Inglaterra

Ederson chega como uma peça-chave ao City, mas com um nível de cobrança altíssimo

Ao longo dos últimos meses, Ederson se transformou em um dos goleiros mais cobiçados do mercado de transferências. Não apenas por ser ótima opção a vários grandes clubes da Europa, mas também por ser visto como uma reposição para outros tantos. Jovem, talentoso, ágil: uma série de predicados que faziam valer o interesse. Mas, no fim das contas, a necessidade pesou. O Benfica confirmou que o arqueiro deixará a Luz para assinar com o Manchester City, um dos principais clubes carentes de um goleiro confiável na última temporada. Só que as sondagens fizeram que o preço do brasileiro saltasse: vem por €40 milhões, um montante altíssimo para a sua posição. Em valores absolutos, fica atrás apenas de Gianluigi Buffon na história.

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O impulso do City em levar Ederson se explica em diversos motivos. Primeiro, pelo pesadelo que os mancunianos viveram em sua meta ao longo da temporada. A dispensa de Joe Hart, a péssima fase de Claudio Bravo, a necessidade de utilizar no pouco confiável Willy Caballero: a atitude pouco respeitosa com o dono da meta por anos parece ter jogado os Citizens dentro de uma maldição. Por mais que o elenco possua outras carências, não existia necessidade maior, até para dar uma resposta à torcida e não deixar o fantasma do ídolo Hart assombrar novamente. Neste cenário, Ederson se sugere a peça de encaixe perfeito no Estádio Etihad. Tem excelente jogo com os pés, exigência de Guardiola, até mesmo para iniciar contra-ataques. E sabe sair do gol no mano a mano, uma situação que os times do treinador enfrentam com frequência quando dominam a posse de bola.

O momento do brasileiro, aliás, não tem muitos questionamentos. Sua importância ao Benfica ao longo da temporada foi inegável. Não à toa, deixou o badalado Júlio César no banco. Manteve a segurança ao longo do Campeonato Português, crescendo em muitos jogos difíceis. E foi o principal protagonista da campanha na Liga dos Campeões. As atuações contra o Borussia Dortmund sublinharam que o jovem de 23 anos estava mais do que pronto a enfrentar os melhores, especialmente para maneira como conseguiu brecar as investidas de um dos ataques mais vorazes da Europa. Não saiu com a classificação, mas deixou a impressão de que seria muito mais difícil aos encarnados sem ele.

A maior dúvida fica sobre a falta de rodagem de Ederson. Esta foi apenas a primeira temporada completa do goleiro como titular. Tinha se destacado pelo Rio Ave anteriormente, mas não passou de 18 aparições em uma mesma edição do Campeonato Português. Já a afirmação no Benfica aconteceu a partir de agosto. E o nível dos desafios aumentará consideravelmente na Premier League, encarando alguns dos melhores ataques do mundo, além de tentar manter a honra do City na Liga dos Campeões – o que nem sempre é missão tão simples.

Ederson, portanto, precisará se acostumar também com a cobrança pesada. O histórico recente do Manchester City não ajuda, assim como o alto preço pago por sua transferência aumenta a pressa. E as boas exibições precisarão ser imediatas, por mais que exista uma paciência maior do que a que foi com Bravo. De qualquer forma, é diferente do que aconteceu com Jan Oblak. O esloveno também despontou no Rio Ave e até possuía menos tempo de jogo no Benfica. Saiu por um preço relativamente alto – embora menos da metade de seu sucessor. Todavia, teve concorrência no Atlético de Madrid. De certa maneira, a chegada de Moyà auxiliou o novato, que nem desfrutou de tanta confiança no começo, e precisou se provar para se deslanchar como um dos melhores goleiros da Europa.

O talento de Ederson é evidente. Não fosse assim, não seria cortejado por tantos clubes nos últimos meses. Agora, terá que ratificar isso sob uma pressão que não encontrou em outras etapas da carreira. Se superar esse primeiro momento, pode se firmar como o goleiro de uma era no Manchester City. É o que o clube sugere esperar e seu preço indica, diante de tamanho investimento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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