Inglaterra

Guia da Premier League 2021/22 – Wolverhampton: Começando um novo ciclo, cheio de incertezas

Bruno Lage assume as rédeas do excelente trabalho de Nuno Espírito Santo com um duro desafio, mas pelo menos terá Raúl Jiménez de volta

Este texto faz parte do Guia da Premier League 2021/22. Clique e leia sobre todos os times.

Cidade: Wolverhampton
Estádio: Molineux Stadium (31.700 pessoas)

A temporada passada – 13º lugar

O Wolverhampton foi a melhor surpresa dos últimos dois anos da Premier League, terminando em sétimo lugar consecutivas vezes logo depois de ser promovido. Não atrapalhou ter linha direta com o super-empresário Jorge Mendes que empilha jogadores portugueses no elenco do clube, mas nada tira os méritos do excelente trabalho de Nuno Espírito Santo.

A última campanha, porém, foi cheia de sinais de desagaste e não surpreende que Nuno tenha decidido que era a hora de buscar um desafio diferente. O Wolverhampton fez 15 gols a menos do que na temporada anterior, e não precisa ser Sherlock Holmes para descobrir por quê.

O ataque do Wolverhampton sofreu com a venda de Diogo Jota e a séria lesão de Raúl Jiménez. O dinheiro de Jota foi reinvestido no jovem Fábio Silva, que talvez tenha potencial, mas houve uma queda grande demais entre um atacante que apresentou a melhor forma da sua carreira na última temporada e um garoto de 17 anos. O artilheiro do time na Premier League foi o meia Rúben Neves, com cinco gols, empatado com Pedro Neto.

Nem a contratação de Willian José resolveu, e, nesse cenário, não ter sido o pior ataque da liga inglesa foi um milagre – ou um depoimento bem desfavorável sobre os quatro times que conseguiram fazer menos gols.

Mas a defesa também sofreu – vazada 12 vezes a mais – e aqueles pontinhos que sempre arrancava contra os grandes ficaram restritos a duas vitórias sobre o Arsenal e uma contra o Chelsea, além de um ou outro empate. Como, com menos poder de fogo, não necessariamente melhorou diante de equipes mais fechadas da parte de baixo da tabela, o resultado abaixo das expectativas foi natural.

Ciclos terminam mesmo, e o de Nuno Espírito Santo no Wolverhampton, com acesso, duas campanhas incríveis na Premier League e as quartas de final da Liga Europa, foi lindo. Agora começa um novo.

Mercado

Principais chegadas: José Sá (Olympiacos), Yerson Mosquera (Atlético Nacional), Francisco Trincão (Barcelona), Rayan Aït Nouri (Angers)

Principais saídas: Rui Patrício (Roma), Rúben Vinagre (Sporting)

Tem sido um mercado estranhamente quieto para um time que precisa de mais opções no setor ofensivo. Chegou uma, o promissor Francisco Trincão, do Barcelona. Pode ajudar, mas não é exatamente o atacante que o Wolverhampton precisa. Houve troca debaixo das traves, com Rui Patrício indo para a Roma e José Sá chegando do Olympiacos. O zagueiro Yerson Mosquera, 20 anos, do Atlético Nacional, foi contratado para a defesa, e Rayan Aït Nouri foi confirmado após uma temporada por empréstimo. O melhor reforço provavelmente será o retorno de Raúl Jiménez, que fraturou o crânio em novembro e perdeu o restante da temporada.

O elenco

Ainda é praticamente o mesmo que atuava em um 3-4-3 com Nuno Espírito Santo, contando com fortes zagueiros como Conor Coady, Willy Bolly e Romain Saïss, apoio pelos lados com Nouri, Marçal, Nélson Semedo e Adama Traoré, Leonder Dendoncker, João Moutinho e Rúben Neves pelo meio e liberdade para Pedro Neto, Daniel Podence e Jiménez criarem na frente. Agora, como jogará com Bruno Lage é uma incógnita.

Podemos olhar para a pré-temporada. Ele buscou uma linha de quatro nos primeiros amistosos, mas retornou aos três zagueiros contra o Celta de Vigo, semana passada. Teve Hoever pela ala direita, Marçal na esquerda, Kilman, Coady e Saïss na defesa, Neves e Moutinho no meio e Trincão, Adama Traoré e Jiménez no ataque.

O técnico

Claro que seria um português. Bruno Lage assumiu o Benfica em janeiro de 2019, no lugar de Rui Vitória, e emendou uma incrível sequência de resultados para terminar o Campeonato Português com 18 vitórias e um empate nas últimas 19 rodadas, com direito a 10 a 0 sobre o Nacional. Conquistou a liga com louvor e um ataque que marcou 103 gols. Começou a temporada seguinte goleando o Sporting por 5 a 0 na Supercopa de Portugal e ganhando 18 dos primeiros 19 jogos. Parecia que um fenômeno estava surgindo certo? Pois é. A partir de fevereiro, entre problemas extra-campo com os torcedores e a paralisação por causa da pandemia, a coisa degringolou. Quando deixou o time no final de junho, havia vencido apenas dois dos últimos 13 jogos, a pior sequência dos Encarnados desde 2000/01, quando ficaram em sexto lugar no Campeonato Português.

Expectativa para a temporada

Dificuldades. O elenco é praticamente o mesmo que sofreu na terceira temporada na Premier League, e isso porque contava com o bom trabalho de Nuno Espírito Santo. Agora, o time será comandado por um treinador que passa muito mais incerteza, embora tenha tido ótimos momentos pelo Benfica. A ausência de contratações para o ataque é um problema, e muito dependerá da maneira como Jiménez retornará aos campos. Se conseguir voltar a fazer gols como antes, e se a defesa seguir sólida, o Wolverhampton tem a memória muscular para ser uma pedra no sapato.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo