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Inglaterra 2×1 Brasil, mas o futebol foi pior que o placar

Esqueça o placar. Perder por 2 a 1 para a Inglaterra em Wembley não é uma tragédia. Mas o futebol apresentado pela Seleção na reestreia de Felipão foi pobre, e, mesmo com um pênalti desperdiçado por Ronaldinho, ficou a sensação de que a derrota poderia ter sido mais contundente.

O meio-campo não conseguiu trabalhar. Os meias de armação, não eram eficientes na marcação e sobrecarregavam os volantes. A Inglaterra trabalhou com liberdade e pôde acionar Wilshere e Walcott quando bem entendesse. Os laterais, sobretudo Adriano, ficava sempre no mano-a-mano com Walcott, com vantagem para o inglês na maioria das oportunidades.

Nesse cenário, o grande nome do Brasil foi Julio Cesar. O goleiro fez quatro grandes defesas e impediu uma vitória mais elástica do time da casa.

No ataque do Brasil, Neymar e Lucas tinham dificuldade em lidar com a marcação inglesa, e o atacante de referência ficou sempre perdido no meio dos zagueiros ingleses. Salvo o lance do pênalti (um cruzamento de Ronaldinho que bateu no braço de Wilshere) no começo do jogo, o único bom momento da Seleção foi nos dez minutos iniciais do segundo tempo.

Lucas entrou fazendo marcação pressão na defesa inglesa. Teve sucesso. Aos 3 minutos, serviu Fred para o gol de empate e, no lance seguinte, o atacante do Fluminense teve outra boa chance, acertando a trave de Hart. Mas rapidamente a Inglaterra se ajustou e deixou de sofrer na saída de bola.

Formações iniciais

Campinho_Inglaterra 2x1 Brasil 2013

 

Destaque do jogo

O lado direito foi o mais produtivo do ataque da Inglaterra. Principalmente porque Walcott venceu o duelo com Adriano naquele setor. O atacante do Arsenal usou sua velocidade e habilidade para aproveitar os espaços deixados pelo lateral. Mesmo quando não havia, Walcott conseguia criar. O primeiro gol saiu em uma jogada com o atacante inglês e vários lances de perigo no segundo tempo tinham a assinatura dele.

Momento-chave

O jogo ainda estava esquentando, com as duas equipes em equilíbrio, quando o Brasil teve um pênalti a favor. Ronaldinho chutou mal e Hart espalmou. O atleticano pegou o rebote, mas o goleiro inglês se recuperou incrivelmente e fez nova defesa. Neymar, marcado, não conseguiu tocar para o gol. Se o Brasil saísse na frente, poderia ganhar a confiança para se impor. Pelo contrário, acabou acuando e se deixou dominar por uma Inglaterra que ganhou corpo a partir daquele momento e construiu a merecida vitória.

Os gols

27/1T – INGLATERRA
Walcott é lançado em velocidade. Ele chuta rasteiro, mas Julio Cesar trava com a ponta de seu pé. A bola sobra para Rooney, que toca diante do gol vazio.

3/2T – FRED
A Inglaterra erra saída de bola. Lucas rouba e deixa com Fred, que ajeita e, de frente para Hart, chuta forte no canto esquerdo.

15/2T – INGLATERRA
A defesa brasileira tira bola da área. Arouca tenta sair jogando, mas perde a possa. Rooney se antecipa a Paulinho e toca para Lampard, que chuta colocado, no ângulo esquerdo de Julio Cesar.

Curiosidade

Foi a primeira derrota de Felipão para a seleção inglesa. Ainda assim, seu retrospecto é bastante positivo contra o English Team. Foram três eliminações nas quartas de final de competições importantes: Copa do Mundo de 2002 e 06 e Eurocopa de 2004.

Ficha técnica

INGLATERRA 2 x 1 BRASIL

 6413 Inglaterra
Hart; Johnson, Cahill, Smalling e Cole (Baines, intervalo); Gerrard e Cleverley (Lampard, intervalo); Walcott (Lennon, 30/2T), Wilshere e Welbeck (Milner, 16/2T); Rooney. Técnico: Roy Hodgson
 Brasil escudo Brasil
Julio Cesar; Daniel Alves, David Luiz, Dante e Adriano (Filipe Luiz, 24/2T); Ramires (Arouca, intervalo) e Paulinho (Jean, 17/2T); Oscar, Ronaldinho (Lucas, intervalo) e Neymar; Luís Fabiano (Fred, intervalo). Técnico: Luis Felipe Scolari
Local: Estádio de Wembley
Árbitro: Pedro Proença (Portugal)
Gols: Rooney (27/1T), Fred (3/2T) e Lampard (15/2T)
Cartões amarelos: nenhum
Cartões vermelhos: nenhum

 

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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