Guardiola poderia ter gerido melhor a polêmica de Yaya Touré e seu agente
Nos últimos dias, muito se tem falado sobre Pep Guardiola, Yaya Touré e Dimitri Seluk, o agente do jogador. Tudo começou lá trás, quando o marfinense e o técnico trabalharam juntos no Barcelona, voltou a ganhar novos capítulos com a chegada do catalão ao Manchester City. E capítulos bastante desagradáveis. Praticamente todos os dias uma declaração nova é feita por alguma das partes envolvidas, as quais só endossam o que é sabido há tempos: entre Guardiola e Touré há um abismo em termos de relação. Mas de quem será a culpa neste novo episódio de embaraçoso? Quem causou tudo isso? Pep não poderia ter evitado o desfecho dessa história?
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A polêmica começou em uma entrevista cedida pelo empresário assim que o camisa 42 ficou fora da lista para a Champions League, na qual Seluk atacou Pep. E assim teve início o bate-boca entre o ucraniano e o espanhol. Uma das últimas falas do agente foi que Guardiola, enquanto treinador do Barça, teria dito que “o Manchester City é um clube de merda” quando Touré estava prestes a ir para a equipe inglesa. No meio desse tiroteio de palavras está o jogador, que embora não tenha atuado neste início de campanha (seu único jogo até agora foi pelos playoffs da Champions), vinha treinando normalmente com o resto do grupo e alimentando as expectativas de poder voltar a jogar em futuras partidas. Isso até que Pep o vetasse por completo em função dos comentários disparados pelo agente do atleta.
Touré não sabia que havia tomado um gelo do comandante até que a informação se tornou pública. Ao invés de Guardiola comunicar pessoalmente o volante, foram os noticiários e redes sociais que revelaram ao marfinense, na última terça-feira, que enquanto Seluk não se desculpasse pela acusação feita contra o técnico dos Citizens, ele não jogaria mais pela equipe de Manchester (fala do próprio treinador). À imprensa, Pep ainda acrescentou que o camisa 42 é uma “boa pessoa”, mas que, ainda assim, ele seria prejudicado pelas declarações negligentes de seu empresário. Touré, claro, ficou um tanto chateado com a situação. Principalmente com Seluk, quem ele considera seu pai.
O ponto de toda essa balbúrdia não é nem se Guardiola disse ou não o que o ucraniano relatou. Não interessam tanto assim, também, as falas do agente que corroboram que há uma certa indiferença e um certo desprezo do técnico pelo jogador, já que o clima desagradável entre ambos sempre existiu. A grande questão é: Pep tem agido de maneira profissional neste caso? Como um treinador que está há oito anos comandando times tradicionais e com retrospecto vitorioso, será que ele não teve uma conduta ainda pior que a de Seluk (que poderia ter resolvido tudo nos bastidores, convenhamos) por desmerecer alguém com toda a experiência que tem Touré?
Estamos falando de um jogador de 33 anos, que há algum tempo não é mais o mesmo nem técnica, nem fisicamente, mas que tem nas costas um passado recheado de triunfos, performances decisivas, colaborações e títulos. Não é um atleta que está começando agora. Falamos de alguém que foi rechaçado e praticamente chutado do Barcelona pela mesma pessoa que agora o deixa de escanteio. Mais uma vez. De alguém que não tem mais condições de ser titular, tanto pelas condições, quanto pela idade e pela concorrência (como concorrer com quem está comendo a bola no City?). Porém, será que ele não merecia mais respeito?
Todo mundo sabe que a carreira do marfinense está chegando ao fim. Mesmo sob o comando de Manuel Pellegrini, seu espaço no clube e no futebol já era limitado, e isso é totalmente compreensível (inclusive para ele, com certeza). Mas não é justo que seus momentos finais nos gramados sejam minimizados dessa forma. Talvez Guardiola não esteja gerindo esse caso devidamente. Afinal, o trabalho de um técnico não se resume a montar esquemas táticos, escalações, treinamento físico e o que mais tiver que ser feito em campo. Como um dos técnicos mais completos do mundo, Pep deveria saber como domar essa situação que foge das quatro linhas. Isto é, se ela realmente for o problema.



