Eles aguentam?
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O Newcastle ganhou atenção especial no início da temporada. Foram 11 rodadas sem derrotas, alcançando a terceira posição no Campeonato Inglês. Porém, bastava observar a tabela nas semanas seguintes para se questionar: quando os Magpies vão parar? A principal dúvida é se o time resistiria aos confrontos entre a 12ª e a 14ª rodada, com a dupla de Manchester e o Chelsea pela frente.
De fato, o fardo pesou e o clube despencou ainda mais, vencendo somente um jogo até o final do ano e fechando o primeiro turno na sétima colocação. Passados os percalços e recuperada a confiança, uma nova pergunta se faz: aonde os Magpies vão parar? Já são seis vitórias consecutivas, embora a maioria dos derrotados estivesse na metade inferior da tabela. Com quatro partidas pela frente, o time de Alan Pardew assumiu a quarta posição e abriu quatro pontos de vantagem, o que traz perspectivas reais de classificação para a Liga dos Campeões.
No sábado, o Newcastle provou toda a sua consistência ao realizar uma apresentação irrepreensível diante do Stoke City. A atuação no St. James Park foi digna de um placar mais elástico do que os 3 a 0 alcançados. Os elogios se concentraram especialmente no meio de campo, onde Yohan Cabaye e Cheik Tioté fizeram uma de suas melhores partidas na temporada.
Contudo, a explicação imediata para o sucesso recente aparece no ataque. O encaixe de Papiss Demba Cissé era esperado desde a confirmação de sua transferência, muito pelo estilo de jogo apresentado pelo jogador quando estava Freiburg e pelo entrosamento com Demba Ba na seleção de Senegal. O ganho que o artilheiro trouxe ao time é que não era tão bem estimado quanto a realidade atual.
Os 11 gols marcados nas dez partidas que fez o tornam recordista na Premier League. Cissé balança as redes uma vez a cada 68 minutos em campo, a melhor marca dos últimos 20 anos no futebol inglês. Além disso, a eficiência do centroavante desde que chegou ao norte da Inglaterra é incontestável. Nada menos que 40,7% de suas finalizações se transformam em gols – seja em qual for o pé que a bola pare, com seis tentos de direita e quatro de canhota.
Uma novidade pouco explicita na guinada do Newcastle, no entanto, se concentra na disposição tática da equipe. A formação usual durante boa parte da Premier League foi o 4-4-2 e sua variação, o 4-4-1-1. Mas, nos últimos cinco jogos, Alan Pardew passou a apostar no 4-3-2-1, o que tem gerado resultados. A mudança permite uma exploração maior do jogo pelos lados do ataque, com Hatem Ben Arfa e Demba Ba na retaguarda de Cissé.
Já o meio de campo com três homens tem aumentado a segurança defensiva da equipe. Nos cinco jogos em que a nova formação foi utilizada, a equipe sofreu apenas um gol, algo que pode ser explicado pela combatividade de Tioté, Cabaye e Jonas Gutierrez – contra o Swansea, por exemplo, os Magpies foram bombardeados e, ainda assim, saíram com a vitória. Proteção a mais para melhorar um sistema que conta com Fabricio Coloccini e Tim Krul, entre os melhores de suas posições no campeonato.
Resta saber se o Newcastle terá força para incomodar os londrinos e ficar mesmo com a classificação para a próxima Liga dos Campeões. Entre os quatro clubes que disputam as duas vagas restantes, os Magpies possuem a tabela mais difícil. O clube só fará mais um jogo no St. James Park, justamente contra o Manchester City. Longe de seus domínios, pega Wigan, Everton e Chelsea, em confronto direto pela vaga. E o saldo de gols também é pior que o dos concorrentes.
Com três pontos a mais e um jogo a menos para fazer, o Arsenal só encara clubes sem qualquer anseio na EPL e não deve ter problemas para confirmar o terceiro lugar. Os verdadeiros concorrentes são Tottenham e Chelsea. Os Spurs, três pontos atrás, concentram seus jogos diante de times que lutam para não cair. Já os Blues pegam dois times com risco de rebaixamento e o Liverpool, além do próprio Newcastle.
A seu favor, os Magpies são os mais embalados. O Tottenham segue capengando no segundo turno, enquanto o Chelsea não vem de uma sequência tão boa, embora prometa chegar babando nas últimas semanas – classificado ou não para a decisão da Liga dos Campeões. O principal ponto a favor dos Magpies, entretanto, é outro: só dependem de sua própria eficiência para manter o quarto lugar. Um sonho possível e que poderá recolocar o clube na Champions após oito anos de ausência.
Dérbi e decisão em um só
Os acontecimentos deste final de semana colocam ainda mais fogo no clássico entre Manchester City e Manchester United, marcado para a próxima rodada. O tropeço dos Red Devils, seguido pela vitória tranquila dos Citizens sobre o Wolverhampton, ajudam a deixar a partida com reais traços de uma final. Ambas as equipes só dependem de si para chegar ao título, com a necessidade de se garantir no dérbi.
Durante o primeiro tempo em Old Trafford neste domingo, o United padeceu de um problema visto em outros momentos da temporada. Contra um adversário bem fechado na defesa, a equipe tem dificuldades sérias para criar jogadas em profundidade. O alívio só aconteceu após o intervalo, quando Danny Welbeck apareceu inspirado. O resultado contra o Everton foi péssimo para as pretensões dos Red Devils, mas aceitável nas circunstâncias do jogo – uma das melhores partidas da temporada, por sinal. Nos 20 minutos finais, o United tentou administrar o resultado e deu a brecha necessária para os Toffees chegarem, especialmente em jogadas pela linha de fundo.
Já no Molineux Stadium, ainda que o Wolverhampton tentasse endurecer o jogo, o único resultado a se esperar era a vitória do Manchester City. A equipe perdeu um bom número de chances até marcar com Agüero, enquanto Joe Hart era impecável nas poucas chegadas dos Wolves. O gol de Nasri serviu para tranquilizar mais os Citizens, embora coubessem mais gols.
Na decisão marcada para a 36ª rodada, é possível dizer que o United sai com a vantagem do empate. Por mais que os 6 a 1 engolidos no primeiro turno estejam entalados, os Red Devils precisam levar em conta o desempenho praticamente perfeito que os rivais ostentam no Etihad Stadium. Mesmo que, nas últimas duas rodadas, Newcastle (f) e QPR (c) pareçam mais intimidadores ao City que Swansea (c) e Sunderland (f) ao United, deixar a decisão do título para o saldo de gols não parece uma ideia inteligente – ainda mais levando em conta a boa forma de Tevez e Agüero nas últimas semanas.
Curtas
Premier League
– Conforme o esperado, a PFA confirmou o título de jogador do ano para Robin van Persie. Escolha merecida, diante da regularidade do holandês, que carregou o Arsenal nas costas em diversos momentos da temporada.
– O prêmio de melhor jogador jovem também foi guardado em boas mãos, recebido pelo lateral Kyle Walker. Entre os indicados, Sergio Agüero jogou mais, embora não se encaixasse no perfil da eleição, que tem como o principal intuito indicar a revelação da temporada. O jogador do Tottenham era realmente a melhor opção.
– Quanto à seleção eleita pela PFA, nenhuma surpresa, levando em conta o peso que o primeiro turno teve durante a votação. Se fosse realizada ao término do campeonato, Paul Scholes certamente garantiria uma vaga no time.
– Com a derrota para o Manchester City, o Wolverhampton foi o primeiro clube a carimbar o bilhete rumo à segunda divisão. Com piores números como mandantes do que como visitantes, os Wolves viram sua situação piorar ainda mais após a demissão de Mick McCarthy, em fevereiro.
– O clássico entre Arsenal e Chelsea ficou abaixo das expectativas. Os Gunners foram superiores em campo, sobretudo no segundo tempo, e acertaram duas bolas na trave. E o resultado não foi tão ruim para os Blues, tomando nota do fato de que vários titulares foram poupados pensando na Liga dos Campeões.
– Já entre aqueles que não querem mais nada com o campeonato, a nota negativa – para variar – fica com o Liverpool. Os Reds pressionaram o West Bromwich, falharam demais nas finalizações e tiveram que aceitar a derrota em casa. Somente o passado glorioso para segurar o cargo de Kenny Dalglish.
Championship
– Semana de definições na segunda divisão inglesa. O Reading, que já tinha assegurado o acesso na terça-feira, ao vencer o Nottingham Forest, também garantiu o título. Os Royals empataram com o Crystal Palace no final de semana, mas puderam comemorar após a derrota do Southampton para o Middlesbrough.
– Os Saints, aliás, estão a apenas dois pontos do acesso. Um empate do West Ham nesta segunda-feira, contra o Leicester City, já seria o suficiente.
– Caso não consiga uma reviravolta nos dois últimos jogos, os Hammers acompanharão o Blackpool, confirmado nos playoffs. Birmingham City e Cardiff City estão quase lá, enquanto o Middlesbrough corre por fora.
– Na parte inferior da tabela, o Doncaster Rovers ganhará a companhia de Coventry City e Portsmouth na League One. Após sua quebra financeira, o Pompey segue em queda livre, rebaixado em duas divisões diferentes nas últimas três temporadas.
League One e League Two
– Na terceira divisão, o Charlton colocou a faixa de campeão após derrotar o Wycombe Wanderers por 2 a 1. O artilheiro do Red Army e uma das referências na campanha é Bradley Wright-Phillips, filho de Ian Wright.
– Promete a briga entre os rivais de Sheffield pela segunda vaga do acesso. O United está apenas um ponto à frente do Wednesday, a duas rodadas do fim da competição. Em tese, a tabela das Owls é mais fácil.
– Já na League Two, o Swidon Town foi o primeiro clube a confirmar o acesso, mesmo perdendo na rodada. O destaque fica por conta de Paolo DI Canio, fazendo grande trabalho em sua primeira temporada como técnico. Os Reds já tinham sido vice-campeões do Football League Trophy, copa que conta com a participação dos clubes da terceira e da quarta divisão.