Inglaterra

Lesões na Inglaterra fazem Tuchel recorrer à volta de veterano e alvo da Escócia

Convocação da seleção inglesa abre nova chance para Ben White e reforça pouco prestígio de Arnold com Tuchel

Thomas Tuchel mexeu em posições importantes da seleção inglesa nesta segunda-feira (23). Para os amistosos contra Uruguai e Japão, ambos em Wembley, o treinador chamou Ben White e encerrou um longo afastamento do lateral-direito do Arsenal, ausente desde a Copa do Mundo de 2022, no Catar. A volta do defensor ocorre em meio a problemas físicos no elenco dos Três Leões.

White não veste a camisa da Inglaterra desde março de 2022 e carrega um histórico delicado com a seleção. Convocado para a Eurocopa 2020 e para o Mundial do Catar, ele não entrou em campo em nenhum dos dois torneios e deixou a concentração inglesa no Oriente Médio por motivos pessoais.

Na época, Gareth Southgate, então técnico da Inglaterra, revelou que o jogador havia se colocado fora da seleção durante o restante de seu ciclo, em um contexto cercado por rumores de atrito interno.

Agora, sob o comando de Tuchel, o caminho foi reaberto — graças a lesão de Jarrel Quansah. Em março do ano passado, o técnico alemão já havia dito que o defensor queria voltar, mas preferiu preservá-lo naquele momento por conta da recente recuperação de uma grave lesão no joelho.

Ben White em ação pelo Arsenal
Ben White em ação pelo Arsenal (Foto: Ian Stephen / Every Second Media / Imago)

Tuchel deixa astro do Real Madrid de fora

A decisão pelo retorno de Ben White chama atenção também pelo contraste entre dois cenários. O jogador de 28 anos reaparece mesmo vivendo uma temporada discreta no Arsenal, com apenas cinco partidas como titular na atual edição da Premier League. Não chega, portanto, impulsionado por desempenho ou sequência.

Sua convocação parece responder mais à busca por um jogador funcional, capaz de atuar com segurança e cumprir diferentes tarefas não só no corredor direito, mas no sistema defensivo como um todo.

Ao mesmo tempo, a ausência de Trent Alexander-Arnold reforça a impressão de que Tuchel simplesmente não compra a ideia do lateral do Real Madrid como peça relevante para sua Inglaterra. O treinador ampliou a lista para 35 nomes, mas deixou fora justamente um dos jogadores mais criativos da geração inglesa.

Quando tentou justificar a decisão, Tuchel afirmou que Tino Livramento, Djed Spence e Quansah oferecem “um perfil ligeiramente diferente” para a posição. É uma explicação protocolar, mas que pouco esconde a preferência do alemão por laterais de outra característica, mais físicos, mais lineares e talvez mais confiáveis sem a bola.

Alexander-Arnold em ação pela seleção inglesa
Alexander-Arnold em ação pela seleção inglesa (Foto: Joan Gosa / Imago)

Arnold, por sua vez, mal teve espaço para contestar essa visão: desde a chegada de Tuchel, somou apenas 26 minutos em campo, na vitória por 1 a 0 sobre Andorra, em junho passado. Dito isso, sua ausência não soa como um recado sutil. Soa como escolha técnica bem definida — e, no limite, como um tipo de desdém.

A condução do caso torna tudo ainda mais ruidoso. Perguntado se havia conversado com Arnold sobre a não convocação, o técnico respondeu apenas: “Ainda não.” Na sequência, ao ser questionado sobre a possibilidade de o jogador entender que sua trajetória na seleção está perto do fim, foi ainda mais seco: “Não sei.”

Nesse ambiente, White volta mais como solução prática. Mesmo sem grande protagonismo no Arsenal, oferece experiência, versatilidade e familiaridade com jogos de alto nível. Com Reece James lesionado e a lateral-direita cercada de incertezas, Tuchel parece ter preferido um nome em quem enxerga encaixe imediato, ainda que venha de uma fase modesta, a insistir num talento cuja leitura — sobretudo defensiva — claramente não o convence.

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Especulado na Escócia, Barnes ganha chance na Inglaterra

Harvey Barnes, atacante do Newcastle
Harvey Barnes, atacante do Newcastle (Foto: Lee Keuneke / Every Second Media / Imago)

Além de White, Tuchel também chamou Harvey Barnes, do Newcastle, para o lugar de Eberechi Eze, cortado em virtude de uma lesão na panturrilha. É uma nova brecha para um jogador que faz boa temporada em nível de clube e que, aos 28 anos, ainda tenta transformar rendimento doméstico em espaço real na seleção principal.

Com 14 gols e cinco assistências em 50 jogos pelos Magpies em 2025/26, Barnes aparece como uma alternativa útil pelos lados do ataque, embora a concorrência siga pesada.

O nome do ponta também costuma reaparecer cercado por uma questão paralela: a possibilidade de defender a Escócia. Como sua única partida pela Inglaterra foi um amistoso, em 2020, contra o País de Gales, ele permaneceu elegível para trocar de seleção. Nos últimos anos, os escoceses tentaram seduzi-lo, mas sem sucesso.

Em fevereiro, Steve Clarke, técnico da Escócia, foi direto ao afirmar que Barnes estava focado em buscar seu lugar na Inglaterra. A convocação de agora reforça esse movimento e devolve ao jogador a chance de mostrar, na prática, que ainda pode entrar na briga por uma vaga no grupo da Copa.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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