Inglaterra

E o Chicharito?

No começo da temporada inglesa, quando fazia o preview da Premier League, escrevi nesta coluna, a respeito das contratações de Bebé e Chicharito pelo United, que, para valer o que custou, o mexicano teria que se tornar o segundo maior jogador da história de seu país. Que, recordemo-nos, hoje é ninguém mais que Cuatehmoc Blanco.

No início do ano, a Trivela preparou uma lista das pechinchas do ano, e Chicharito apareceu entre as sugestões. E eu discordei. Por óbvio: em seis jogos como titular e seis como substituto na Premier League até ali, o mexicano havia marcado apenas quatro gols – aos quais somava-se ali apenas um na LC.

Janeiro veio, entretanto, e, em um mês, o atacante marcou os mesmos quatro gols que marcara até ali. Mais: na Champions, tornou-se uma das principais figuras da campanha ao marcar duas vezes contra o OM, e uma contra o Chelsea. Foi o suficiente para começar a “Chicharitomania”. E a cada gol do mexicano, ele levantava a camiseta e, por baixo, a mensagem: “Chupa, Caio Maia!”. Ou pelo menos é o que dizia a redação, em brincadeira logo incorporada por parte dos leitores.

Brincadeiras à parte, e é bom poder dizer isso com o cara em baixa, eu nunca disse que Javier Hernández não era, ou não seria, um grande jogador. O que eu disse em janeiro, e segue válido, é que até ali ele marcara alguns gols em suas primeiras partidas, só para ser ofuscado por ninguém mais que Dimitar Berbatov.

E disse também que ele teria que ser o segundo maior mexicano da história. Alguém discorda? Ou algum dirigente em sã consciência contrataria Blanco para o United por 9 milhões de libras? A questão aqui é: não é tão difícil assim ser o segundo maior mexicano da história, certo?

O que nos traz à questão das questões: afinal de contas, que jogador é Javier Hernandez: o que decidiu a liga em favor do United e foi determinante para colocar a equipe na final; ou o que perde quantidades souzianas de gols em cada partida de que participa, e que absolutamente sumiu diante do Barcelona? E a resposta, fácil e óbvia é: por enquanto, os dois.

Não resta dúvida de que os gols marcados na reta final da Premier League foram importantes, e mostraram um jogador pronto para um momento de decisão. Assim como os números não mentem: Berbatov, que não é o segundo maior jogador da história Bulgária, marcou 21 gols no torneio. Nani marcou nove. Park marcou cinco. O United teve catorze jogadores anotando gols na campanha do título – Vidic foi outro que marcou cinco.

Da mesma maneira, se os gols de Hernández foram determinantes para que sua equipe chegasse à final, o United jogou contra ninguém em todos menos dois jogos, os que foram contra o rival local Chelsea.

Chicharito Hernández teve sua primeira temporada no Manchester United, e, mesmo considerando que não é mais um menino impúbere, foi uma excelente primeira temporada. O que não justifica, entretanto, a expectativa que se depositou nele para a final.

Hernández teve uma excelente primeira temporada, tem tudo para se tornar um ótimo atacante. A humilde opinião deste que escreve, porém, é a de que não é, nem será, um fora de série. O que não impede que venha a ser o segundo maior jogador da história do México. O que, chuto eu, será, sim.

Não foi uma pechincha, e em janeiro tinha sido menos ainda. Mas foi, sim, uma das contratações do ano. Também sem nenhuma dúvida.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo