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Diferentemente de Jorge Jesus, Mourinho condena episódio racista em Paris: “Toda forma de racismo deve ser combatida”

Mais um técnico português de renome a comentar o caso de racismo no jogo entre Paris Saint-Germain e Istambul Basaksehir, José Mourinho foi por um caminho diferente do de Jorge Jesus. Enquanto o treinador do Benfica se queixou de que “qualquer coisa que se possa dizer com contra um negro é sempre sinal de racismo”, o técnico do Tottenham lamentou o que viu como uma “situação muito triste”, condenou todas as formas de racismo e disse sentir muito que algo do tipo aconteça na indústria em que trabalha.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (9), Mourinho afirmou conhecer o árbitro do jogo, Ovidiu Hategan, mas não o quarto árbitro acusado de racismo, Sebastian Coltescu. Ao mesmo tempo em que condenou episódio, lamentou por Hategan, a quem define como “um homem e um árbitro muito bom”.

“É uma situação muito triste. Toda forma de racismo precisa ser combatida e nunca deve ser aceita. Estou muito triste, é claro. Estou triste porque não queremos isso no futebol. Eu, pessoalmente, não conheço o quarto árbitro, mas conheço o árbitro. É um cara e um árbitro muito bom. Estar envolvido indiretamente neste jogo, que se tornará icônico, não é algo bom”, comentou o técnico do Tottenham.

Falando sobre Coltescu especificamente, Mourinho tomou o cuidado de admitir não conhecê-lo e preferir evitar julgamentos mais amplos sobre seu caráter, ao mesmo tempo em que condenou com firmeza a ação do profissional e lembrou das responsabilidades – e consequências – que cada indivíduo tem ao viver em sociedade.

“Só o quarto árbitro pode expressar seu sentimento. Claro, ele cometeu um erro inaceitável, mas só ele pode abrir seu coração, pedir desculpas e aceitar as consequências. Provavelmente, ele também é um árbitro muito bom, mas todos, no futebol e na sociedade, têm sua responsabilidade.”

Mourinho reforçou que o episódio se tornará icônico e afirmou torcer para que nunca aconteça novamente. Por fim, mostrou-se de certa forma envergonhado que o episódio de racismo tenha acontecido em sua área de trabalho: “Como alguém do futebol, sinto muitíssimo que isso aconteça em minha indústria”.

Paris Saint-Germain e Istambul Basaksehir se enfrentavam na noite de terça-feira (8) pela rodada final da fase de grupos da Champions League quando o duelo foi interrompido por volta dos 15 minutos de jogo por uma confusão no banco de reservas do Basaksehir. Expulso por reclamações, o assistente do time turco, Pierre Webó, acusou o quarto árbitro Sebastian Coltescu de ter feito uma ofensa racista contra ele, dizendo que “aquele negro” deveria ser expulso.

Demba Ba, atacante do Basaksehir, peitou Coltescu, afirmando que ao se referir a alguém branco o profissional não diria “aquele branco”, e liderou o movimento para que os atletas deixassem o gramado. O PSG logo se juntou ao protesto, com Neymar e Mbappé, em especial, afirmando que não jogariam “com esse cara aqui em campo”, em referência a Coltescu.

Depois de tentar mover o quarto árbitro para a cabine do VAR e não ter a proposta aceita, a Uefa decidiu pelo adiamento do jogo para esta quarta-feira (9). PSG e Basaksehir retomarão a partida a partir dos 14 minutos, com uma nova equipe no comando da arbitragem.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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