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Fracasso na LC, apocalipse na Inglaterra: é para tanto?

A queda dos clubes ingleses na Liga dos Campeões fez com que uma nuvem negra pairasse sobre a Premier League. Último guardião da honra do país, o Arsenal não conseguiu o milagre contra o Bayern. E Arsène Wenger logo se transformou no anunciador do apocalipse: “É uma grande decepção para o futebol inglês, porque não acontecia há vários anos. É um chamado para que acordemos. Significa que o resto dos times europeus nos alcançou. Temos que levar isso em consideração quando falarmos sobre o futuro da Premier League”.

O alarmismo exagerado também colocou em xeque a posição dos ingleses no Ranking da Uefa, que determina o número de representantes por país nas competições continentais. A Inglaterra já foi ultrapassada pela Espanha na primeira colocação e vê a Alemanha se aproximar. São 79,820 pontos, contra 76,757 dos germânicos. Uma diferença que não é tão grande, mas que depende de uma hecatombe ainda maior para concretizar a ultrapassagem.

Para que a queda aconteça, Bayern Munique e Borussia Dortmund precisam confirmar as expectativas e ir longe na Liga dos Campeões. Ainda que a Liga Europa valha menos pontos, os ingleses seguem vivos com Tottenham, Chelsea e Newcastle, todos fortes candidatos a uma boa campanha.

Mesmo que o pior aconteça, o terceiro posto não acarreta perda de vaga na Liga dos Campeões – são quatro classificados do mesmo jeito. Na próxima temporada, a Inglaterra descarta os pontos da temporada 2008/09, quando só foi menos eficiente que a Ucrânia, mas deve permanecer aproximadamente 15 pontos à frente da Itália. Uma diferença que necessitaria de mais três temporadas de desastres para ser pulverizada.

Alarmismo à parte…

Independente dos exageros, não dá para negar o fracasso que é para a liga mais poderosa da Europa não contar com nenhuma equipe entre as oito melhores do continente, algo que não acontecia desde 1995/96. Desde então, a Inglaterra contou com 33 representantes nas oitavas, mais do que qualquer outro país. Nas últimas cinco temporadas, foram 16 clubes ingleses nesta etapa, 40% do total. Diante desses números, a derrocada definitiva do país parece um pouco distante de acontecer.

Dos quatro clubes da LC nesta edição, só não faltou competência ao Manchester United, que não deu sorte na definição do confronto com o Real Madrid e lamentará por um bom tempo a expulsão de Nani. O Arsenal também não foi feliz no sorteio, embora o desempenho abaixo do esperado na primeira fase tenha prejudicado. Em declínio evidente, os Gunners terão que se esforçar para ter nova chance no torneio em 2013/14.

Chelsea e Manchester City também podem reclamar do nível de seus adversários na fase de grupos, embora a acomodação tenha tomado conta dos dois times após os títulos da última temporada. Pelo elenco (e pelo dinheiro em caixa) que têm, podem muito bem se recuperar para o próximo ano, embora os problemas no comando técnico de ambos deixem interrogações.

O momento não é o mesmo das glórias vividas entre 2006/07 e 2008/09, quando três dos quatro semifinalistas eram ingleses. Mas também nada garante que os vexames se tornarão padrão nos próximos anos. O ponto chave é saber se comportar nas partidas pelo torneio continental, nas quais o ritmo é bem mais cadenciado e os adversários não costumam dar tantos espaços quanto na Premier League.

No geral, os quatro clubes da Inglaterra tiveram médias de finalizações e posse de bola no terço ofensivo consideravelmente inferiores na Liga dos Campeões, quando comparados aos números apresentados na Premier League. Não por menos, desde 1996/97, os ingleses venceram apenas 39% de seus jogos contra representantes das outras três grandes ligas – bem menos que alemães (54%), espanhóis (53%) e italianos (50%). Um reflexo da dificuldade em enfrentar adversários com padrões de jogo diferentes.

Barcelona e Real Madrid têm elencos incomparáveis, assim como Bayern Munique, Borussia Dortmund, Juventus e Paris Saint-Germain cresceram nos últimos tempos. De qualquer forma, não dá para deixar os grandes ingleses em um degrau abaixo no favoritismo pelos torneios europeus. Falta apenas justificar as forças, como a maioria esteve longe de fazer nesta temporada.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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