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Hiddink, novamente ao resgate do Chelsea

O Chelsea adora um interino. Ou, pelo menos, Roman Abramovich gosta muito. Quando demite um treinador, e ele faz isso com alguma frequência, indica outro nome para terminar a temporada ao invés de começar um novo projeto com o campeonato em andamento. Um ponto de vista interessante. Avram Grant, Guus Hiddink, Rafa Benítez e Roberto Di Matteo assumiram o comando da equipe nessas situações. Apenas o italiano, campeão da Champions League, continuou no cargo. E apenas o holandês Hiddink foi chamado pela segunda vez para apagar o fogo em Stamford Bridge.

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Hiddink foi bem sucedido na sua curta primeira passagem pelo Chelsea, que durou apenas três meses e meio, em 2009. Perdeu apenas uma partida em 22 disputadas, conseguiu terminar a Premier League em terceiro e ainda venceu a Copa da Inglaterra. Seria mais impressionante se não fosse o ótimo retrospecto dos interinos de Abramovich: Grant foi finalista da Champions League, Di Matteo, campeão europeu, e até Rafa Benítez despediu-se com um título, o da Liga Europa de 2012/13.

Mas Hiddink também construiu um relacionamento pessoal e uma amizade com Abramovich, que lhe conseguiu o emprego de técnico da Rússia e até chegou a contribuir para o pagamento do seu salário. O dono do Chelsea sabia que podia contar com ele quando demitiu Felipão, em fevereiro de 2009. O holandês conseguiu dividir a atenção entre as duas equipes durante aquele curto período e ganhou, também, o respeito dos jogadores com uma personalidade leve, a ponto de subir em uma cadeira e cantar “Summertime”, usando um frasco de ketchup como microfone, na véspera da sua estreia.

Abramovich recorreu ao amigo mais uma vez, depois de demitir Mourinho, especial, mas não imune ao péssimo começo de temporada, com nove derrotas em 16 rodadas, que deixa o Chelsea próximo da zona de rebaixamento. A posição na tabela nem parece ser o principal problema neste momento. Recuperar o vestiário, com jogadores como Hazard, Fàbregas, Diego Costa, Ivanovic e outros muito abaixo do que podem apresentar, e a confiança da torcida, que neste sábado contra o Sunderland vaiou os atletas e ficou ao lado de Mourinho, são tarefas mais urgentes.

Hiddink, 69 anos, não está na melhor fase da sua carreira. Desde a passagem pelo Chelsea, aliás. Não conseguiu classificar a Rússia à Copa do Mundo de 2010, não levou a Turquia à Eurocopa de 2012, passou um ano no Anzhi, conseguindo chegar às oitavas de final da Liga Europa, e foi demitido da seleção holandesa com menos de um ano de um trabalho bem mais ou menos, que culminou com o time eliminado da Eurocopa de 2016 ainda na fase eliminatória.

Quando ainda estava no Anzhi, chegou a anunciar a sua aposentadoria, mas ficou um pouco mais no clube russo – dois jogos antes de surpreendentemente pedir o boné – e depois aceitou o desafio de substituir Van Gaal na Holanda, que vinha credenciada pelo terceiro lugar no Mundial do Brasil. Agora, é o Chelsea que recorre ao experiente treinador, que parece estar nos últimos passos da sua carreira, mas, em um ambiente familiar, e com o respaldo da direção, tem uma boa oportunidade de mostrar que ainda não está terminado para o futebol de alto nível.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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