Inglaterra

Gol de torcedor do Arsenal elimina o time da FA Cup

O sonho de toda criança fanática por futebol é se tornar jogador do seu time e marcar um gol importante. A maioria sequer consegue ser jogador de futebol, que dirá fazer um gol importante. A situação que Colin Kazim-Richards viveu é ainda mais rara. Torcedor do Arsenal quando criança, ele conseguiu virar jogador de futebol. Não jogou pelo Arsenal, mas fez um gol importante, da classificação do seu time, o Blackburn, para as quartas de final da FA Cup. O curioso é que o gol foi contra o Arsenal, eliminando aquele time que ele torcia desde criança.

Wenger poderá dizer que estava preocupado com a Liga dos Campeões. Afinal, enfrentará o forte Bayern Munique na terça-feira. Por isso, escolheu poupar Lukas Podolski, Theo Walcott, Santi Cazorla e Jack Wilshere. Só que o time não jogou futebol. Foi muito mal no jogo, sem criação, sem chances de gol e sem nenhum vestígio de bom time. Mas o jogo corria, como se o Arsnela pensasse que, uma hora ou outra, faria o gol. Não fez. Mais do que isso, acabou tomando. Sentiu o desespero de mais uma eliminação vexatória bater à sua porta.

O gol de Kazim-Richards é uma marca importante para ele. Nascido em Leytonstone, bairro de Londres, esse filho de imigrantes cresceu em um ambiente que tinha poucas chances de dar certo. Filho de pai antiguano e mãe turca, optou por defender, no futebol, a pátria da mãe. Chegou a jogar na base do Arsenal, entre 1998 e 2001, mas não foi lá que se profissionalizou. Foi no Bury que iniciou sua carreira, passando por diversos clubes, como Brighton & Hove Albion, Sheffield United, Fenerbahçe, Toulouse, Galatasaray, Olympiacos e agora o Blackburn, onde joga emprestado. Seus direitos ainda estão vinculados ao Galatasaray.

Aos 26 anos, o jogador declarou ao Telegraph que sonha que seu filho possa dizer: “Meu pai foi um bom jogador de futebol”. E ele acredita que está no caminho certo para isso. “Eu marquei um gol contra o Chelsea pela Liga dos Campeões. Na Euro 2008, eu foi um dos melhores jogadores jovens. Eu chutei na trave duas vezes na semifinal contra a Alemanha. Eu dei um bom trabalho para Philipp Lahm, um dos melhores laterais do mundo. Lukas Podolski veio no vestiário depois e nós trocamos camisas”, contou o jogador.

E mesmo sendo um torcedor do Arsenal quando criança, ele dizia que não se importaria em marcar um gol contra o time. “Eu era um torcedor do Arsenal, mas não tínhamos condições de ir aos jogos. Mas eu ganhei ingressos por ser o melhor jogador no meu time e subi nos ombros do meu pai no setor Clock End, em Highbury”, contou Kazim-Richards.

Mal sabia ele que jogaria no estádio novo do clube e marcaria um gol determinante para a eliminação do seu time do coração. Marcaria um gol, como ele gostava tanto de ver Ronaldo, o Fenômeno, marcar.

“Meu ídolo era Ian Wright, por causa da sua personalidade e seus gols. Ele estava na TV e pensava: ‘Eu adoraria fazer isso. Ele e Ronaldo [Fenômeno], R9, o melhor jogador de todos os tempos. O modo como ele podia ter a posse da bola , entrar nas defesas e marcar. R9 é tudo sobre ‘Jogo Bonito’”, afirmou o jogador.

Agora, Kazim-Richards vai para as quartas de final da FA Cup com o Blackburn. Ainda não sabe qual será o adversário, mas certamente sabe que esse é um gol que ele poderá sempre ser lembrado pelo filho. Um gol importante, decisivo, eliminatório. Como aqueles que todas as crianças sonham em fazer.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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