ao enfrentar o Liverpool, o time londrino finalmente correu mais que o adversário. E o empate por 1 a 1 ficou marcado não só pelo resultado, mas pelo que os números revelam sobre o estado físico dos Reds.

Slot admite problema no Liverpool após marca bizarra do Chelsea

O Chelsea cobriu 104 km coletivos contra 103,35 km do Liverpool, segundo dados do jornal inglês “BBC”. Uma diferença pequena em metros, mas enorme em significado: o único time da liga que chega perto do Chelsea quando o assunto é ser superado em esforço físico é o próprio Liverpool. Os Reds foram batidos em quilometragem em 32 das 36 partidas disputadas na Premier League nesta temporada.

Não é de hoje que o técnico holandês lida com essa questão. Em fevereiro, Slot já havia reconhecido que a pressão da equipe estava abaixo do esperado por causa do condicionamento físico do elenco.

— Uma das coisas que te prejudica se você não estiver tão em forma é a pressão. Não fomos tão eficazes em nosso pressing quanto fomos na temporada passada, porque não estávamos prontos o suficiente — disse na época.

Alexis Mac Allister e Andrey Santos durante Liverpool x Chelsea (Foto: Imago/Propaganda Photo)
Alexis Mac Allister e Andrey Santos durante Liverpool x Chelsea (Foto: Imago/Propaganda Photo)

O problema é que, quase três meses depois dessas declarações, a melhora tangível ainda não apareceu nas estatísticas. A análise do jogo contra o Chelsea reforça o padrão: o Liverpool passou 37,29% da partida caminhando e apenas 8,09% em sprint, números que, para uma equipe que construiu sua identidade justamente na intensidade e na pressão alta, representam um desvio claro do padrão esperado.

Depois de ceder o empate após abrir o placar contra o Chelsea, Slot foi questionado sobre uma possível instrução para os jogadores recuarem após marcar. A resposta foi enfática.

— Acho que não é justo comigo que alguém pense que eu digo aos meus jogadores para recuarem, baixarem as linhas e não pressionarem. Ou você não viu meus times jogando na temporada passada e em grande parte desta. Naquela situação, fomos nós que não conseguimos controlar todo o meio-campo.

Um problema que pode só se resolver na pré-temporada

O contexto ajuda a entender, mas não resolve. A temporada passada foi marcada pelo falecimento de Diogo Jota, o que alterou completamente o cronograma de pré-temporada do Liverpool. Sem uma preparação física adequada no início do ano, os efeitos se arrastaram ao longo dos meses, e é possível que o time só volte a operar no ritmo ideal a partir da próxima temporada, quando terá uma pré-temporada regular, ainda que curta.

Times que jogam com posse de bola naturalmente tendem a percorrer menos distância do que os adversários e isso é parte do modelo. Mas há uma diferença entre correr menos por escolha tática e correr menos por falta de condicionamento.

No caso do Liverpool nesta temporada, os próprios comentários de Slot sugerem que o segundo fator teve peso real. Para um clube que ainda briga pela Champions League e encerra a temporada com jogos decisivos pela frente, a estatística é mais do que um curiosidade: é um sinal de alerta que Slot precisará resolver com seriedade no verão.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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