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Entre a intensidade do Arsenal e a precisão do City, o empate foi o justo no jogaço

Um dos maiores problemas do Arsenal na última temporada foram os confrontos diretos. Os Gunners poderiam até ter ido mais longe na Premier League 2013/14, não fossem os pontos desperdiçados contra muitos dos adversários da parte de cima da tabela. A torcida voltou a ficar decepcionada neste sábado no Emirates, contra o Manchester City, mas por motivos bastante diferentes. Afinal, os londrinos foram melhores em campo e tiveram a chance de vencer o atual campeão – que, por sua vez, por pouco também não saiu com a vitória. No entanto, em um jogo tão espetacular e tão aberto, o mais justo foi o empate, que prevaleceu com os 2 a 2 anotados no placar.

O Manchester City criou melhores oportunidades de gol. Contudo, o domínio da partida foi do Arsenal, que parece pronto a dar passos à frente nesta temporada. A movimentação dos Gunners foi excelente, com ritmo e pressão sobre os adversários. Danny Welbeck, que fez sua estreia neste jogo, pareceu logo se encaixar na equipe, com boa atuação. Entretanto, o time de Wenger ainda precisa evoluir na criação de oportunidades de gol mais claras, assim como nas brechas excessivas dadas pela defesa, que custaram caro contra um adversário que não costuma perdoar os erros.

Os primeiros sinais da boa partida do Arsenal vieram logo nos primeiros minutos. E Welbeck quase deu início a sua estreia dos sonhos aos 12 minutos, a partir de uma bola mal recuada pelos adversários. O atacante saiu na cara do gol e tocou por cobertura, na saída de Joe Hart. Para sua infelicidade, a bola caprichosamente tocou na trave e saiu. Foi o melhor momento dos Gunners em primeiros minutos de muita vontade e ótimo trabalho de bola.

Porém, os Gunners não souberam aproveitar totalmente o bom início. E se desmancharam a partir da precisão do Manchester City. A equipe de Manuel Pellegrini estava abaixo de seu melhor, mas seguia letal no ataque. Na mínima chance, Sergio Agüero abriu o placar. Jesús Navas deu ótimo passe pela direita, onde o Arsenal deixava o corredor aberto. E o argentino não desperdiçou, sem ser acompanhado pela marcação. Não fosse Wojciech Szczesny, o City poderia ir para o intervalo com vantagem ainda maior.

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A pausa, aliás, fez muito bem ao Arsenal. Foi precisa para que Wenger colocasse novamente a cabeça de seu time no lugar e conseguisse recuperar a pressão. Os Gunners voltaram com força para o segundo tempo, marcando forte a saída de bola do City e acuando os rivais em seu campo de defesa. Para a troca de passes dar resultado. A virada saiu antes dos 30 minutos, primeiro com uma grande jogada individual de Jack Wilshere e depois em uma ótima conclusão de Alexis Sánchez. Tudo parecia encaminhado para uma vitória dos Gunners.

Os desleixos da defesa, entretanto, seguiam punindo os anfitriões. Um pouco mais fechado, o Arsenal cedeu o empate em um lance fortuito: cruzamento na área e deixaram Demichelis sozinho para marcar de cabeça. Outra vez, o gol impulsionou a pressão do City, que teve boas chances para virar. Parou em duas bolas na trave, assim como em uma defesa milagrosa de Szczesny nos acréscimos.

O resultado final não é tão satisfatório para os dois times. Mas, no fim das contas, diz muito sobre estilos e defeitos. O Arsenal pode esperar uma temporada melhor do que foi a última, mas apenas se souber transformar essa intensidade em gols – e não descompensar isso tomando outros por bobeira. Já o Manchester City possui uma equipe mais encaixada, mas que às vezes depende demais dos abafas de seu ataque. Essa falta de constância pode não dar resultado, especialmente se faltar um pouco mais de sorte nas conclusões, como hoje. Como resultado de início de campanha, o 2 a 2 acaba saindo de bom tamanho. Especialmente pelas perspectivas que traz aos Gunners e pelos alertas que dá aos Citizens.

Destaque do jogo

Jack Wilshere. O camisa 10 dominou o meio-campo do Arsenal e incendiou o jogo no segundo tempo, decisivo para a vitória dos londrinos. Além de fundamental na distribuição, o meio-campista também aparecia bem para desarmar os adversários. Teve participação direta nos dois tentos, marcando o seu lindo gol e ajeitando para Alexis Sánchez anotar o dele.

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Momento chave

A defesa de Szczesny, aos 49 do segundo tempo. Em uma imensa pressão nos minutos finais, o Manchester City acertou duas bolas na trave e teve as grandes chances com Dzeko. O atacante finalizou na saída de Szczesny, que fez milagre para evitar o terceiro tento dos visitantes. No rebote, Nasri ainda emendou para as redes, mas estava impedido.

Os gols

27’/1T – GOL DO MANCHESTER CITY! Agüero começa a jogada na intermediária. Navas recebe na ponta direita e cruza rasteiro para o argentino, que se infiltra na marcação e se antecipa a Szczesny para estufar as redes.

18’/2T – GOL DO ARSENAL! Ótima troca de passes dos Gunners. Wilshere recebe dentro da área e dá uma finta seca em Clichy. Na saída de Hart, um toque sutil, para deixar tudo igual no placar.

29’/2T – GOL DO ARSENAL! Bola afastada pela zaga do City. Wilshere emenda o rebote de cabeça direto para Alexis Sánchez, dentro da área. O chileno chuta de primeira e tira do alcance de Joe Hart, anotando outro belo gol.

37’/2T – GOL DO MANCHESTER CITY! Escanteio pela esquerda. Kolarov cobra em direção à marca do pênalti e Demichelis cabeceia livre de marcação. Szczesny tenta salvar em cima da linha, mas se embola com Flamini e não consegue.

Curiosidade

Quatro dos seis gols sofridos pelo Arsenal nesta Premier League foram marcados de cabeça. Demonstra uma clara deficiência da equipe de Arsène Wenger.

Ficha técnica

Arsenal 2×2 Manchester City

Local: Estádio Emirates, em Londres
Árbitro: Mark Clattenburg (ING)
Gols: Agüero, 27/’1T; Wilshere, 18’/2T; Sánchez, 29’/2T; Demichelis, 38’/2T
Cartões amarelos: Mathieu Flamini, Nacho Monreal, Alexis Sánchez (Arsenal); Frank Lampard, Pablo Zabaleta, Sergio Agüero, Fernandinho (Manchester City)
Cartões vermelhos: Nenhum

Arsenal
Wojciech Szczesny, Mathieu Debuchy (Callum Chambers, 36’/2T), Per Mertesacker, Laurent Koscielny e Nacho Monreal; Mathieu Flamini (Mikel Arteta, 49’/2T), Jack Wilshere e Aaron Ramsey; Alexis Sánchez, Danny Welbeck (Alex Oxlade-Chamberlain, 42’/2T) e Mesut Özil. Técnico: Arsène Wenger.

Manchester City
Joe Hart, Pablo Zabaleta, Vincent Kompany, Martín Demichelis e Gael Clichy; Fernandinho (Aleksandr Kolarov, 32’/2T) e Frank Lampard (Samir Nasri, intervalo); Jesús Navas, David Silva e James Milner; Sergio Agüero (Edin Dzeko, 21’/2T). Técnico: Manuel Pellegrini.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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