Estão rindo de que?

Ou a BBC passou um jogo diferente para a Inglaterra do que o que eu vi no Brasil, ou a visão que temos, eu e a maioria dos comentaristas ingleses de futebol, é bastante diferente. Após a vitória magra sobre ninguém mais que a Eslovênia, a mídia nacional com um todo foi um misto de alívio e entusiasmo. Nem a perspectiva de enfrentar a Alemanha na próxima fase desanimou os ingleses.
O que mais me surpreende, porém, é que os ingleses terminam a partida com a sensação de que Fabio Capello sabe o que está fazendo. E que suas escolhas é que determinaram a vitória. Não que as entradas de Defoe e Milner não tenham resultado no único gol do jogo, mas fui só que que vi que a Inglaterra marcou apenas um gol quando precisava ter feito pelo menos mais um, e que uma boa espirrada no final poderia ter decretado a eliminação da equipe?
Quer dizer, ninguém parou para pensar que o fato de ter saído um gol só significa nada menos do que enfrentar Alemanha e Argentina ao invés de jogar com Gana e Uruguai? Quando foram sorteados os grupos da Copa adverti aqui que, embora o grupo da Inglaterra fosse fácil, era traiçoeiro pelo fato de o primeiro jogo ser justamente contra o adversário mais difícil.
A equipe tornou as coisas ainda mais difíceis ao empatar um jogo que não poderia deixar de ganhar, manteve a colaboração da arbitragem, que impediu os americanos de abrirem uma frente ainda maior. No final, porém, não soube aproveitar isso. E, nas quartas, enfrentará uma das melhores seleções do torneio, ainda que fosse só por uma questão de tradição.
Pior: não se sabe o que a Inglaterra fará em campo. Se há algo a ser louvado no jogo contra a Eslovênia é a disposição dos jogadores. Não há disposição que compense, porém, a absoluta impossibilidade de Frank Lampard acertar um passe de mais de dois metros. E a total falta de familiaridade de Steven Gerrard com o jogo pela ala, seja ela qual for.
Se a coisa melhorou fora de campo, Capello retomou – ou nunca perdeu – o controle do grupo depois da explosão de Terry e os jogadores voltaram a se sentir confiantes, dentro de campo não há o que justifique qualquer empolgarão. O time segue sendo previsível para o adversário e imprevisível para si mesmo. Milner foi melhor que Lennon, mas não resolveu, e Defoe fez o gol e só – acertou quatro passes no jogo inteiro.
Confiança, em geral, em um time de futebol é algo positivo. Na Inglaterra, entretanto, pode significar que a equipe voltou a achar que é melhor do que é. Não custa relembrar as palavras de Diego Lugano antes da Copa. O zagueiro disse que o Uruguai tinha a melhor chance em muitos anos de ir bem na Copa. Perguntaram, então: “É o melhor Uruguai dos últimos anos?”, e o zagueiro respondeu: “Não, e justamente porque sabemos disso nos preparamos bem”.
A Inglaterra não é um dos melhores times da Copa, não é uma das melhores Inglaterras dos últimos tempos e nem ao menos é a melhor Inglaterra que poderia estar nessa Copa. Tudo indica, porém, que, ao contrário do Uruguai, os europeus acham que são melhores do que são. Vão ter pelo menos uma oportunidade de mostrar isso dentro de campo. Se eu acredito? Nem um pouco. Para mim, Alemanha favoritíssima.



