Inglaterra

Eboué, entre a depressão por não poder jogar futebol e o bom humor

Emmanuel Eboué ficou apenas 22 dias no Sunderland antes de receber a pior notícia da sua carreira profissional. A Fifa ficou ao lado de um ex-agente em uma disputa por dinheiro na sua transferência do Arsenal para o Galatasaray, em 2011, e puniu o lateral direito de 33 anos com uma suspensão de um ano, bem na hora em que ele estava prestes a voltar a jogar a Premier League. Isso aconteceu no último mês de março e, desde então, a vida não tem sido fácil para o marfinense.

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A disputa é com o ex-agente Sébastien Boisseau, que alega ter direito a £ 1 milhão por ter intermediado a negociação de Eboué com o Galatasaray. O jogador alega que tocou a transferência sozinho, mas a Fifa decidiu a favor do empresário. Está suspenso pelo menos até quitar essa dívida.

Eboué mantém a forma física treinando aproximadamente duas horas por dia, todos os dias, exceto quando ele não consegue sair do quarto. “Há momentos em que eu fico no meu quarto e não saio”, afirmou, em entrevista ao Telegraph. “Um, dois dias no meu quarto. Eu fecho a porta e fico apenas pensando. Passo muito tempo lendo a Bíblia e digo: ‘Emmanuel, por que você está fazendo isso? Não é bom para sua família’. Há dias em que eu não quero sair da cama. Um dia, eu quis me matar. Minha família me mantém forte. Tenho que pensar nela, mas, se eu estivesse sozinho, eu me preocuparia com o que eu poderia ter feito comigo mesmo”.

Seu ânimo não melhora quando leva o filho Mathis, 7, para treinar na academia do Arsenal e encontra velhos amigos, que questionam sobra a sua situação. “As pessoas que me conhecem, quando olham para mim, podem notar que não estou feliz. Este é o pior momento da minha carreira, é um momento ruim”, afirmou.

Também não ajuda a falta de contato de seus ex-companheiros de seleção marfinense. Apenas Drogba e Romaric manifestaram preocupação até agora. Nem mesmo Kolo Touré, zagueiro do Celtic, que foi suspenso pela Fifa, em 2011, depois de não passar em um exame anti-drogas. “Quando Kolo cumpria sua punição, eu sempre falava com ele”, disse. “Ele tem tido algumas dificuldades no Celtic, então, eu entendo. Não vou dizer algo ruim. Todos são meus irmãos. Eu sei que eles conhecem meu problema, mas espero que um dia eles me liguem. Claro que é decepcionante. Eu acho que a amizade fosse mais forte. Você tem que ser amigo nos momentos difíceis. Mas isso é a vida. Eu levo na boa”.

A pior parte é que Eboué sempre foi um dos mais bem-humorados e brincalhões jogadores de futebol de que se tem notícia. Gosta de fazer as pessoas darem risada. Como em uma festa de Gilberto Silva, quando foi vestido de tigre para animar as crianças. Ou em uma visita ao Palácio de Buckingham, quando se ofereceu para cuidar dos cachorros da Rainha Elizabeth e mostrou o seu lado mais alegre que, torcemos, será retomado plenamente quando a punição acabar.

“Nós fomos até lá, e Thierry Henry disse para mim: ‘Por favor, Emmanuel, este é o Palácio de Buckingham, é a casa da Rainha, não faça nada’. Eu disse: ‘Sem problema, não se preocupa’. Aí a Rainha aparece e começa a apertar a mão de todos os jogadores. Depois que ela termina, eu vejo seus cachorros e digo à Rainha: ‘Senhora, senhora’. Ela vira e pergunta: ‘Como você está?’. Eu digo: ‘Estou bem, senhora, obrigado, mas, por favor, eu não quero mais ser jogador de futebol, eu quero cuidar dos seus cachorros. Quero levá-los para passear, dar banho neles, dar comida para eles. Não quero mais jogar futebol. Quero cuidar de cachorros. A Rainha, honestamente, ela estava rindo. O príncipe Philip estava rindo. Todo o time estava rindo. Alguns minutos depois que ela saiu, alguém do palácio veio até mim e disse: ‘Você está falando sério? Quer cuidar dos cachorros? Eu disse: ‘Sim, estou falando sério!’”.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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