Inglaterra

Faltou um drinque

 Barry Ferguson, apesar de escocês – e de não ser o Kenny Dalglish – é um nome relativamente conhecido para os fãs de futebol pelo mundo. O meio-campo é simplesmente o escocês com maior número de aparições em competições europeias – mais, até, do que Dalglish – e, durante sua passagem pelo Blackburn, se tornou conhecido também dos que ignoram o futebol da parte de cima da ilha –sim, aquilo também se chama futebol.

Pois bem: Barry Ferguson saiu outro dia e tomou uns tragos. Mas no dia seguinte tinha jogo da Escócia, e ele devia jogar, e ser o capitão do time. Não jogou, ficou no banco e foi filmado e fotografado mandando um “dedo” para quem quisesse ver – no caso, dois dedos, o equivalente inglês do nosso dedo do meio. Tanto ele como seu companheiro de clube, Alan McGregor. Resultado: escândalo nacional, os dois banidos da seleção, suspensos pelo clube e universalmente execrados. Bem, pelo menos até segunda ordem.

Deixando de lado a ironia de se punir um escocês por uma bebedeira, ao que parece a SFA admitiu ter lidado mal com a questão. Consta que havia mais quatro jogadores na tal bebedeira, que não teriam sido punidos porque foram embora mais cedo. E, convenhamos, estavam exagerando.

Convém deixar claro que o colunista não se junta à recente onda moralista – e direitista – anti-álcool. Não há nada mais hipócrita do que atribuir a um agente externo as falhas que não deixamos de cometer quando não estamos sob qualquer efeito diferente.
Ferguson e McGregor são profissionais, e cometeram um ato que poderia atrapalhar o bom desempenho de suas funções. Pois não, que sejam punidos. Há, entretanto, vários poréns. O jogo era contra a Islândia, em casa. Três pontos certos. Ou seja: o ato foi tolo, mas não prejudicou o time. E, ao contrário de muitos jogadores britânicos de sucesso histórico, foi uma vez só, e não durante toda a carreira!

Poucos dias depois do incidente, a federação começou a ensaiar a volta atrás. Primeiro porque todos devem ter se percebido do ridículo. Mais: dois membros da comissão técnica da equipe liberaram “um ou dois goles” após a derrota para a Holanda. Da mesma forma, o técnico George Burley foi tirando o corpo fora, e disse que a decisão de suspender os jogadores não fora sua.

Pois bem: o último desenrolar do caso veio do clube dos dois, o Rangers, que havia suspendido, multado e colocado ambos na lista de transferências. Na última quarta, o técnico da equipe, Walter Smith – que antecedeu Burley no comando da Escócia – admitiu que ambos podem voltar a jogar pela equipe. E que a SFA “agiu mal”. Ferguson, porém, em seu retonro treinou separado do resto do grupo – McGregor, que é goleiro, treinou com os outros goleiros.

Só para irritar os moralistas: parece que os encarregados pelo futebol escocês tomaram a dura decisão contra os atletas antes de tomarem seu “uisquinho”. E que agora estão todos de ressaca. Como diria Chico Science, “uma cerveja antes do almoço, é muito bom, pra ficar pensando melhor”. Teria economizado toda essa pantomina.

Mais ao Sul

As duas semifinais da FA Cup não podiam ser mais diferentes. Arsenal e Chelsea fizeram uma ótima partida, com razoável alternância, muitas disputa e jogadas bonitas. A vitória azul, justa, ficou clara a partir da metade do segundo tempo, tanto que Arsène Wenger decidiu lançar Arshavin. Não sei porque o russo ficou no banco, já que nem inscrito na LC está – e o quarto lugar na Liga parece mais do que certo. O fato é que, quando entrou, o “momento” já estava perdido, e a vaga na final acabou no sudoeste londrino.

O outro jogo foi chato de doer. O mistão do United sem entrosamento e sem muita pegada de um lado, e o Everton, fazendo o que podia do outro. Como vimos, não era muito. A decisão nos pênaltis premiou o mais… sortudo. E Tim Howard, “chutado” (com razão) do United, e que defendeu as duas penalidades que colocaram os Toffees na final.

Por tudo o que se viu na Liga e na Copa até aqui, é difícil imaginar o Everton campeão. Por outro lado, trata-se de um time difícil de ser batida, e que segurou dois empates com o arqui-rival Liverpool, um deles na casa do adversário, e acabou levando o confronto na prorrogação.

O favoritismo é todo do Chelsea, mas se o time entrar em campo sonolento, como entrou diante do Tottenham na League Cup da temporada passada, perde o jogo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo