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Em poucos minutos, Lampard justifica Manchester City ter prorrogado seu empréstimo

Depois de ver seu contrato com o Chelsea se encerrar na temporada passada, o destino de Frank Lampard parecia mesmo ser a MLS. Antes, porém, precisa ser emprestado a algum time. O Manchester City foi o escolhido, por ser parcialmente dono do New York City FC, que assinou com o meio-campista. O que parecia um acordo de conveniência virou um grande negócio. Lampard jogou muito bem, o técnico Manuel Pellegrini ganhou uma ótima opção de meio-campo e as especulações sobre a extensão do contrato começaram. No último dia de 2014, o acordo foi anunciado. Ninguém poderia imaginar, no começo da temporada, que o maior beneficiado da extensão do empréstimo não fosse Frank Lampard, mas sim o próprio Manchester City. Em poucos minutos em campo neste dia 1º de janeiro, o meia justificou o esforço que Pellegrini fez para contar com ele. Foi dele o gol da vitória por 3 a 2 sobre o Sunderland, na primeira rodada do segundo turno, e mostrou como é uma peça importante para o time.

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O jogo desta quinta-feira se desenhava bem complicado para o Manchester City. Depois de um primeiro tempo amarrado, com o Sunderland se defendendo com unhas e dentes, o volante Yayá Touré conseguiu romper a defesa adversária em um torpedo de fora da área, no ângulo, aos 12 minutos, depois de boa ajeitada de Steven Jovetic. Pouco depois, aos 21, o próprio Jovetic marcou um golaço, desviando de letra um cruzamento de Gäel Clichy. Poderia ser um alívio, mas não foi.

Aos 23, Jack Rodwell, ex-jogador do Manchester City, marcou de cabeça e diminuiu. O fantasma da má atuação contra o Burnley logo pairou sobre o estádio Etihad. Depois de sair vencendo por 2 a 0, o time cedeu o empate. E o temor era justificado: aos 26, pênalti para o Sunderland e Adam Johnson bateu e mandou para as redes. Outro ex-Manchester City, aliás, reforçando a lei do ex jogador do clube que marca. A história parecia se repetir: os Citizens abrem 2 a 0 e cedem o empate.

Lampard entrou com o jogo em 2 a 1. Substituiu Jovetic, que fazia o papel de principal atacante centralizado. Viu o adversário empatar o jogo antes mesmo de tocar na bola. Super Frank, como era chamado pela torcida do Chelsea, salvou dia. Em uma boa jogada pela esquerda, Lampard aproveitou o cruzamento preciso de Clichy e cabeceou com estilo, como se fosse centroavante, sem nem precisar sair do chão. Gol do Manchester City, gol da vitória, aos 28 minutos do segundo tempo. Ele ainda seria mais perigoso, com outros três chutes que quase ampliaram o placar – um deles exigiu uma grande defesa de Pantilimon, outro ex-Manchester City.

Com o gol, Lampard chegou a 176 gols na Premier League, deixando para trás Thierry Henry, que tem 175. Uma grande marca para Lampard. E mais do que o gol, Lampard teve boa participação no jogo. Em um time que sofrerá com a falta de Yayá Touré, grande jogador e muito decisivo para o time, Lampard poderá ser crucial. Será jogos importantes para o clube neste mês de janeiro e início de fevereiro. Ainda tem o duelo com o Barcelona, pelas oitavas de final da Champions League, competição que Lampard conhece bem também. Ele foi fundamental na campanha da temporada 2011/12, quando o time eliminou o Barcelona em uma semifinal.

A vitória desta 20ª rodada coloca o Manchester City com 46 pontos, mesmo número de pontos do Chelsea, que joga mais tarde. Lampard fez o seu quinto gol na Premier League na temporada em 371 minutos, o que dá uma média espetacular de um gol a cada 71 minutos. Por isso, Pellegrini quis a sua permanência, o que ele também certamente gostou. Afinal, Lampard terá a chance de mais uma vez colocar um título inglês no currículo, já que o time é claramente um favoritos. Ainda poderá até brigar na Champions League e FA Cup. Bom para ele, melhor ainda para o Manchester City.

Ao sair do Chelsea, não era possível imaginar Lampard jogando com a camisa de outro clube da Inglaterra. Ainda mais o Manchester City. Aconteceu e ninguém deve estar arrependido. Lampard mostrou ainda ser um jogador de alto nível em um time que disputa o título inglês; o City ganhou uma ótima opção para o centro do meio-campo; e o New York City FC viu seu jogador se valorizar mais, em termos de imagem, o que poderá ser ótimo quando ele finalmente for defender o clube – o que acontecerá não mais em março, mas no meio do ano, a partir do fim de maio.

O problema disso tudo são os mais de 11 mil torcedores do New York City FC, que compraram carnês de temporada para ver o clube na sua estreia na MLS, a partir de março. Lampard é uma das estrelas, ao lado de David Silva, mas não começará a temporada. Só irá para o clube depois do fim de maio, quando acaba a temporada na Europa.

O que pode ser bom em termos de promoção do clube e da MLS – afinal, um jogador em alto nível estará em destaque e a Premier League, lembremos, é mais assistida que a MLS -, por outro lado a liga perde, por quase três meses, aquele que seria uma das suas principais estrelas. No fim, provavelmente pesou  a vontade do jogador, do treinador do Manchester City e, claro, a palavra dos diretores. Os torcedores de Nova York terão que esperar para ver Lampard de perto. Por outro lado, devem ter um jogador mais em alta e, até, chamando mais atenção. Veremos como será isso quando a temporada se encerrar. Até lá, os torcedores do Manchester City podem comemorar. Por enquanto, Lampard tem sido aquele jogador importante do Chelsea.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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