Inglaterra

Falta o Batman

A faixa da torcida do Arsenal foi excelente: “Não precisamos de Batman, temos Robin.” Teria sido ainda melhor, é claro, se os Gunners tivessem ganho do Fulham, 16º colocado, em casa e chegado à sexta vitória consecutiva. Mas assim seria, inevitavelmente, uma hora as vitórias iam parar. Bom que tenha sido com um empate, e que não tenha sido contra um rival.

Ruim, porém, que tenha sido em casa e contra um adversário fraco, que deveria ter sido batido. E, no final, a faixa é muito boa, mas ninguém vive só de Robin. O Arsenal precisa há tempos de um Batman, além de um ou dois mocinhos auxiliares, mas não os tem. E, ainda que se mantenha inteiro, Robin é excelente, mas nem Messi pode resolver sozinho.

Basta uma olhada nas estatísticas para perceber. Primeiro as da partida: o Arsenal teve 56% de posse de bola; 13 escanteios contra 4 do Fulham; 20 chutes a gol contra dez. Depois as do torneio: Van Persie tem 13 gols em dez jogos, uma marca absurdamente boa. Mas o Arsenal não tem um grande número de assistências. Ou seja, o holandês joga sozinho.

O empate no sábado foi preocupante também por outro aspecto. Os torcedores vinham comemorando não só a volta de Van Persie, mas também as de Song e Vermaelen. Foi do beque, porém, o gol contra que colocou o Fulham na frente. Vá lá que o belga seja ótimo defensor, e que o camaronês também deixe grande contribuição na proteção à zaga. São bons, mas não são ótimos, e são sozinhos. Do lado de Vermaelen em geral jogará o lento Koscielny, que, por pior que seja, ainda é melhor que Mertesacker. Isso porque não vamos falar de Djourou nem Squilacci.

Do lado de Song, entretanto, a coisa tende a ser mais sombria, pelo menos enquanto não volta Jack Wilshere. Mikel Arteta andava pedindo para ser reserva no Everton antes de chegar ao Emirates, agora pede para ser reserva por ali. Mas reserva de quem? Arshavin? Frimpong? Coquelin? Ainda que atuasse bem, um meio-campo com Arteta e Ramsey pode render algo? Dois distribuidores de bola com talento mediano e nenhuma pegada?

O que dizer então dos companheiros de Van Persie no ataque? Gervinho, assim como os meias citados acima, seria aquele reserva bom para decidir jogos difíceis. Mas titular?  E Walcott, a eterna promessa, vai parar por aí? E Chamakh, que Wenger brigou para contratar no ano passado e agora é reserva até do Gervinho?

O elenco de apoio não ajuda Robin. Seu histórico de contusões também não. E as contratações dos Gunners já se mostraram pra lá de equivocadas. Wenger é de fato um mago ao conseguir fazer jogar quem não tem talento para tanto. Mas este ano a coisa mudou, os Gunners caíram enquanto os rivais subiram. E o Arsenal está atrás do Tottenham desde a terceira rodada. Não vai mudar sem novos jogadores.

CURTAS

A principal notícia futebolística do final de semana infelizmente não foi de dentro de campo. Gary Speed, ex-meio-campista do Leeds, Bolton e Newcastle, entre outros.
Speed, que era técnico do País de Gales – onde vinha obtendo resultados acima do esperado – aparentemente tirou a própria vida.

A comoção entre ex-colegas, atuais atletas – como Craig Bellamy, que acabou deixado de fora do jogo do Liverpool – e simplesmente admiradores foi imensa.

Fica aqui a nossa manifestação de pesar pelo acontecido.

A rodada da Premier League teve (pelo menos) dois jogaços exibidos para o Brasil: United x Newcastle, já comentado no blog, e Liverpool x City.

Além da atuação de gala de Joe Hart, vale mencionar a expulsão de Balotelli.

Quando os últimos crédulos pensam “agora vai”, o italiano mostra que não merece as oportunidades que merece. Não fosse o City já ter um jogador nesta situação e seria o caso de afastar do elenco e ver quem quer.

Quem pode estar com a batata assando é Steve Bruce: o Sunderland perdeu em casa para o até então lanterna Wigan, e segue a apenas dois pontos da zona de rebaixamento.

Os Black Cats ganharam só dois jogos na temporada, e não ganham há quatro.

No Championship, o Southampton perdeu pela primeira vez desde setembro, e, com a vitória do West Ham, agora tem só dois pontos de vantagem na ponta da tabela.

O Middlesbrough, por sua vez, empatou com o Peterborough, e perdeu a terceira posição para o Cardiff –  que ganhou do Nottingham Forest. (Estou pensando em alguma piada com Bairro do Meio e Bairro do Pedro, mas deixa pra lá).

Com a derrota, aliás, o Forest volta a ficar perigosamente perto da zona da morte: com 20 pontos, está apenas um na frente do 22o Bristol City

Na League One, o jogo da semana é o desta segunda, entre o líder Charlton e o terceiro colocado Huddersfield, que não perde há 43 partidas, um recorde na Football League.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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