Inglaterra

E agora, Beckham?

David Beckham tomou a decisão mais sábia de sua vida em 1991, quando deixou a academia do Tottenham, onde se tornaria um fracasso, e foi treinar no Manchester United, onde ganhou incontáveis títulos e a admiração eterna da torcida vermelha. Doze anos depois, entretanto, errou feio, e saiu da Inglaterra para jogar no Real Madrid. Data daí sua trajetória errática, onde começaram a se misturar de maneira estranha pop star e futebolista.

Durante seu tempo de United, Beckham era não só um grande meio-campista como também uma liderança para a equipe. Com a bola nos pés sempre teve, e continua tendo, a capacidade de colocá-la onde bem entendesse. Por seu “rostinho bonito”, entretanto, e por ter se casado com uma pop star, seu futebol sofreu toda sorte de preconceito.

Beckham casou com Victoria Adams em 99, mas começou a namorá-la em 97. Em 98 foi expulso no jogo da Inglaterra contra a Argentina – caiu em uma armadilha de Simeone – e voltou para casa como “o culpado” pela eliminação. Depois disso, entretanto, na temporada logo em seguida, foi fundamental para a conquista do “triple” LC, Premier League e FA Cup.

Sua mudança para Madrid, porém, levantou no mundo, e principalmente no Brasil, a surrada tese de que se tratava de um pop star, um cara para vender camisa, e não para jogar futebol. O problema é que no Real Madrid não se joga futebol, portanto, mesmo as melhores atuações de Becks não foram suficientes para dissipar o preconceito.
Quando o jogador, aos 32 anos, com futebol pela frente, portanto, resolveu trocar o time mais badalado do planeta pela MLS, e ainda por um time de Los Angeles, o “papo pop star” explodiu de novo.

Quem entende de futebol conhece as qualidades de Beckham, e mesmo quem não entende foi obrigado a se lembrar delas durante o empréstimo ao Milan no ano passado. Tudo, porém, que se refere a Becks tende a ser superlativo, e o jogador que era “um inútil” para alguns passou a ser a “salvação da lavoura” para times em crise, como o Milan e a Inglaterra de McClaren.

O problema é que, ainda que seja, ou tenha sido, um grande futebolista, Beckham nunca foi o jogador para levar um time nas costas. Não é um cara de dribles desconcertantes ou gols imprevisíveis. É, sim, um cara de lançamentos precisos, e chutes longos fantásticos, mas isso não foi, e era óbvio que não seria, suficiente para transformar o LA Galaxy em um “papão” de títulos. Some-se a isso a polêmica com Donovan por causa do empréstimo ao Milan e temos aí mais um “clima” na carreira do jogador.

Da mesma maneira deve-se analisar a contusão de Beckham do ponto de vista de sua importância para a Inglaterra. Fabio Capello tem com o meia uma relação antiga, que começou com o título espanhol de 2006/7. Conhece tudo o que ele ainda pode fazer, e certamente pretendia utilizá-lo na Copa do Mundo. É provável, entretanto, que não fosse titular. Além disso, se tem problemas em outras posições, hoje a Inglaterra tem boas opções pela direita do meio-campo, como Wright-Phillips e Milner. Para não falar em Lennon, que, recuperado de contusão, certamente será titular.

Beckham tem contrato com o Galaxy até 2012, ou seja, não deve encerrar sua carreira com a lesão. Esta, porém, seria sua última Copa. O fato pode servir a dois propósitos inversos: fazer com que o jogador “desencane” de jogar na Europa, e se dedique de vez ao Galaxy, onde ainda não justificou os altos salários dentro de campo; ou, inversamente, fazer com que desista de parecer bonzinho, dê uma bica no Galaxy e vá terminar sua carreira em algum lugar em que se jogue futebol.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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