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Premier League terá jogos de sexta, e vai garantir mais dinheiro aos clubes com isso

Não há no mundo liga mais valiosa – e mais cara – que a Premier League. E é por isso que toda negociação de direitos de televisão a envolvendo atrai tanta atenção sempre que surge. Nesta sexta-feira, o Campeonato Inglês abriu a mais nova rodada de disputa por sua transmissão, entre as temporadas de 2016/17 e 2018/19, com algumas novidades para manter o alto investimento que tem caracterizado os acordos anteriores. A principal delas é a introdução de partidas sexta-feira à noite, algo com pontos positivos e negativos, mas julgado necessário pela alta cúpula da liga como poder de barganha.

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Não há informação exata sobre quantas partidas seriam realizadas em sextas-feiras, mas sabe-se que será uma pequena porção, acima de dez jogos. Do ponto de vista do torcedor que vai ao estádio – hoje um público bem limitado pelos altos preços cobrados pelos ingressos -, a mudança não é lá tão boa, já que é um potencial dificultador à sua presença nas arquibancadas. Comercial e tecnicamente, no entanto, esses jogos serão muito bem-vindos, como até mesmo José Mourinho antecipava, em março deste ano.

Para o português, é prejudicial que equipes envolvidas na Champions League, com partidas marcadas para terça e quarta-feira, tenham que jogar em um sábado à tarde ou à noite, por exemplo. Do ponto de vista comercial, ele também chamou a atenção para o fato de que, com apenas um jogo realizado em uma sexta-feira, o retorno de audiência seria bastante positivo, já que seria a última opção de futebol nacional para se assistir no dia.

Tendo ouvido ou não as preces de Mourinho, a Premier League entendeu que a novidade era um dos caminhos para que as altas cifras sejam mantidas. Em 2012, o valor conseguido apenas com os direitos de transmissão dentro do Reino Unido foi de € 3,79 bilhões, sem falar nos € 2,88 bilhões de emissoras internacionais. O número total, de € 6,67 bilhões, representou um aumento de 77% em relação ao acordo anterior. Não fazemos ideia de qual valor esperar para essa nova negociação. O que dá para afirmar é que dificilmente será menor que o de qualquer outra liga no mundo.

Além dos jogos de sexta-feira, há outras mudanças, como o número de 168 jogos por temporada disponíveis na TV britânica, 44% do total de partidas que uma temporada tem. Nada que mude a situação de quem mora fora do Reino Unido, no entanto. Ademais, uma só emissora não poderá transmitir mais que 126 jogos. Ou seja: há garantia de que não haverá um monopólio completo por parte de algum grupo. Além disso, os direitos de transmissão dos melhores momentos dos jogos também serão negociados. Desde 2004, quem tem esse direito é a BBC, que o utiliza sobretudo em seu clássico programa Match of the Day. Desta vez, entende-se que a ITV entrará forte na disputa.

As negociações deverão chegar ao fim em março de 2015. Independentemente de quem fique com os direitos – e é bom apontar que provavelmente sejam Sky Sports e BT Sport -, os valores finais serão altos. Com eles, a pressão justificada na briga por ingressos mais acessíveis deverá se intensificar. Afinal, com essas cifras em constante crescimento, é apenas uma questão de um pouco menos de ganância e um pouco mais de sensibilidade com o torcedor para que os clubes cedam àqueles que ajudaram a construir suas imagens nas décadas passadas e foram, pelo bolso, marginalizados do jogo.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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