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Derrocada na final não foi nada mais que um breve resumo da temporada do Liverpool

O Liverpool estava bem. Abriu 1 a 0, teve chance de ampliar, reclamou uma trinca de pênaltis e jogou o Sevilla nas cordas. Mas oscilou demais depois do intervalo. Seu futebol desapareceu. Em 17 segundos, os espanhóis empataram, e em seguida, construíram a vitória por 3 a 1 sem grandes problemas, graças a falhas defensivas gritantes do time inglês. Poderíamos dizer que foi um apagão ocasional, não fosse apenas um breve resumo de como foi a temporada do Liverpool.

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Erros na defesa e grandes oscilações de desempenho durante a mesma temporada deram a tônica da campanha do time no Campeonato Inglês e são os principais responsáveis pelo medíocre oitavo lugar. Klopp herdou um elenco com poucas opções, principalmente na retaguarda, e embora tenha feito o time evoluir em vários aspectos – intensidade e criação de jogadas os mais notáveis -, não conseguiu neutralizar as trapalhadas da zaga. “Os gols foram muito fáceis”, afirmou, depois da final da Liga Europa.

E foram mesmo. Moreno errou duas vezes no lance do empate. Primeiro, cabeceou nos pés de Mariano. Segundo, levou um rolinho constrangedor do lateral direito brasileiro, e Gameiro apareceu entre os zagueiros. Ao mesmo tempo que o espanhol, que não falhou pela primeira vez na vida, é praticamente a única opção para a lateral esquerda no elenco herdado de Brendan Rodgers, Klopp teve o mês de janeiro inteiro para contratar um reforço para a posição, mas não viu uma necessidade tão urgente.

Os outros gols também escancararam falhas sérias. Vitolo tabelou com Banega na entrada da área do Liverpool, Lovren deu um bote ridículo e levou o segundo rolinho dos Reds. Coke impôs o segundo gol sofrido por Mignolet na partida, e pouco depois, estava livre, dentro da área, para finalizar e fazer o terceiro.

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Foram gols, de fato, muito fáceis. Uma instabilidade defensiva que se potencializa na combinação entre os problemas da zaga desde a época de Rodgers com uma filosofia de Klopp que de fato não privilegia a defesa. Costuma cobrar o preço em decisões: o alemão perdeu as últimas cinco finais de copa que disputou (duas da Alemanha, uma Champions, a Copa da Liga Inglesa e a desta quarta-feira).

No geral, Klopp acredita que o Liverpool esteve no máximo a 60% da sua capacidade, mas isso foi principalmente pelo segundo tempo. No primeiro, o time foi muito bem. Mas, depois do intervalo, foi encurralado pelo Sevilla, em uma oscilação que também não é estranha na temporada. É, na verdade, bem comum: chegou ao final do primeiro tempo vencendo Sunderland, Southampton e Newcastle por 2 a 0 e levou uma virada e dois empates na etapa final. Sete pontos jogados pela janela. A distância para o quarto colocado Manchester City? Seis pontos.

A atuação do Liverpool na Basileia não foi nada mais do que um microcosmo da temporada. Mostrou os pontos positivos, mas muito mais os negativos. Irregular, como time longe de estar pronto que é. O resultado é um título a menos para uma torcida carente de conquistas comemorar. E muito tempo para corrigir esses erros na próxima temporada, já que não conseguiu vaga em nenhuma competição europeia.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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