Futebol inglês

Depois do fracasso no Valencia, Neville diz que pode desistir da carreira de técnico

Gary Neville teve uma carreira notável nos campos. Foi um lateral direito correto, nada espetacular, mas fez parte da chamada classe de 1992 do Manchester United, que se tornou uma das mais vitoriosas da história do clube. Também foi titular da seleção inglesa e marcou época. Depois de pendurar as chuteiras, ganhou elogios como excelente comentarista na Sky Sports, a emissora que transmite a Premier League no Reino Unido. Só que falar é uma coisa, fazer é outra. E no breve período que esteve no Valencia, Gary Neville foi um fracasso como técnico. E talvez ele desista da carreira.

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Foram 16 jogos como técnico dos Ches e o time só conseguiu três vitórias sob o seu comando. Ele foi anunciado como técnico do time espanhol no dia 2 de dezembro de 2015, com a equipe em forte crise. A decisão de escolher o inglês como técnico foi surpreendente, porque Neville nunca tinha trabalhado como técnico principal de uma equipe antes, embora já tivesse alguma experiência como auxiliar téncico de Roy Hogdson na seleção inglesa. Mas sabemos que o trabalho no dia a dia é diferente. Além disso, ele não falava espanhol.

Nos seus primeiros nove jogos no comando do Valencia, nenhuma vitória. Aliás, nesse meio tempo, ele tomou um 7 a 0 do Valencia pela Copa do Rei, o que deixou uma marca extremamente negativa. Depois de também ser eliminado na Liga Europa diante do Athletic Bilbao, a pressão aumentou demais. No dia 30 de março, o inglês foi demitido do cargo. No momento da demissão, o Valencia era 14º colocado, a seis pontos da zona do rebaixamento.

Depois da Eurocopa de 2016, onde seguiu no seu posto de auxiliar técnico de Roy Hodgson, ele anunciou a sua saída do cargo, assim como o técnico principal. E talvez Neville não volte mais a comandar uma equipe, ou sequer trabalhar em uma comissão técnica de novo depois das experiências que teve.

“Eu sempre digo ‘nunca diga nunca', porque o meu amor por futebol é muito grande, mas eu genuinamente acredito que será muito difícil voltar a ser técnico por causa do meu comprometimento com tantas coisas diferentes”, afirmou Neville, em entrevista ao jornalista Guillem Balague para a revista Bitesize. “É a minha obrigação fazer o Salfor City chegar à Football League [entidade que comandas as três divisões abaixo da Premier League]. É minha obrigação levar o Hotel Football a nível internacional”, afirmou o ex-jogador.

Hotel Football é uma iniciativa dele e de Ryan Giggs, outro lendário jogador do Manchester United. O hotel é temático de futebol e fica em Manchester. A ideia é levar o empreendimento a outras cidades não só do Reino Unido, mas internacionalmente.

“É a minha obrigação entregar um restaurante de alto nível com Michael O'Hare. É minha obrigação entregar St. Michael's, que eu acredito que é a melhor desenvolvimento de Manchester”, disse ainda Neville, falando de outros dois negócios, restaurantes e duas torres que quer construir no centro da cidade.

“Eu não posso voltar a ser técnico no curto prazo, nos próximos cinco anos. E a realidade é que eu não quero”, afirmou Neville. “Pode ser que eu não seja mais técnico de futebol, mas isso não é uma perda. As pessoas podem pensar que é, mas o que importa é que para mim não é”.

O ex-lateral direito assume a culpa pelo fracasso no Valencia. “Não há nada pior que ouvir alguém dar razões de por que eles fracassaram – é claro que às vezes há razões -, mas você tem que assumir a culpa”, afirmou. “Não posso abrir o hotel e culpar o gerente pelo fracasso. Por quê? Eu escolhi o gerente”, explicou.

“Eu não posso ir para a Espanha por quatro meses, ser o técnico do Valencia, culpar o fato que havia um vestiário difícil, que eu não falava a língua, que eu tive azar e perdemos algumas chances”, afirmou. “Por quê? Porque eu sabia que não falava a língua antes de ir, eu sabia que havia um vestiário difícil e eu sabia que eles tinham demitido muitos treinadores e eu não lidei com isso”.

“As pessoas sempre olham para isso externamente e achamq ue foi uma experiência negativa. Para mim, pessoalmente, eu perdi jogos de futebol, mas eu ganhei experiência geral de vida, cultura e apreciação de um país diferente”, justificou Neville.

Esperamos que ele tenha apreciado a deliciosa comida valenciana, então.

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Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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