Escolhas complicadas

Blackpool, Wolves, West Ham e Wigan. Sim, esta é a lista dos quatro últimos colocados da Premier League. É, também, entretanto, a lista dos quatro últimos adversários do Tottenham na competição. Os londrinos saem deste momento com nove ou dez pontos, duas ou três vitórias? Negativo: saem com três pontos, depois de perder para o Blackpool em Blackpool e empatar com os outros três – sendo que com o West Ham o jogo foi em casa.
Se contra os Wolves os Spurs pelo menos marcaram três gols, ou seja, dá pra colocar a culpa na desfalcada defesa, nas duas últimas rodadas foi o ataque que não funcionou. Enquanto isso, Man City e Chelsea se distanciam na tabela, e a perspectiva de mais um ano jogando a Champions League é mais distante a cada dia.
Trata-se, não resta dúvida, de questão complicada para técnicos, dirigentes e jogadores: o que priorizar quando o time está indo bem na competição mais importante do continente? A resposta óbvia é… não há resposta óbvia. Porque, por um lado, para que se esforçar para jogar a CL se quando ela começar a esquentar o clube vai ter que negligenciá-la para se dedicar à liga? E, pelo outro, de que adianta avançar na CL se o time dificilmente vencerá a competição, e, com isso, não conseguirá passar do quinto posto doméstico?
É provável que qualquer das duas respostas pudesse ser bem aceita pelos torcedores dos Spurs. O problema é que a equipe perdeu pontos importantes em jogos e rodadas em que não havia o que priorizar – só havia uma competição acontecendo. Uma olhada nos resultados da temporada toda mostra a equipe perdendo pontos para times da parte de baixo da tabela com muito mais frequência do que se pode aceitar. Mesmo que isso tenha sido compensado pela atuação diante dos grandes, no final do ano há muito mais pequenos do que grandes, e os pontos já estão fazendo falta.
Agora imagine-se no lugar do técnico dos Spurs, tendo que convencer Luka Modric que, apesar de ter uma partida contra o Real Madrid no meio da semana, ele tem que se concentrar em vencer o Wigan. Complicado, certo? É assim que as coisas funcionam, entretanto, nos times que ganham títulos. Uma saída pode ser a utilização de jogadores que não estejam atuando tanto, e que querem espaço para mostrar trabalho – Pavlyuchenko, por exemplo, foi titular diante do Wigan, e não resolveu. Pode ser, entretanto, que o problema não seja só motivação.
Contra o Wigan, pelo menos no papel, os Spurs jogaram num 442 “à brasileira”, com dois volantes, dois meias e dois atacantes. Modric e Van der Vaart são meias excelentes, mas nenhum dos dois atua pelos lados do campo, ou pelo menos nenhum dos dois têm isso como especialidade. Contra o West Ham em casa, a equipe foi a campo com apenas um atacante. Nos dois jogos anteriores, dois atacantes e Lennon em campo. Quer dizer, Harry Redknapp tem vivido dias de Carpegiani, o que pode ajudar a explicar porque o time não alcança consistência.
Nada que uma vitória sobre o Real Madrid não resolva. Ainda que o Tottenham seja eliminado na semifinal depois. Há que se fazer escolhas, e os Spurs as estão fazendo. Neste aspecto, há uma sensível melhora com relação ao passado.



