Inglaterra

Escócia nas nuvens

Fazia várias décadas que o futebol escocês não estava com tanto moral. A seleção do país vive um momento quase mágico, liderando um grupo que tem Itália, França e Ucrânia nas eliminatórias e ocupando o 14º lugar no ranking da Fifa (sua melhor posição na história). Na última semana, foi a vez dos clubes do país deixarem sua marca, conseguindo resultados expressivos nas copas européias. E mais: até o Campeonato Escocês, tradicionalmente previsível, está ficando interessante!

Os feitos alcançados por Rangers e Celtic na Liga dos Campeões, naturalmente, foram os que tiveram maior repercussão. Afinal, não é todo dia que alguém derrota o Lyon por 3 a 0, na França, ou bate o campeão europeu Milan, por 2 a 1.

Essas duas vitórias carregam muitas semelhanças com o histórico 1 a 0 que a seleção escocesa conseguiu contra a França, em setembro. O triunfo do Celtic sobre o time de Milão também foi alcançado com base em uma excelente marcação, que combinou tática astuta, qualidade dos jogadores e garra, muita garra. Não se pode negar que os Bhoys também contaram com um pouco de sorte, dadas as falhas de Dida nos dois gols escoceses.

O Rangers, embora tenha conseguido uma vitória mais folgada, também precisou muito de sua boa defesa. Até os 23 minutos, quando McCulloch abriu o placar, o domínio da partida era todo do Lyon. Os franceses seguiram ameaçando até os primeiros minutos do segundo tempo, quando o Rangers marcou mais duas vezes e matou a partida. Agora, por incrível que pareça, os Gers lideram seu grupo, ao lado do Barcelona e à frente de Stuttgart e Lyon.

O mais interessante (e surpreendente) é que o bom momento dos clubes escoceses não se resume aos dois gigantes de Glasgow. O modesto Aberdeen lutou bravamente na Ucrânia, onde arrancou um empate por 1 a 1 com o favorito Dnipro, classificando-se para a fase de grupos da Copa Uefa. A história foi parecida: muita pressão do adversário, absorvida com base na garra – e, neste caso, excelente desempenho do goleiro Langfield.

O bom desempenho internacional começa a ter reflexos também no campeonato nacional. Domesticamente, é um quarto time que está brilhando: o Hibernian, que ocupa a vice-liderança do Escocês, a apenas um ponto do Celtic. A equipe alcançou essa posição graças a uma vitória por 1 a 0 sobre o Rangers, em Ibrox. A esta altura, nem precisa dizer qual foi a história do jogo – garra, defesa, etc.

Embora o Hibs continue como azarão na disputa pelo título (e até pelo segundo lugar), deve-se notar que a equipe vem mostrando uma consistência incomum para times ‘pequenos’ na Escócia. Com nove rodadas disputadas, o clube de Edimburgo é o único invicto do campeonato, sendo que em setembro bateu o líder Celtic por 3 a 2. Se os dois favoritos forem longe nas copas européias, o Hibernian pode aproveitar-se do desgaste para se dar bem.

Com todos esses bons momentos, deve-se notar que nem falamos do Hearts, que, pela fortuna que seu dono possui, seria o clube mais capacitado a brilhar junto com os grandes do país – como fez duas temporadas atrás. Ou seja, é mais um time para se ficar de olho.

Com tudo isso, o campeonato ganhou um nível de equilíbrio mais parecido ao de outros países europeus. Na quinta rodada, os dois líderes somavam apenas dois pontos perdidos, enquanto os dois lanternas, juntos, haviam ganho apenas um – uma disparidade ridícula. Agora, o único time com campanha ‘absurda’ é o Celtic (principalmente pelo saldo de gols: +22, em nove jogos), e no máximo três pontos separam cada um dos oito primeiros colocados. Até os dois lanternas, Gretna e Inverness, resolveram dar uma acordada, marcando dez pontos nos oito jogos que disputaram nas últimas semanas.

A questão, claro, é quanto tempo esse ‘momento mágico’ do futebol escocês vai durar. Na próxima semana, a seleção vai enfrentar a Ucrânia. Se perder, pode ficar em posição difícil, num grupo duríssimo. O Rangers tem o Barcelona como adversário nos próximos dois jogos da LC, e o Celtic, embora seja brilhante em casa, segue vergonhoso como visitante (0 vitórias, 1 empate e 10 derrotas na Liga dos Campeões desde 2003, sem contar as fases preliminares). O Aberdeen dificilmente passará de seu grupo na Copa Uefa. No Escocês, não dá para dizer quanto o fôlego do Hibernian vai durar. Por tudo isso, ainda não dá para dizer que o futebol da Escócia subiu para um novo patamar. Por outro lado, não é preciso ser tão pessimista. Afinal, basta que um dos cinco citados mantenha a boa forma para que esta seja uma temporada memorável para o futebol do país.

CURTAS

– O Chelsea anunciou nesta semana a contratação de Henk Ten Cate para o cargo de assistente do técnico Avram Grant.

– Ten Cate dirigia o time do Ajax, onde seus resultados não foram nada bons.

– Essa contratação mostra, mais uma vez, o desejo de Abramovich de tornar o Chelsea uma equipe ofensiva, que jogue bonito, já que Ten Cate é conhecido por montar seus times no ataque.

– Ela mostra também a intenção de dar mais ‘peso’ à comissão técnica, para que Grant não tenha que segurar sozinho o rojão.

– E também fomenta dois boatos:

– O primeiro, novamente, é que Guus Hiddink assumiria o Chelsea em breve. O holandês é amigo de Ten Cate e o teria indicado para o cargo (mas o técnico nega interesse em assumir o time inglês, apesar de admitir ter conversado com Abramovich – sobre a seleção russa).

– O segundo é a possível ida de Martin Jol, que está por um fio no Tottenham, para o Ajax.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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