FA já sabe que não será fácil calar a torcida do Tottenham
A Football Association causou polêmica entre os torcedores ingleses na última semana. A federação lançou uma lista de palavras “proibidas” nos estádios ingleses, prometendo indiciar criminalmente quem as utilizasse nas arquibancadas. Uma medida que seria louvável se contivesse apenas em afastar o racismo dos estádios, mas que acabou se voltando, de certa forma, contra algumas torcidas.
Em White Hart Lane, os fãs do Tottenham costumam a se identificar como Yids ou Yiddos. A palavra faz referência às origens judaicas dos Spurs, adotada pelos próprios torcedores para responder às provocações antissemitas feitas por rivais. No entanto, é vista como pejorativa conforme a maneira como é pronunciada e entrou para a lista negra da Premier League, causando revolta dos londrinos.
A Tottenham Hotspur Supporters Trust, organização que reúne os torcedores do clube, chegou a se manifestar contra a postura da FA. A entidade afirmou que os Spurs estão trazendo uma conotação positiva ao termo. Não parece ter convencido os cartolas. Afinal, durante anos, parte da comunidade judaica moveu uma campanha contra a “palavra Y”, especialmente pela forma como era usada pelos rivais do Tottenham – na temporada passada, torcedores do West Ham chegaram a imitar durante o dérbi a morte de judeus intoxicados no holocausto.
E, apesar das ameaças de processo, a torcida do Tottenham mostrou que não dará o braço a torcer. No jogo contra Norwich, os Spurs levaram faixas com o termo às arquibancadas e mantiveram os gritos de “Yid Army” e “We’ll sing what we want” – “Cantaremos o que quisermos”. Quase 36 mil pessoas cantando em uníssono, justamente no Yom Kippur, o feriado mais sagrado para os judeus. Dificilmente as autoridades mudaram seus pensamentos por isso, mas é difícil imaginar uma honraria maior do que a vista em White Hart Lane.
No vídeo, os torcedores do Tottenham chamam Christian Eriksen de “Yid”, diante da boa estreia do meia contra o Norwich:
Vídeo via @101greatgoals



