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Guardiola: “Quero fazer o Manchester City jogar um futebol que deixe a torcida orgulhosa”

Parecia mais a chegada de um popstar. O Manchester City armou um grande show na apresentação de Pep Guardiola. Centenas de torcedores se reuniram em frente ao centro de treinamento dos Citizens, onde se ergueu o palco. O clube fugiu da tradicional coletiva de imprensa, assim como das perguntas mais espinhosas, para colocar o treinador em um programa de entrevistas interativo. O novo comandante, ainda assim, não deixou de dar respostas interessantes. E apontou algumas diretrizes do que deve ser o seu trabalho nos próximos meses. Apesar de seu estilo reconhecido, o veterano promete se adaptar ao novo ambiente e priorizar o interesse dos torcedores.

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“É por isso que estou aqui, para o desafio. Eu me provei na Catalunha e na Alemanha. Agora quero me provar na Inglaterra. Com os jogadores, queremos tentar fazer o Manchester City jogar de uma maneira que deixe as pessoas sentindo orgulho. Então, veremos nosso nível. No fim, o que eu quero é por nossos torcedores e pelas pessoas que gostam do futebol, que aproveitem o que faremos. Eu não consigo isso sozinho, preciso da torcida. Talvez a gente conquiste títulos, mas não adianta nada se as pessoas não tiverem orgulho”, declarou, durante a coletiva. “Estamos aqui para fazer nosso trabalho para eles. Com o estádio vazio, não há razão para estar aqui. É um jogo em que gastamos duas horas juntos e queremos nos sentir satisfeitos ao final”.

Guardiola enfatizou, principalmente, o contato com os jogadores. Em tom de brincadeira, declarou que precisa conhecê-los de perto, “abraçar e chutar os traseiros”, antes de iniciar um planejamento mais profundo. Uma forma de ressaltar que a identidade se constrói a partir do grupo, e não o contrário.

“Qualquer técnico no mundo quer desenvolver os seus jogadores, porque é assim que se desenvolve o time. Eu tenho meu ponto de vista e como eu quero ver meu time jogar, mas preciso de tempo. No mundo, nós não temos tempo, então iremos tentar criar um bom espírito coletivo o mais rápido possível. Precisamos criar algo especial entre cada jogador. Isso é o mais importante. O resto vem em seguida”, apontou. “Primeiro, eu tenho que me encontrar com os jogadores. Tenho que abraçá-los, chutar seus traseiros e, depois, eu preciso de tempo para conhecê-los. Eu joguei contra o Manchester City várias vezes nos últimos anos. Eu falei muitas vezes com Txiki Begiristain, o diretor esportivo. Eu os conheço e conheço suas qualidades, mas eles precisam mostrar isso a mim, mostrar para os torcedores de novo. O passado é passado”.

guardiola

Guardiola não deu grandes detalhes sobre a política de contratações, muito menos sobre quem vai e quem fica. Mas prometeu um cuidado especial com as categorias de base, alvo de grande investimento dos Citizens nos últimos anos: “Uma das razões pelas quais eu vim é que eu sabia o grande trabalho com os jogadores da base. Os torcedores precisam de atletas que cresçam na nossa academia, porque eles sentem uma ligação especial com as pratas da casa. Eu vim da melhor base do mundo, no Barcelona. Se um jovem tem habilidade e demonstrar paixão, ele estará nas minhas mãos. Tudo depende de sua qualidade e de sua paixão”.

Por fim, mesmo não falando diretamente sobre José Mourinho, o espanhol respondeu sobre o número de técnicos renomados que competirão na próxima Premier League: “Na Inglaterra, o mais importante no futebol é que as pessoas não vêm para ver quem é o técnico, mas para ver quão bons são os nossos jogadores. Eu não penso que não apenas neste ano, mas também no passado, o campeonato contou com bons técnicos. Mas eu estou aqui para ajudar os jogadores. Um dos meus sonhos foi atuar aqui como jogador e agora eu cumpro o sonho como técnico. Eu vim para aprender. Eu sempre tive curiosidade para saber como é na Inglaterra”.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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